O desabamento de um edifício em Blangadesh, no dia 24 de abril 2013, matando mais de 1,1 mil pessoas, muitas delas operárias de fábricas de vestuário, motivou a criação de uma campanha mundial de conscientização sobre os impactos da indústria da moda. O Fashion Revolution Day é celebrado em mais de 90 países, com ações e debates sobre a necessidade de mudanças na produção e no consumo de vestuário. Pelo segundo ano, o curso de Tecnologia em Design de Moda do IFSC Câmpus Araranguá vai promover uma programação especial para envolver alunos e comunidade nesta discussão.

O evento está marcado para às 19h20 desta quarta (26), no auditório do Câmpus Araranguá. A programação começa com a exibição do documentário “Unravel”, da atriz e diretora indiana Megha Gupta, que trata da indústria da reciclagem de roupas na Índia. Em seguida, será realizado o debate “Indústria da moda, feminismo e questões de gênero: intersecções contemporâneas”, com a participação de professores de Moda do IFSC e da militante Zaira Da Silva Conceição.

Zaira é graduanda em Psicologia na Unesc, conselheira titular em gênero do Conselho Estadual da Juventude (CONJUVE -SC) e integrante da Coordenação Social da ONG de Mulheres Negras Professora Maura Martins Vicencia (MUNMVI), além de pesquisadora do Núcleo de Estudos em Direitos Humanos e Cidadania da Unesc (Nupec). No debate, ela representará o coletivo Casa da Mãe Joanna.

“Precisamos pensar as formas de produção de moda atualmente, especialmente quando falamos em moda rápida, produzida em grande escala e globalizada. Existe uma problemática por trás de tudo isso, que são as pessoas que trabalham com salários baixos, mutias vezes exploradas, sem condições de trabalho. A ideia é chamar atenção sobre o que está por trás desta produção de moda barata, que consumimos muitas vezes pensando que é uma grande vantagem”, explica a professora Anamélia Fontana Valentim.

“Como a maioria dos trabalhadores da indústria da moda são mulheres, achamos interessante incluir a discussão do feminismo e destas intersecções contemporâneas que são possíveis de serem pensadas a partir do feminismo. A ideia é que os professores do IFSC tragam aspectos mais relacionados às problemáticas por trás dessa produção rápida, conectando estas questões com o debate do feminismo, para pensar de que forma essas trabalhadoras estão inseridas nesta forma de produção de moda”, complementa a professora.

Durante o evento, os participantes serão convidados a publicarem fotos de suas roupas, nas redes sociais, com as hashtags #quemfezminhasroupas e #fashionrevolution, a fim de levantar o debate sobre as formas de produção das roupas que usamos no dia a dia. O evento é gratuito e aberto ao público. O IFSC Câmpus Araranguá fica na avenida XV de Novembro, 61.

Fonte: Daniel Cassol