O esforço conjunto do Governo Federal para garantir a logística de órgãos para transplante já salvou 12 vidas. Em três semanas de vigência do decreto presidencial que determina a disponibilidade de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para transporte de órgãos e tecidos, quatro pessoas receberam novos quatro fígados, dois pâncreas e oito corações, sendo um realizado na última sexta-feira (24).

O decreto n° 8.783 estabeleceu que a Aeronáutica deve manter um avião da FAB em solo, à disposição, para qualquer chamado de transporte de órgãos ou de pacientes em aguardo de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o termo garante aos pacientes viajarem acompanhados de seus familiares e profissionais de saúde, desde que existam condições operacionais. O decreto diz ainda que em caso de necessidade, o Ministério da Saúde poderá requisitar aviões adicionais à FAB.

Essa estratégia permitiu o deslocamento de 14 órgãos, no total. Desses, oito corações foram transplantados e renovaram a vida de seus receptores. Quatro fígados também foram buscados em seu local de origem pelos aviões da FAB, sendo que dois foram aproveitados com sucesso.

O sexto coração a ser transportado garantiu a vida de um jovem de 20 anos, inscrito no cadastro de espera para transplante no estado de São Paulo. O órgão foi buscado em Florianópolis, de onde saiu em avião da FAB por volta de 13:30, e chegou à capital paulista às 15:35, sendo imediatamente levado ao hospital aonde o paciente estava sendo preparado para a cirurgia. “A principal missão do Ministério da Saúde é oferecer a oportunidade de uma vida saudável para todos os brasileiros, em especial daqueles que estão sob maior risco e que ganham uma nova chance com o transplante”, avalia o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que acompanha o andamento da nova estratégia.

A disponibilidade de aviões da Força Aérea complementa um acordo voluntário e solidário entre o Ministério da Saúde, a própria FAB e as companhias aéreas brasileiras para transporte de órgãos voltados a transplante. Por meio deste compromisso, os órgãos e equipes médicas são transportados com prioridade de voo e decolagem das aeronaves, nos casos em que houver viabilidade logística e operacional, possibilitando a realização do transplante em tempo viável.

LOGÍSTICA - Todo o processo é iniciado quando a Central Nacional de Transplantes (CNT) é informada por alguma central estadual sobre a existência de órgão e tecido em condições clínicas para o transplante. A CNT aciona as companhias aéreas para verificar a disponibilidade logística. Se houver rota compatível, os aviões comerciais recebem o órgão e levam ao destino. Quando não há, a Central contata a FAB é que desloca um ou mais aviões para a captura e transferência do órgão.

O termo de cooperação permitiu que, em 2015, o Ministério da Saúde viabilizasse o transporte de 1.164 órgãos e 2.409 tecidos para transplantes. Houve ainda 110 órgãos e 219 tecidos transferidos por meio de voos fretados e transportes terrestres em parceria com as Centrais Estaduais de Transplantes.

Toda a rede de transplantes brasileira realizou 23.666 procedimentos deste tipo no ano passado. Esse número faz do Brasil uma referência mundial em transplante, sendo o SUS o maior sistema público do mundo, responsável por 875 dos procedimentos no país, e cujo paciente tem acesso à assistência integral – exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplantes. A rede brasileira conta com 27 Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, além de câmaras técnicas nacionais, 460 Centros de Transplantes, 776 serviços habilitados, 1.203 equipes de Transplantes, 574 Comissões Intra-hospitalares de Doação e Transplantes, e 70 Organizações de Procura de Órgãos.

ÓRGÃOS TRANSPORTADOS PELA FAB APÓS O DECRETO 8.783/2016

Fonte: Diogo Caixote