Com a epidemia de dengue e o crescente número de casos de microcefalia associada a ocorrência do zika vírus, muitas pessoas, incluindo gestantes, têm recorrido ao uso de repelentes para tentar se proteger das picadas do Aedes aegypt, mosquito transmissor dessas doenças, acatando recomendação feita pelo Ministério da Saúde.

A ameaça do zika vírus está fazendo do repelente o item mais procurado nas farmácias nos últimos dias.  É o que aponta um levantamento realizado esta tarde, (15/12), pela Revista W3. Nossa reportagem circulou pelas principais farmácias do Centro e descobriu que nos últimos 15 dias, a venda do produto disparou. “Em época de verão a tendência é aumentar a procura por repelente, assim como ocorre todos os anos, mas este em especial, registramos venda bem acima da média. Entre os mais procurados, estão os recomendados para crianças,” pontuou o farmacêutico Jean Carlos.

A corrida às prateleiras não é só das grávidas. Adultos e crianças também devem se proteger do mosquito. A venda do produto em Araranguá já quadruplicou. “Já fiz a reposição nas prateleiras e estamos de olho no estoque para não deixar faltar as marcas mais vendidas principalmente,” explicou a farmacêutica Bárbara Paulino. Na farmácia que ela trabalha, a procura maior é de grávidas e os preços das embalagens de 100ml e 200ml que estão disponíveis, variam entre R$8,90 a R$19,90.

Exemplo que vem de casa

 

A advogada Thaiara Mazzuco é adepta do repelente há mais de cinco anos e depois que descobriu os benefícios do produto não mais deixou de usá-lo. Ela recomenda e até já garantiu algumas embalagens extras para as visitas que receberá nesta temporada de Verão. “Lá em casa todo mundo usa e já comprei até para as visitas pois não há nada mais indesejável do que mosquito, ainda mais com o risco de uma epidemia de dengue rondando,” justificou.

Alguns repelentes já em falta nas farmácias

Na terceira farmácia visitada pela reportagem, os preços também sofrem pouca variação em relação às demais e o perfil de consumidores em busca do produto também não varia. “O público maior são gestantes que vem em busca de um repelente especial à base de Icaridina, indicado para gestantes e crianças a partir de dois anos. Este medicamento está em falta no Brasil e está difícil de conseguir até mesmo na internet, mas há outros similares com boa eficácia,” garantiu a farmacêutica Tadja Nuernberg.

Tipos de repelente

São três os princípios ativos dos repelentes comercializados no Brasil aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)*. Os produtos também diferem quanto à indicação de uso e  duração de proteção. Confira abaixo quais são eles.

IR3535: o uso tópico de repelentes a base de Ethyl butylacetylaminopropionate (EBAAP) é tido como seguro para gestantes, sendo indicado, inclusive, para crianças de seis meses a dois anos, mediante orientação de um pediatra. A duração da ação dos repelentes que usam esse princípio ativo, como a loção antimosquito Johnson’s, entretanto, é curta e precisa ser reaplicado a cada duas horas.

DEET: apesar do uso tópico de repelentes a base de dietiltoluamida ser considerado seguro em gestantes, o produto não deve ser utilizado em crianças menores de 2 anos. Já para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração do princípio ativo deve ser de no máximo 10% e a aplicação deve ser feita, no máximo, três vezes por dia. O tempo de ação dos repelentes a base de DEET recomendado para adultos (concentração de 15% do ativo), como os produtos OFF, Autan, Repelex, é de cerca de 6h. Já a versão infantil dura apenas duas horas.

Icaridin: por oferecer o período de ação mais prolongado, os repelentes a base de dietiltoluamida, como o produto Exposis, estão sendo os mais procurados por adultos e gestantes. Com duração de proteção de até 10 horas, também pode ser usado por crianças a partir de 2 anos.

(Fonte: Anvisa)