“Este mês dependemos de um milagre para pagar o salário dos funcionários e as despesas mais urgentes”. A afirmação é do presidente do Lar São Vicente de Paulo, de Araranguá. A situação financeira da instituição que já era delicada está ainda pior devido ao congelamento das contas bancárias por determinação judicial há pouco menos de um mês.

Segundo o presidente, desde 2014, o Lar lutava na justiça do Trabalho por uma ação judicial movida pelo Sindisaúde, que cobrava o pagamento de insalubridade aos funcionários. “O que aconteceu foi que pagávamos este adicional apenas para as funções que exigiam este pagamento, porém o sindicato reivindicou que fosse pago para todos. Sem nem fazer uma visita ao Lar, o juiz deferiu o pedido e determinou que pagássemos a insalubridade para todos os colaboradores, somando um valor aproximado de R$ 200 mil”, destaca.

A decisão judicial determinou também que as contas bancárias do Lar fossem congeladas, até que o pagamento fosse realizado. “Tínhamos pouco mais de R$ 25 mil nas contas. No mesmo dia que faríamos o pagamento dos funcionários, o juiz determinou o congelamento. Dessa forma, não conseguimos pagar a folha e desde então, estamos com esse dinheiro bloqueado pela justiça”, explica.

Depois da sentença, assim que assumiu a administração do Lar, contratou uma assessoria jurídica para trabalhar no caso e buscar a anulação do processo. “A defesa anterior deixou muitas falhas. Agora, iniciamos uma luta para poder provar que sempre mantivemos nossas obrigações trabalhistas em dia, tanto que pagamos aqueles que tinham direito a insalubridade, conforme laudo pericial”, afirma.

Conforme o presidente, atualmente a ação está suspensa pelo Tribunal Regional até o julgamento do mérito. “Nossa esperança é de que o processo seja anulado e que até mesmo antes disso, o juiz libere as contas do Lar. Sem esse valor não temos como pagar funcionários, nem manter o funcionamento da casa”, destaca.

Depende de doações

Para poder manter as atividades em dia e garantir o atendimento aos cerca de 40 idosos que moram ali, o Lar São Vicente de Paulo depende de doações. “Tudo o que vier é bem vindo, seja alimentos, produtos de limpeza ou até mesmo doações em dinheiro. Recebemos tudo de coração aberto”, destaca a coordenadora, Vanda.

Quanto à possibilidade de fechar as portas, o presidente afirma ter esperança de que esta medida não seja necessária. “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para manter o asilo aberto. Temos idosos que estão aqui conosco há mais de 25 anos e mesmo os que estão há menos tempo não teriam para onde ir”, afirma.