Foram feitas no mês de julho as coletas referentes à 4ª campanha do Programa de Monitoramento da Qualidade da Água e Proteção de Recursos Hídricos. A atividade é executada a cada três meses pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/SC), por meio da Gestora Ambiental (STE S.A.), buscando verificar se as obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC estão causando impactos negativos na qualidade da água e se é necessário adotar medidas de correção para minimizar eventuais danos. As amostras são coletadas no Lote 2, em Timbé do Sul (SC), onde a equipe monitora os rios Rocinha e Seco (afluente do Serra Velha) – ambos com obras de pontes em andamento.

O monitoramento ocorre em pontos localizados acima (montante) e abaixo (jusante) das obras para comparação dos resultados. As amostras de água são coletadas em superfície, sendo em seguida hermeticamente fechadas, etiquetadas e mantidas em caixas térmicas até serem enviadas ao laboratório para realização das análises. Alguns parâmetros, porém, já são verificados em campo com o uso de equipamentos específicos. A sonda multiparâmetros mede temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade e pH; enquanto o turbidímetro analisa a turbidez (característica causada pela presença de materiais sólidos em suspensão).

Os parâmetros levam em conta possíveis fontes de contaminação relacionadas, por exemplo, a vazamentos de óleos e graxas das máquinas, ao tratamento inadequado de esgoto e à geração de sedimentos ocasionada pela erosão. Conforme o engenheiro agrônomo Lauro Bassi, através dos componentes e características analisados é possível calcular o índice de Qualidade da Água (IQA), o qual classifica a qualidade da água em ótima, boa, razoável, ruim e muito ruim. “Os resultados da presente campanha apontam que não há interferência das obras nos parâmetros de qualidade analisados”, afirma. Bassi destaca que em todos os pontos monitorados, os parâmetros considerados estão de acordo com a classe 1 de qualidade, conforme a Resolução nº 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento.

Vale ressaltar a interligação deste Programa com de Monitoramento da Fauna – Bioindicadores, o qual utiliza os macroinvertebrados bentônicos (pequenos organismos de água doce que vivem sobre o substrato de rios e lagos) como indicadores de qualidade ambiental. O monitoramento destes animais inclui a análise de algumas características físico-químicas da água que têm influência direta no comportamento e presença dos mesmos, como luz, temperatura, íons dissolvidos, entre outros. De acordo com a ecóloga Caroline Voser, os bentos são altamente dependentes das variáveis ambientais da água. “A qualidade de vida e a manutenção deles nesses ambientes é diretamente relacionada com a condição do corpo hídrico. Dependendo de como se encontra a qualidade da água estima-se encontrar diferentes tipos de organismos”, explica.

Fonte: Amanda Montagna