O monitoramento de macroinvertebrados bentônicos nas obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC resultou, ao longo de um ano, na coleta e identificação de 11.748 indivíduos. As atividades realizadas até o momento pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Gestora Ambiental (STE S.A.), englobaram todas as estações do ano, permitindo a análise de possíveis impactos do empreendimento na fauna aquática e na manutenção da qualidade dos recursos hídricos amostrados.

Estes pequenos organismos de água doce incluem espécies de insetos, minhocas e moluscos que habitam o fundo de rios e lagos. Conforme a ecóloga Caroline Voser, os bentônicos são muito sensíveis a qualquer alteração no ambiente em que vivem. “São indicadores ideais na medida em que diferentes taxa (espécies/famílias) estão associados a diferentes níveis de qualidade da água. Também ocupam uma posição vital na cadeia alimentar dos sistemas aquáticos e, portanto, podem ser usados para fazer estimativas da saúde do ecossistema”, explica.

Nas obras do Lote 2, em Timbé do Sul (SC), a equipe monitora os rios Serra Velha, Seco, Rocinha, Timbé e Molha Coco. A metodologia utilizada consiste em posicionar um coletor de malha contra a correnteza, revolvendo o sedimento com o auxílio das mãos e desprendendo os organismos para que eles sejam levados em direção ao interior da rede. Três subamostras são coletadas por ponto visando representar a heterogeneidade do ambiente. Após a etapa de campo, ocorrem as seguintes atividades no Laboratório de Ecologia da STE S.A.: lavagem das amostras do leito dos rios, triagem e identificação. Entres os equipamentos utilizados, destaca-se o estereomicroscópio, o qual permite a visão ampliada e tridimensional dos organismos.

De acordo com Caroline, até o momento foi possível perceber que a fauna se mantém equilibrada mesmo com a execução das obras. Em alguns pontos, porém, há perdas decorrentes da remoção de solo e da vegetação. “O aumento do volume de materiais particulados e excessos de carga orgânica na água trazem uma série de pequenos problemas que, acumulados, atrapalham muito a vida aquática”, explica. A especialista destaca que tal impacto não se torna duradouro quando observado precocemente, visto que a fauna bentônica é resiliente, ou seja, forte o bastante para suportar a alteração e alertar se as medidas mitigadoras adotadas - como as ações para prevenir e conter os processos erosivos - estão sendo eficazes. “Essa informação é muito importante, pois evita que ocorra um desastre de difícil reversão”, finaliza.

Fonte: Amanda Montagna