Suicídio - o tema polêmico traz em seu âmago uma pergunta: falar ou não falar do assunto? Há cerca de duas semanas, uma matéria postada no site do Grupo W3 - www.revistaw3.com.br - e na página social do grupo na internet - www.facebook.com/revistaw3 - sobre uma tentativa de suicídio causou furor entre os internautas, que defendiam a ideia de que o tema não deveria ser abordado, pois haveria o risco de pessoas se influenciarem pelo ato e tentarem imitar, acabando com a própria vida: "Quanto mais falar sobre o assunto, melhor é. Esse mito de que não se deve falar porque desperta na pessoa o desejo de cometer o ato não é verdade, é um mito, porque quanto mais falar, mais alivia e mais a gente pode oferecer ajuda para a pessoa", explica a coordenadora do Caps de Araranguá, Fabiane Tierling Damásio, que diz que do início do ano até agora, foram atendidas cerca de 300 pessoas que tentaram o suicídio, cujas vidas foram resgatadas através de um trabalho em prol da vida.

Na última quarta-feira, 21, em pleno setembro Amarelo - mês dedicado à discussão sobre o suicídio - a coordenadora do Caps realizou uma palestra no auditório da EEB Dolvina Leite de Medeiros, na Urussanguinha, voltada a profissionais da saúde, como enfermeiras, agentes comunitários de saúde, médicos, assistentes sociais, além de educadores e outros profissionais que lidam diretamente com a questão. Para ela, é importante que o profissional tenha em mente a ideia de que a pessoa que tenta suicídio deve ser acolhida, compreendida, e não criticada: "É preciso estar atento aos sinais. Outro mito muito comum é acreditar que a pessoa que ameaça, não se mata. Isso é uma inverdade, porque é com palavras como 'minha vida não faz mais sentido', ou 'eu quero morrer' que a pessoa mostra sinais de que tem pensado em acabar com a própria vida", alerta a profissional, que diz que o acolhimento deve ser feito com muito carinho, amor e compreensão: "Das pessoas que tentaram suicídio e que estamos atendendo, todas estão vivas e se reconstruindo. Não é porque uma pessoa tentou se matar uma vez que ela vai tentar de novo. Isso depende muito da forma como ela é acolhida pelos familiares, amigos e profissionais", alerta.

Sinais - Segundo Fabiane, a maior incidência de suicídios acontece entre pessoas com transtornos mentais, como depressão, entre idosos aposentados, profissionais que perdem o emprego e pessoas que tiveram uma perda emocional nas relações pessoais, como o fim do casamento ou a morte de um ente querido. Homens tentam menos do que as mulheres, mas como são mais agressivos, acabam culminando no objetivo, mais do que elas. As idades variam, com incidência entre pessoas de 15 a 30 anos e idosos. Pessoas com fortes vínculos afetivos, como uma família estável, boas relações entre os vizinhos e bons amigos pensam com menos frequência em retirar a própria vida: "É preciso ficar atento aos sinais, que a pessoa que quer se matar vai repassando o tempo todo. Alguns organizam as contas, passam os bens para os filhos e buscam se assegurar que eles ficarão bem após a morte, mas o fato é que uma vivência desta marca para sempre a vida das pessoas envolvidas com a pessoa que se suicida", garante a profissional, que diz que o amor, o apoio e a compreensão são bases sólidas para a reversão da situação: "Nós, profissionais da saúde, temos que produzir vida. Ela nem sempre é fácil, e muitas vezes, dá mesmo vontade de desistir. Se uma pessoa que pensa em se matar recebe o amparo necessário, se não se sentir intimidada e criticada, a chance dela se transformar para melhor com a situação e decidir viver é muito maior. Portanto, o melhor a fazer é enfrentar as dificuldades recebendo o amparo dos que mais amamos, e decidir, ao invés da morte, pela vida", finaliza.