De um lado uma paisagem impressionante e encantadora capaz de conquistar a atenção de qualquer turista. A águas verdejantes do Rio Araranguá contrastam com um cenário de esquecimento e desolação. São calçadas quebradas e irregulares, deslizamentos de terra que provocaram interdições em trechos sem conservação, lixo espalhado ao longo de boa parte do trajeto, matagal, prédios que já viraram ruínas e até consumo de drogas e prostituição.

Esse é o cenário atual e preocupante de boa parte da Rua Rui Barbosa, a conhecida Beira-Rio, que faz margens com o charmoso Rio Araranguá. A indignação com os problemas que afetam o local veio de leitores do Jornal W3 e de comerciantes que possuem estabelecimento por lá. A convite deles, a reportagem percorreu o trajeto de quase dois quilômetros e flagrou imagens que evidenciam o descaso.

Deslizamentos oferecem riscos à pedestres

Um dos principais problemas ao longo da Beira-rio são os deslizamentos. Em um dos trechos, uma área de quase 10 metros cedeu e acabou arrancando parte da calçada. Para passar pelo local, os pedestres são obrigados a desviar de uma espécie de cercado de madeira que foi construído na época para dar uma solução temporária ao problema. O deslizamento que ocorreu em fevereiro de 2014 continua obstruindo a passagem dos pedestres que são obrigados a desviar e dividir espaço com os veículos que trafegam na pista ao lado. “É um absurdo encontrar uma área tão nobre, linda da cidade mal cuidada deste jeito e ainda oferecendo riscos à segurança de quem passa por aqui”, afirmou seu Manoel Carlos Viana, de 62 anos, morador da localidade.

As causas dos deslizamentos, segundo técnico da Fundação Ambiental do Município de Araranguá (Fama) são arvores de grande porte, que crescem, pesam demais e acabam gerando desbarrancamento devido ao peso e à pressão da água nas raízes e parte do caule da árvore. A FAMA alega ainda que o desmoronamento do rio é devido à circulação de caminhões pesados, que, por consequência, afrouxam o barranco do rio, além da correnteza das águas.

Lixo, drogas e prostituição

Mas como se não bastassem os problemas com a infraestrutura, a Beira-Rio também sofre com problemas sociais. A presença constante de andarilhos, pedintes, usuários de drogas, prostitutas e travestis está tirando o sossego de quem mora ou trabalha por ali. Um empresário do comércio de bebidas que preferiu não se identificar, disse que já teve problemas com usuários de drogas e prostitutas em frente ao seu comércio. “Eles andam de um lado ao outro como se fossem zumbis à procura de droga ou algo para virar moeda de troca na busca por mais entorpecentes. A presença deles assusta e intimida os clientes, gerando prejuízos para nós comerciantes”, explica. O comerciante conta que as Polícias Civil e Militar já foram informadas sobre a situação, intensificaram rondas, mas a situação se repete todos os dias.

Prédios em ruínas viram abrigo para andarilhos e pedintes

Na mesma rua, prédios em ruínas e abandonados exibem a necessidade urgente de uma intervenção do Poder Público. O antigo BR-Shopping, uma edificação imponente e gigantesca é ninho acolhedor para pedintes como seu Genésio Gonçalves, de 74 anos. O idoso que estava de passagem pelo local, disse usar o espaço para dormir sempre que está de passagem por Araranguá. Nossa reportagem também flagrou outros moradores de rua vivendo no local e um grupo de jovens que percebendo a presença da equipe de jornalismo, misteriosamente adentrou ao interior do prédio fétido e sujo para se esconder das câmeras. Segundo os próprios moradores, é comum cenas de jovens e prostitutas usando drogas em plena luz do dia.