Advogado recolhia dinheiro dos clientes para entrar com ação revisional de veículos, mas não ingressava na Justiça

A Justiça concedeu o pedido de prisão preventiva contra o advogado suspeito de aplicar golpes em Santa Catarina relacionados a ações revisionais de prestações de veículos. Até o início da noite desta terça-feira (19), ele seguia foragido. O inquérito policial foi concluído na sexta (15), informou o delegado responsável pelo caso, Flávio Gorla.

Segundo o delegado, cerca de 40 pessoas prestaram depoimento contra o advogado Janor Lunardi somente em Laguna, no Sul catarinense. Em todo o estado, existem cerca de 400 boletins de ocorrência contra ele, segundo a polícia. "Calculamos que ele tenha causado um prejuízo em torno de R$ 500 mil só em Laguna", afirmou o delegado.

Como aplicava o golpe

Os clientes do advogado eram pessoas com carros financiados que o procuravam para ações revisionais - objetivo era rever os juros das prestações. De acordo com o delegado, ele pedia um valor de custas, em torno de R$ 900, e dizia que havia feito o cálculo sem juros abusivos, depois, dizia um novo valor da prestação e pedia para que o cliente pagasse diretamente para ele. Meses depois, pedia um valor que "quitaria" a dívida. "Na hora que o cliente via o processo não tinham nem sido instaurado", disse o delegado.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse à imprensa que já existem representações contra o advogado nas subseções de Criciúma, Tubarão e Braço do Norte, onde fica o escritório dele. O suspeito está com o registro suspenso por três meses.

Clientes lesados se manifestam

O microempresário Marco Roberto Valério disse ter sido vítima do golpe em março deste ano, quando precisava quitar R$ 25 mil. "'Me dá R$ 5 mil em dinheiro que eu vou quitar ali pra ti'. Ele fez uma minuta, preencheu, eu assinei a minuta", contou o microempresário. "Dei R$ 5 mil na mão dele, ele me deu um recibo, mas está até hoje nesse rolo", disse Valério.

Outro que passou por situação semelhante foi o aposentado Paulo Ambrósio. Ele pagou R$ 7,5 mil ao advogado, que não pagou à financiadora, conforme o aposentado. O caso ocorreu há três anos.

"Meu carro não é liberado para mim enquanto isso. Estive no escritório de novo para falar com ele sobre esse assunto. Cheguei ali, tive a notícia de que ele tinha se evadido. Não conseguimos contato com ele", afirmou o aposentado.