Com auditório lotado e mais de 300 participantes presentes foi realizado na noite dessa quarta-feira, dia 16, um fórum aberto ao público com o tema “De quem é a vida, afinal? Discutindo a vida, a morte e o morrer” comandado pelo médico geriatra do Hospital Unimed Criciúma, Álvaro Barcelos, em conjunto com a comissão de cuidados paliativos da instituição. O evento abordou exemplos reais dentro da rotina do hospital e ocorreu pelo terceiro ano consecutivo.

Além do médico geriatra, a vida, a morte e o morrer foram debatidos também com o representante da igreja católica, padre Antônio Júnior; da igreja evangélica, pastor Antônio Luiz Lalau; e da doutrina espírita, Jefferson Sotero. De acordo com Barcelos, este ano, a iniciativa que mexe com os sentimentos dos participantes, teve como propósito uma maior interação do público no debate, com mais dinâmica e participação.

“O processo fisiológico é igual para todos e o que se pretende com os cuidados paliativos é que o paciente tenha uma morte digna. O que diferencia a morte é a maneira como cada pessoa encara este momento. Por isso a religião tem um papel fundamental e é este ponto que ressaltamos. A fé muitas vezes possibilita um alívio no sofrimento e por isso a crença se torna tão importante no momento final da vida”, destaca.

De acordo com o padre Antônio Junior, quando um paciente possui uma crença, o processo de recuperação ou de morte é diferenciado. “A fé nos consola, nos dá força, faz com que o sofrimento tenha um significado. Sabemos que a morte tem um sentido de fim, mas cremos no fim apenas de uma etapa, pois acreditamos na vida eterna”, destaca.

Muitos pacientes e familiares buscam na doutrina espírita uma explicação sobre a morte, que, de acordo com o espírita Jefferson Sotero, é uma transformação e não um ponto final. “O espiritismo leva as pessoas para a reflexão. Morrer significa continuar vivendo em outra dimensão, a espiritual”, salienta.

Já para o pastor da Igreja Evangélica Nova Jerusalém, Antônio Luiz Lalau, é nos momentos difíceis da vida, como na doença, que os fiéis buscam o conforto e o acolhimento. “Entendemos que a morte não é o fim de tudo, mas apenas um recomeço. A vida é uma passagem e a morte é a volta para casa”, frisa.

A comissão de cuidados paliativos conta com o médico geriatra, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogas, farmacêuticas, fonoaudióloga, representantes das áreas administrativas e técnicas de enfermagem. Um quilo de alimento de cada participante foi recolhido na entrada do evento e, posteriormente, serão entregues para associações beneficentes da cidade.

Fonte: Douglas Saviato