O sonho da professora Ester Paes dos Santos Silva  sempre foi ser mãe. Casada com o professor e pastor Presbiteriano Claudimir Geraldo da Silva, ela conseguiu realizá-lo. Os dois são pais de Natan Biddenwerken da Silva. Essa família, que é muito unida, já enfrentou grandes batalhas. Eles são a prova de que o amor e a fé são capazes de modificar e melhorar a vida das pessoas.

No final de 2010, Ester estava no processo de desmamar. Natan estava com um ano e sete meses, por isso, ela achou que havia leite empedrado nos seios. A mama esquerda estava doendo bastante e no banho, ela sentiu uma bola na axila. "Minha mãe adotiva agendou a consulta em um oncologista em Florianópolis, fiz vários exames e descobrimos que eu estava com câncer de mama bem avançado, estava no estágio três, descendo para o mamilo. Precisava fazer uma mastectomia (remoção total da mama). Fiquei sem chão, levei um choque. Mas tive apoio da minha mãe adotiva, familiares e amigos. Minha família e do meu marido são de São Paulo, mas temos nossa família da fé, que nos apoiaram muito", explica.

A cirurgia foi marcada para janeiro e Ester relata que estava apreensiva. "Eu nunca fiz nenhuma cirurgia, até para ganhar o Natan foi parto normal. Era uma cirurgia agressiva, com esvaziamento axilar também, eu estava com muito medo. Mas tive muita fé em Deus, fizemos muita oração, acredito que Deus pode agir através dos médicos e que não adiantava ficar com medo ou pensamentos negativos, porque isso atrapalha a recuperação. Fiquei apreensiva até chegar no centro cirúrgico, ali, consegui descansar em Deus, relaxar e auxiliar no que pudesse", afirma.

Depois da cirurgia, ela relata que parecia que havia sido atropelada por um caminhão. "Não conseguia me mexer,  fiquei duas noites no hospital, mas já sai fazendo fisioterapia no braço, não conseguia levantar ou esticá-lo. Fiquei três dias longe do meu filho, não podia pegá-lo e era muito sofrimento. Aos poucos nos adaptamos, mas para ele foi um choque. Ele ficou muito magoado, quis me ignorar, ele não sabia falar e demonstrava que estava muito chateado, porque achou que eu tinha o abandonado. Nessa época ainda morávamos em Florianópolis. Aos poucos, reconquistei meu filho e meu espaço".

Ester estava com 37 anos quando realizou a mastectomia, junto fez a reconstrução da mama através de uma prótese. "Infelizmente tive ceroma (um líquido com sangue propenso a infecção) e não consegui me adaptar com a prótese. Retirei depois de um mês da cirurgia para lavar e escovar na tentativa de adaptação. Depois coloquei um catéter e retirei a prótese para iniciar tratamento de quimioterapia. Dia 25 de março de 2011 comecei a quimioterapia. Em seguida, comecei a tomar uma medicação que tomo até hoje. Fiz também 22 sessões de radioterapia".

Em março de 2012 Ester também teve que retirar os ovários. "Estava com dores e o médico achou que poderia ser metástase, na biópsia descobriram que era apenas um cisto muito feio. Coloquei uma prótese nova, mas não tive a felicidade que desse certo".

Segunda batalha

Em 2013, eles se mudaram para Araranguá e foi quando novamente enfrentaram a doença. "Nossa vida estava voltando ao normal, o Natan na creche, eu tentando trabalhar, meu marido trabalhando. Então, senti minha axila queimar e senti um nódulo, onde associei com a mancha na pele da mama esquerda. Percebi também que eu comia muito bem e não engordava.  Fui ao médico, fizemos os exames e a biopsia resultou em um câncer. Para meu marido foi muito difícil aceitar o retorno da doença. Ele ficou muito revoltado, não entendia como Deus estava permitindo que a doença voltasse, ficou assustado e foi muito difícil".

Ester ia para Florianópolis toda semana com o carro da saúde. "Conheci pessoas em situações mais difíceis que a minha, compartilhava nessas viagens fé em Deus, amor e esperança com eles. Nós saíamos às 3h e voltávamos a noite, porque precisávamos esperar todos fazerem o tratamento, era muito cansativo. Enfrentamos muitas dificuldades na estrada, inclusive com alguns motoristas, foi um período bem estressante. Tive que fazer novamente quimioterapia, o câncer estava em estágio quatro. A quimioterapia não estava resolvendo, a médica explicou que a quimioterapia ia ser somente um paliativo e o câncer iria para o estágio terminal. Conheci uma planta chamada Aveloz que me indicaram, eu não tinha mais nada a perder. A médica me deixou com insegurança, porque explicou que não é uma medicação reconhecida, não sabia as reações, então, deixou por minha conta e risco. Meu esposo não queria deixar eu tomar. Eu e meus amigos conseguimos convencê-lo, porque eu queria viver. Em uma semana o tumor diminuiu, não contei que estava tomando e na verdade, tomo até hoje. Consegui operar e fiz esvaziamento axilar novamente. Quatro dias depois, a manchinha voltou. Continuei vivendo com muita fé, esperança em Deus, confiando no seu poder para me curar, contando com o apoio, carinho, suporte da família e amigos. Não fiz reconstrução da mama. Voltei para quimioterapia, desta vez, em 2013 não fiz radioterapia. Tive infecção de urina, quase enfartei, mas sou uma pessoa forte e encarei novamente. Continuo com minha fé em Deus que tudo pode".   

Ano passado, Ester estava dando aula na E.E.B Castro Alves, atuando como segunda professora. "Estava muito bem, muito feliz, mas novamente não engordava e senti uma queimação no peito. Fizemos uma nova biópsia e a doença estava voltando novamente em estágio quatro e estava também no sistema linfático. Comecei novamente a quimioterapia, precisava começar rápido para que não se espalhasse, pois poderia ir para os ossos, intestino e cérebro. Me operei no início de novembro, comecei a quimioterapia e rádio em dezembro. Dessa vez, a quimioterapia foi mais agressiva, quase enfartei novamente, tive infecção de garganta também. Perguntei quanto tempo de vida tenho, os médicos não souberam precisar, mas continuo com minha fé. Hoje minha alimentação é diferente, continuo tomando remédios, fazendo exames, estou em tratamento, mas estou bem".

Ester, ao conversar, passa muita serenidade e força. "Acima dos médicos existe um Deus que dá capacidade e competência para que eles nos ajudem. Ele pode usar meios naturais ou nada. Como Ele quiser vai agir, tenho muita fé e creio nisso. Tenho pedido para Ele me curar. Tenho muito fé em Deus e creio nEle. Desde a primeira vez foi um sufoco e estou aqui até hoje e estou bem. As pessoas precisam enfrentar as adversidades da vida, sem se revoltarem, ou ficarem se perguntando como Deus permite o sofrimento. É preciso lembrar que Cristo nos conforta e dá força dizendo 'no mundo tereis aflições, não temas, tende bom ânimo, pois eu venci e estou com vocês pelo vale da sombra da morte'. É preciso olhar o lado positivo, enfrentar com muita fé. Hoje vejo a vida de outra maneira, dou muito valor as pequenas coisas, a minha família, amigos. Nossa fé em Deus, o amor a família, a alegria de viver, me faz seguir em frente com esperança de novos dias. Cristo é o segredo de minha força e minha fonte de paz. Ele me fortalece e me põe de pé. NEle posso todas as coisas".