Sol forte e chuvas escassas; a combinação perfeita para as queimadas. O ano tem, até o momento, 28 dias, mas neste período, as ocorrências que estão liderando os trabalhos dos Bombeiros na Região, são as queimadas em vegetação. Ao todo, segundo dados divulgados pelo Batalhão de Araranguá até o último dia 25, foram 20 ocorrências em 2016: praticamente uma por dia.

E situações como estas não são novidade. No ano passado, neste mesmo período, Araranguá ficou duas semanas com o ar contaminado pela fumaça tóxica, em virtude dos incêndios nas turfas, nas proximidades da Praia da Caçamba. Na época, ficou confirmada que a causa do incêndio foi provocada pela ação humana, ou seja, alguém ateou fogo.

“Aqui na Região existe está péssima tradição de colocar fogo na vegetação seca, para vir uma vegetação nova. Mas isto é muito perigoso, pois depois que se coloca fogo, aliado ao calor e ao vento, se perde o controle das chamas,” alertou o comandante da 3ª Companhia dos Bombeiros Militares, tenente Vinicius Moura Marcolim.

E desde que virou o ano, com a incidência do sol, tornando as semanas mais quentes, não raras vezes apareceu fumaça pela cidade. As queimadas em vegetação ocorrem em terrenos baldios em bairros próximos ao Centro, tornando-se um perigo para quem trafega, ou mesmo mora nas proximidades.

Conforme Marcolim, estes incêndios são direta, ou indiretamente, devido à ações humanas. “As próprias pessoas colocam fogo e quando não fazem isso, o incêndio decorre da falta de educação da população, que joga bituca de cigarro, por exemplo, na rua,” pontuou.

Ocorrências tomam o tempo dos bombeiros

A famosa bituca é uma das principais vilãs quando o assunto é incêndio em vegetação urbana. Mas no interior, o mau hábito dos moradores de colocar fogo na vegetação, causou um incêndio de grandes proporções no último fim de semana.

Na comunidade de Garuva Nova, em Jacinto Machado, os bombeiros de Turvo e Sombrio tiveram que controlar um incêndio em um bananal. No fim das contas, os bombeiros levaram mais de 6h para combater as chamas, que causaram um prejuízo enorme para o agricultor, queimando mais de 4 hectares.

“São ocorrências que desgastam a guarnição, pois muitas vezes pega fogo em locais de difícil acesso, em que o caminhão não chega. E estes incêndios só ocorrem, em quase 100% dos casos, em virtude das ação humana,” lamentou Marcolim.

Região em alerta

Não é apenas as estatísticas que confirmam que esta época os cuidados devem ser redobrados por parte da população, para que queimadas não tomem proporções fora do controle. Quem também emitiu um alerta para a Região foi a Epagri/CIRAM – Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina.

Segundo o alerta emitido na última segunda-feira, o risco de incêndio na região Sul do estado é altíssimo. “Fica o alerta para a população, que mais do que nunca, precisa ser mais consciente e ter educação. Não jogue bituca de cigarro no chão, principalmente em matagal, não colocar fogo em vegetação sem autorização e demais ações, que venham a prevenir as queimadas,’ concluiu o tenente.

Pode dar cadeia

Para quem coloca fogo em vegetação, sem autorização da entidade competente, está incorrendo em crime ambiental, configurado pela Lei Federal nº 9.605/98, que prevê de dois a quatro anos de reclusão.