Se para uma pessoa sem nenhuma dificuldade de mobilidade já é difícil enfrentar as calçadas rachadas e poluídas de propagandas e outros obstáculos, o trânsito em dias de chuva, a concorrência para pegar um táxi, não fica difícil imaginar como é a vida de uma pessoa com qualquer tipo de dificuldade física, especialmente a que envolve a liberdade de ir e vir.

Jonas C. Padilha, 23, que mora em Araranguá há 14 anos, sabe muito bem o que isso significa. Portador de distrofia muscular desde os nove meses de idade, ele cresceu conhecendo as limitações de viver numa cadeira de rodas. Embora utilize uma cadeira mecanizada, mesmo assim, atos simples como se locomover até a padaria para comprar um pão, ou mesmo ir ao centro para comprar um presente ou ver as vitrines, se transformam em grandes odisseias. Ir ao médico, ir ao culto, participar de reuniões de família tornam-se quase impossíveis na vida do jovem com mobilidade reduzida.

Há duas semanas, Jonas levantou uma bandeira nas redes sociais: ele quer a presença de pelo menos um táxi adaptado para o transporte de pessoas como ele em Araranguá. Integrante da ADEAR, associação dedicada aos portadores de deficiência no Vale, ele afirma que esta possibilidade melhoraria a vida de praticamente todos os cerca de 400 integrantes da entidade que apresentam algum tipo de dificuldade: “O táxi adaptado traz conforto e principalmente dignidade”, defende Jonas, que diz que, junto com a associação, estará levando à prefeitura uma proposta de projeto de lei capaz de transformar este desejo em realidade.

Ele esteve no Calçadão de Araranguá junto com o irmão, Marcos Cardoso Padilha, 22, que precisou sair do trabalho para acompanhar o irmão, que quis mostrar de perto as dificuldades vividas por uma pessoa com limitações de mobilidade, que além da deficiência, é obrigado a conviver com a quase ausência de ferramentas, cuja implantação é muitas vezes, bastante simplificada.

Ninguém quis levar – A reportagem do Jornal W3 foi com Jonas até um dos pontos de táxi em Araranguá. No local, nenhum dos taxistas presentes afirmou que teria condições de transportar Jonas e sua cadeira, que por ser de um modelo mais complexo, não dobra como uma cadeira comum: “Se fosse um táxi adaptado, esse constrangimento não existiria, porque não haveria necessidade de me pegar no colo, retirar da cadeira, dobrá-la e colocá-la no porta-malas. Eu simplesmente entraria no táxi com a cadeira, e teria uma viagem tranquila”, garante.

Jonas explica que para adaptar o veículo, algumas coisas precisam ser feitas, como o rebaixamento do chão do carro e também a implantação de uma rampa de acesso, que pode movida através da força hidráulica ou manual. Para que um táxi possa ser adaptado, é preciso primeiro a aprovação de uma lei que permita que o veículo faça as alterações e também que possa circular. Depois, é só a vontade dos proprietários das empresas de táxi em adaptarem seus veículos para prestar o serviço, que melhoraria em muito a qualidade de vida das pessoas com limitações de movimentos.

Trabalhando há 30 anos como taxista, Celso Manoel Rodrigues confirma a dificuldade apontada por Jonas: “Muitas vezes tive que dizer não, em outras, peguei a pessoa no colo e coloquei no banco, o que pode causar problemas, já que não é o mesmo conforto caso ela pudesse entrar no táxi com a própria cadeira”, afirma.

Para ele, caso seja aprovada uma lei na prefeitura que viabilize a circulação de táxis adaptados, nenhum problema haveria: “Seria muito bom, porque poderíamos estender nosso serviço ainda mais, e para toda a comunidade, fazendo um serviço bem inclusivo”, finalizou.