Mais de R$ 1 milhão. Esta é a soma, até o momento, dos prejuízos que muitos agricultores da região do Extremo Sul Catarinense tiveram com o mau tempo da última semana. A chuva, mas principalmente o vento forte, deixaram rastros de destruição e trouxeram muitos prejuízos aos produtores de culturas como o feijão, frutas e gado leiteiro.

De acordo com o gerente Regional da Epagri de Araranguá, Reginaldo Ghellere, a estimativa é de que as chuvas tenham causado prejuízo nas pastagens, reduzindo a produção de leite em 10% num mês. “Com a melhora do tempo, a produção voltou ao normal. Também, a pequena área de feijão foi afetada, sendo que em alguns casos a perda foi total. Embora signifique muito para aquele que perdeu, no contexto da região o feijão não tem expressividade”, explica.

Já o vento forte do dia 1º de junho prejudicou principalmente duas culturas: da banana e do maracujá. As maiores perdas foram em Praia Grande, Jacinto Machado e Ermo. Nos bananais, houve perda total de, pelo menos, 10 hectares. “A recuperação dessa área deve ocorrer somente daqui há 10 ou 12 meses. Outros 300 hectares tiveram danos nas folhas, o que deverá reduzir a produtividade em 15% dos bananais nos próximos oito meses”, explica.

Já na cultura do maracujá, em algumas áreas o vento derrubou as frutas e em outras todo o parreiral. O prejuízo maior foi para aqueles que o parreiral caiu. “Recebemos a informação de que seriam pelo menos duas áreas. Isso porque a safra já está no final e muitas frutas ainda puderam ser aproveitadas”, afirma.

Segundo Reginaldo, as perdas aproximadas foram calculadas em R$ 650 mil na cultura da banana, R$ 50 mil do maracujá, R$ 150 mil da produção de leite e R$ 200 mil na cultura do feijão. “Estamos num período de entressafra, por isso, tivemos poucos danos levando em consideração a pujança da nossa agricultura”, finaliza.

Bananal comprometido

O agricultor Volnei Possamai sentiu na pele a força do vendaval da última semana. Ele teve sérios prejuízos, da área total de 10 hectares, pelo menos 30% do bananal ficou comprometido. “Infelizmente é algo que sabemos que pode acontecer, mas, na realidade, nunca estamos preparados para um prejuízo destes. Agora é seguir adiante e rezar para que não aconteça de novo”, relata.

Além do prejuízo no bananal, ele também perdeu mais de 50 eucaliptos que foram arrancados com a força do vento. “Foi na quinta-feira, dia 8, das 15h às 16h. Fazia tempo que não presenciava um vendaval tão forte como este”, acrescenta.

No estado, prejuízos ultrapassam R$ 20 milhões

O excesso de chuvas dos últimos dias trouxe grandes prejuízos para o agronegócio catarinense e as estimativas iniciais apontam para perdas em torno de R$ 19,3 milhões. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri) calculam os prejuízos, principalmente nas safrinhas de feijão e milho, que estão em fase final de colheita, e na produção de leite. Uma atualização do relatório preliminar foi divulgado no início desta semana.

As regiões mais atingidas pelas chuvas foram o Oeste, Extremo Oeste, Sul e Rio do Sul. O relatório preliminar de eventuais perdas no setor agropecuário em Santa Catarina utilizou dados levantados pelas gerências regionais da Epagri e por técnicos da Epagri/Cepa nas regiões mais afetadas do estado. O período considerado para os cálculos de prejuízos é de 27 de maio a 9 de junho, com base nas informações do Epagri/Ciram.