Se por um lado ir à praia é uma pedida indispensável para muitos turistas, por outro, os cuidados nessa época do ano se fazem necessários. Afinal, no mesmo mar de água salgada, que crianças e adultos se divertem, também residem muitas espécies, entre elas uma que deixa marcas nada agradáveis na pele humana. Elas são as águas vivas, animais marinhos que variam em tamanho, cor, e já existem no planeta há mais de 650 milhões de anos, com diversas espécies pelos oceanos mundo a fora.

Mas ao contraponto da beleza, indiscutível desses seres marinhos, também há preocupação com queimaduras, que elas podem deixar em contato com a pele humana. E casos, como este, ocorreram em demasia em Balneário Arroio do Silva no período de 28 de dezembro a 4 de janeiro. Conforme o Corpo de Bombeiros, em apenas oito dias foram registrados nada menos que 1.400 casos de queimadura por água-viva.

Segundo o sargento Ruan Fernandes, responsável por coordenar a temporada de verão na Região, os números são extremamente altos. “Todo ano são registrados (Casos de queimadura por água-viva), até porque as nossas praias são mais propícias por ser mar aberto,” explicou o sargento.

Ao todo, o litoral de Arroio do Silva possui 20 Km de mar aberto. Além deste fato, as correntes marítimas, ocasionadas pela faixa de mar aberto, carregam as águas-vivas por toda extensão de praia. “Estamos em uma época de reprodução das águas-vivas,” disse Fernandes, que ressaltou uma preocupação. “As águas-vivas servem de alimento para as tartarugas. E do dia 20 de dezembro para cá, já achamos mais de 15 tartarugas mortas pelo litoral do Extremo Sul, ou seja, isso também pode estar causando este aumento nos casos de queimaduras nos banhistas,” alertou o sargento.

Com tantos registros de queimaduras, o Corpo de Bombeiros utilizou mais de 60 litros de vinagre, que é o recomendado a ser aplicado na pele, quando entra em contato com a água-viva. Fernandes explicou que assim que sofrer uma queimadura, o banhista deve procurar um posto de salva-vidas. “Com o vinagre e uma régua, fazemos a limpeza do local em que houve queimadura, sempre aplicando o vinagre e passando a régua de cima para baixo,” revelou.

Cuidados sim, pânico não

Apesar de tantos números de queimadura, nem todos os turistas tem conhecimento sobre os casos, ou sobre como tratar uma queimadura por água-viva. É o caso da família de Tassiane Elenice Toazza, de 27 anos. Ela, o marido e os dois filhos, com idades entre sete e oito anos, são de Porto Alegre e estão desde o dia 3 de janeiro na orla do Arroio. Tassiane contou a reportagem da Revista W3 que nenhum familiar sofreu com queimadura de água-viva. “E não temos conhecimento do que fazer caso isso aconteça,” relatou.

Por isso, no verão, o Corpo de Bombeiros orienta os turistas e banhistas locais, a buscar informações, até mesmo nos postos de guarda vidas, e tomar cuidados básicos de segurança. “Mas claro, sem tornar isso um medo. O verão está aí para ser aproveitado, basta tomar os cuidados necessários,” conclui o sargento Fernandes.