Qual foi a pior dor que você já sentiu durante toda sua existência? Lembrou? Pois ela é praticamente nada se comparada a dor que dona Eva Arcênego de Souza, de 61 anos sente 24h por dia. A idosa sofre de uma doença rara chamada de neuralgia do trigêmeo, considerada pela medicina como a pior dor do mundo.

O nervo trigêmeo fica no rosto e é responsável pelos movimentos da face. Quem tem essa doença de dona Eva sente dor até quando penteia os cabelos ou escova os dentes. Dá para imaginar?

Nossa reportagem foi acionada pelo filho da aposentada, Aguinaldo Arcênego, que acompanha o sofrimento da mãe há oito anos. “O único sonho dela é voltar a ter uma vida normal. Minha mãe grita de dor todos os dias, 24h por dia, sente crises terríveis e já usou todos os medicamentos possíveis para aliviar, mas não consegue ter paz. Meu sonho é voltar a ver minha mãe sorrir, ser feliz assim como era antes da doença”, desabafa.

A dor mudou a rotina de toda família

Dona Eva recebeu a reportagem do Jornal W3 na manhã da última terça-feira, dia 10, no quarto da pequena casa onde mora, no bairro Mato Alto em Araranguá. É lá que ela passa boa parte do seu tempo, sempre deitada, tentando se distrair com a bíblia e buscando conforto na fé para ficar livre da dor. “Sinto dor a todo momento. Desde que começou essa doença nunca mais soube o que era dormir direito ou viver sem dor. Até pentear os cabelos, escovar os dentes ou comer é algo que faço com dificuldade. Choro de dor todos os dias e nada passa. O máximo de tempo que consegui ficar livre da dor foi 20 minutos durante todo tempo que passo acordada. Tenho crises diárias, meus olhos lacrimejam a todo instante e por enquanto minha única solução tem sido orar pedindo que Deus permita que eu volte a ter uma vida normal”, lamenta a aposentada que por conta da dor, hoje dorme sozinha.

Dona Eva recorda como foi a primeira dor: “Era início de 2008 e como fazia todos os dias acordava cedo para trabalhar de faxineira e antes de sair de casa preparava um angu para comer no café. Senti uma forte dor no lado esquerdo da face e fui parar no hospital. Na hora, eu não dei bola. Mas as dores ficaram mais fortes e as crises aconteciam todos os dias”, lembra.

Com os passar dos dias as dores aumentaram, na mesma proporção que aumentaram as idas quase diárias de dona Eva ao Hospital e aos postinhos de Saúde. “Era como se tivessem me dando facadas. Eu gritava, eu chorava. Vieram diagnósticos errados: enxaqueca, estresse, glaucoma até problema na cabeça. Eu comecei com doses pequenas de remédios, morfina e tudo que já ouvi falar que era para aliviar a dor. Nada nunca foi suficiente”, conta.

Doença foi descoberta pelo filho

Aguinaldo conta que se debruçou sobre livros e perdeu horas de sono sentado em frente do computador pesquisando sobre os sintomas que sua mãe sentia. “Queria encontrar alguma forma de aliviar a dor da minha mãe. Há oito anos não sabemos o que é ter um natal, ano-novo ou qualquer outro tipo de comemoração em casa. Há oito anos eu vejo minha mãe gritar de dor e meu sonho é ver ela voltar a sorrir”, conta lacrimejando.

Depois de tantas pesquisas, quatro anos após muitas crises de dor, Aguinaldo descobriu na internet que dona Eva tinha sintomas muito parecidos com o da doença conhecida como neuralgia do trigêmeo. A confirmação veio logo em seguida por um médico neurocirurgião de Criciúma que atestou a doença através de exames.

A neuralgia do trigêmeo, ou nevralgia do trigêmeo, é uma doença que afeta o quinto nervo craniano, chamado de trigêmeo. Ele se divide em três ramos: o mandibular, o oftálmico e o maxilar. A dor surge quando o trigêmeo é afetado por uma artéria ou por um tumor, que acabam comprimindo o nervo. Nos momentos de crise, a pessoa sente um choque e a dor pode se espalhar por várias partes do rosto, como testa, olhos, nariz, ouvidos, maxilar e lábios.

“É um choque, o choque dura segundos. Só que depois do choque, fica uma dor nessa região do rosto. Eu estou dormindo e eu sou acordada, eu pulo na cama com esses choques. Um simples abraço, tão comum alguém vir te abraçar, dar um beijo. São coisas comuns a todo mundo, mas para mim, em épocas de crise, é cruel”, conta dona Eva.

Cirurgia é a solução

Dona Eva precisa ser submetida a uma cirurgia que custa aproximadamente R$ 20mil. Sem recursos para arcar com as despesas, a aposentada que sobrevive de um auxílio do governo de um salário mínimo, gasta todo valor com medicamentos e sofre com a burocracia e o descaso da saúde pública. Segundo o filho, foram incontáveis as idas até a secretaria de saúde a ao Governo do Estado pedir auxílio.

Segundo a família, no procedimento indicado para a cura dessa doença, abre-se o crânio do paciente e faz-se a descompressão da artéria - principal causa do problema - ou a retirada do tumor, se houver, que está pressionando o nervo. Em seguida, ele é isolado com uma espécie de teflon, que faz com que o trigêmeo pare de receber choques. “Sonho com o dia de voltar a ser uma pessoa normal”, resume ela.

Família precisa de ajuda

Interessados em auxiliar a família e conhecer a realidade de dona Eva podem entrar em contato através do fone (48) 9 9806-4488 ou (48) 9 8405-4488.