Nesta quinta-feira, 24, dia do aposentado, o Grupo W3 traz uma boa história. Com 95 anos de idade e uma vida de trabalho, sua trajetória conta também a de Balneário Arroio do Silva. E através de seu suor e de muitos outros, a cidade cresceu e se tornou o que a gente conhece.

Nos fundos de uma casa, uma sala que virou quarto. Paredes na cor rosa, uma cama de solteiro, quadros e a cadeira de praia listrada. Guilhermina Filomena de Jesus acaba de levantar após descansar o almoço, e sentada na cama nos recebe.

Em um pequeno espaço se encontra a cidadã mais antiga de Balneário Arroio do Silva. Natural de Imbituba, dona Guilhermina afirma ser de família humilde e veio para cá aos seis anos de idade em busca de uma vida melhor. “A minha mãe era muito pobre. Era viúva, com seis filhos, não tinha o que comer. Até que uma tia minha veio para cá e me trouxe junto”.

Ao longo de sua vida trabalhou no que pode, ela conta que o importante era trabalhar. “Trabalhei no meio do mato cortando lenha, trabalhei na roça, fui pescadora, marisqueira, faxineira. Tudo isso eu era, mas agora eu não sou nada”, conta.

Casada com Manoel Quintiliano da Silva, dona Guilhermina teve um filho. “Meu filho eu peguei para criar, ele é filho de nascença da minha irmã mais velha. Quando a mãe dele morreu, ele tinha só um ano. E aí quando eu casei, trouxe ele para morar comigo”.

Quando chegou no município, a região possuía apenas três casas. Morou a vida toda no mesmo local, numa casinha simples. “Minha casa era de madeira caindo aos pedaços. Quando o meu velho morreu, há 38 anos, eu comprei os tijolos com minhas faxinas, paguei meus dois netos e eles fizeram essa casa para mim. A casa nova foi feita por fora da de tábua, porque eu não tinha para onde ir. Quando a casa de material ficou pronta, eles desmancharam a casa de dentro”, destaca.

Ao ser perguntada sobre as memórias da juventude, Guilhermina olha com carinho para o passado. “Me criei aqui, é claro que passei muito trabalho. Lembro de ir para Araranguá fazer faxina e ir a pé porque não tinha nem estrada, só tinha combro, junco e cobra. Ia sempre com um saco de peixe ou marisco nas costas para vender e poder comprar comida nas bodegas. Mas tudo o que eu vivi aqui foi muito bom”.

Agora morando sozinha, dona Guilhermina se orgulha da família grande que tem. Um filho, seis netos e 12 bisnetos.