Em março de 2012, a Grafiit, indústria de confecções genuinamente araranguaense, inaugurou suas instalações no parque industrial de Araranguá. A empresa faz parte de um importante setor da cadeia produtiva que mais cresce no estado, o têxtil.

Das habilidosas e talentosas mãos de aproximadamente 30 costureiras que atuam na linha de produção da Grafiit, saem peças exclusivas que viajam o país e vestem homens e mulheres antenadas com a moda.  As riquezas produzidas aqui, por profissionais daqui, vai parar nas mãos de outros lojistas, que viajam centenas de quilômetros para encontrar em Araranguá, produtos com bom preço e qualidade.

Atualmente, centenas de quilos de confecção têxtil é exportado para fora, gerando emprego e renda e movimentando a economia local. Acontece que esse sucesso todo, por pouco nem chegou a existir. Segundo o empresário Maurício Bon, sócio- proprietário da Graffit, a marca que hoje alcançou sucesso em vendas e já se consolidou no mercado, tive dificuldades para abrir as portas onde funciona hoje, em uma das áreas cedidas para indústrias do município. “Fazemos parte do segundo lote de empresas que se instalou no parque industrial. A burocracia atrapalhou muito e quase me fez desistir. Foi um ano inteiro correndo atrás de documentos, batalhando pela alteração das leis que precisaram ser mudadas para garantir financiamento. Todos os dia tinha uma taxa para pagar, um imposto para quitar, uma certidão para tirar. A burocracia é que atrapalha o crescimento e o desenvolvimento neste país,” conta.

O empresário afirma que só não desistiu da instalação porque já havia feito vultuosos investimentos no projeto da obra. “É preciso além de tudo muita persistência,” afirmou.

O Parque Industrial e a infraestrutura

Vencida a etapa da burocracia, Maurício e os demais empresários que já haviam instalado suas indústrias no local, precisaram vencer mais uma nova etapa, a da falta de infraestrutura. “Foram tempos difíceis. O cenário era de precariedade. Quando a gente chegava no parque industrial logo já se deparava com poeira por todo lado. Tinha ainda a problemática da energia elétrica de alta tensão para suportar o consumo, as dificuldades de mobilidade dos veículos e pedestres no local e até dificuldade para conseguir uma linha telefônica. Foi um período marcado por problemas que afetavam diretamente o funcionamento do parque. Tive máquinas que não funcionavam porque a energia era insuficiente e os tecidos precisavam ser escondidos para não pegar poeira,” relembra.

Conquistas importantes

A união foi o caminho encontrado pelos empresários para mudar a realidade do Parque Industrial. Juntos eles formaram uma associação e foram em busca de apoio político para conquistar recursos que pudessem dar condições efetivas de funcionamento.

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Foto: David Cardoso

Em outubro deste ano, foi realizada a solenidade para a entrega da obra de pavimentação asfáltica da rua Thiago Dias Lúcio, do Parque Industrial.  No local também foram realizados serviços complementares de drenagem pluvial e sinalização viária despertando a atenção e motivando empresários. “A obra é uma conquista dos empresários que se uniram e lutaram pela liberação deste recurso que é histórico para a cidade. Ela reforça a tese de que a união realmente faz a força,” explica Maurício.

A obra compreende mais de 13 mil m² e os investimentos realizados entre convênio estadual, por meio dos deputados estaduais Valmir Comin, Manoel Mota e do então presidente da Assembleia Legislativa, Joares Ponticelli, no valor de R$ 983.581,10, e contrapartida do município de R$ 704.655,80, totalizando quase R$ 1,7 milhão

“Há mais de quatro anos lutávamos por esta obra que finalmente virou realidade graças à uma soma muito grande de esforços. A pavimentação deu cara nova, vida nova e também fôlego ao parque industrial.” A frase é do presidente da associação de empresários que compõe o parque industrial de Araranguá e expõe com exatidão a alegria das 11 empresas que estão funcionando no local.  Fabrício Santos Felisberto, o Baga, discursou em tom otimista representando os demais empresários.

Expansão

Depois de concluir a pavimentação, o prefeito Sandro Maciel já pensa em expandir o parque industrial.  Atualmente, há um decreto de utilidade pública de 28 hectares para expandir o espaço. O prefeito Sandro Maciel, responsável pelo decreto, lembra que a área ainda não foi desapropriada e nem adquirida pelo município, porém, não poderá ser comprada por terceiros. “O decreto garante que outra pessoa não irá comprar esta área e estamos agora em busca de recursos porque é de nosso interesse expandir o Parque Industrial que tem dado certo”, frisa o prefeito ao acrescentar.

Na opinião do empresário Maurício Bon, a luta agora é para garantir a qualificação da mão de obra local, a colocação de um abrigo para passageiros de ônibus que utilizam o transporte coletivo e ajustar o sinal de telefones celulares que não funcionam no local. “Hoje o parque industrial tem boas condições de funcionamento e já pode deslanchar. Agora é preciso pensar no futuro e resolver o problema de ocupação, pois quanto mais empresas se instalarem aqui, mais forte será a indústria da Cidade,” finaliza.