Diante da crescente concorrência pelas oportunidades de emprego, a preparação para a atividade profissional deve começar já nos primeiros anos do curso de graduação. Por isso, a participação em empresas juniores, por exemplo, tem sido cada vez mais importantes para o aluno garantir melhores perspectivas na carreira e exercitar seu empreendedorismo – ou seja, sua capacidade para a abertura de negócios.

Em Araranguá, desde 2012, este cenário descrito nas primeiras linhas da reportagem é a realidade vivida por um grupo de acadêmicos do Curso de Engenharia de Energia da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC. Eles comandam a primeira Empresa Júnior instalada na instituição de ensino superior, que tem por objetivo principal ser uma espécie de elo entre os alunos e as empresas, visando colocar em prática o conhecimento adquirido durante os anos de estudo.

Segundo o coordenador do Curso, professor Luciano Lopes Pfitscher, na prática, a Empresa Júnior de Engenharia de Energia, serve para fomentar a atividade empreendedora nos alunos, desenvolvendo trabalho em equipe, experiências no setor administrativo e econômico, além de toda a preparação necessária para o mercado de trabalho. “Vejo o trabalho da Empresa Junior como mais um importante espaço de aprendizagem aos alunos. A iniciativa também serve para aproximá-los da realidade que encontrarão no mercado do trabalho após a formação acadêmica. Há de se destacar, que a ideia da criação aqui no Campus, surgiu dos próprios estudantes,” revelou.

Conhecimento a serviço das empresas da região

No Bloco C da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC Campus Araranguá, uma antiga sala de aula deu lugar à sede da Associação Júnior de Engenharia de Energia – ENEjr. O quadro branco com anotações e muitos cálculos é apenas uma das ferramentas de trabalho do grupo de universitários que apesar da aparência jovem, encara o desafio com responsabilidade de grandes empresários.

O estudante Pedro Pescador de Mello, 23 anos, é o atual presidente da empresa que foi idealizada com o intuito de apresentar para a comunidade empresarial, alternativas, contemplando soluções eficientes e inovadoras sobre a demanda de energia. “Os projetos apresentados por nós, são construídos conforme a capacitação de nossos membros e a colaboração dos professores que orientam e supervisionam tudo. Realizamos projetos empresariais a preços reduzidos e abalizados pelo corpo docente, onde conseguimos colocar em prática os conhecimentos adquiridos. O importante é que ao desenvolver este trabalho, conseguimos nutrir dentro de nós mesmos, o espírito empreendedor,” explica.

O acadêmico Angelo Pereira Nunes, 25 anos, está na nona fase do curso e atua como diretor de projetos da Empresa Júnior de Energia. É ele quem explica como funciona o trabalho e os benefícios que podem ser colhidos após a atuação no segmento empresarial. “Nosso trabalho consiste basicamente na realização de uma consultoria na área energética com o suporte que recebemos da Universidade. O diferencial é que os professores que orientam nosso trabalho possuem alto conhecimento e vivências no setor, o que permite oferecer um serviço de qualidade e com preço bem abaixo do mercado. Nossa empresa não visa lucros e os valores arrecadados são apenas para custear as despesas do projeto e qualificação dos membros da equipe,” explica.

Barateando a conta de energia

Com a crise econômica instaurada no país e o valor da energia nas alturas, economizar é a palavra de ordem. É justamente isso que se propõem os estudantes. Segundo Pedro, o foco é atender micro e pequenas empresas da região e através de um estudo detalhado, propor alternativas econômicas para baratear o custo de energia. São ideias e soluções que vão desde a simples mudança de comportamento nas empresas à instalação de geradores próprios durante horários de ponta de consumo da rede, que podem reduzir em até 30% os gastos com energia elétrica.

Há um ano e meio na empresa, Pedro conta que já conseguiu atender um número significativo de clientes, prestando consultoria sobre eficiência energética. O objetivo agora é ampliar essa atuação e tornar a Empresa Júnior parceira das micro e pequenas empresas do Vale do Araranguá. “Nosso trabalho é encontrar alternativas e meios de permitir aos empresários a redução do custo e do consumo de energia elétrica e térmica. Realizamos um diagnostico detalhado sobre a realidade e com base nisso propomos então, um conjunto de ações que devem ser implementadas. A redução varia, pois cada caso é um caso, mas em geral, conseguimos na maioria das vezes, uma redução de até 30%, além de mostrar para os empresários que é possível utilizar outras formas de energia,” conta.

O que é feito:

No portfólio da empresa, estão serviços como a climatização econômica, edificação eficiente e sustentável, projetos elétricos, microgeração (solar, eólica e biomassa) e ainda projetos luminotécnicos. Com estrutura reforçada para atender a população regional, os acadêmicos estão otimistas em relação ao futuro que se mostra promissor. Parcerias importantes também estão sendo concretizadas, a exemplo da Associação Comercial e Industrial do Vale do Araranguá-ACIVA, que abriu as portas e tem ajudado a divulgar este importante trabalho. Os alunos também se mostram dispostos e motivados a contribuir. “Queremos compartilhar nossas experiências e nosso conhecimento, pois auxiliar a comunidade onde estamos inseridos é nosso principal objetivo,” finalizou o jovem que mostra ter faro para os negócios e ousadia para apostar no amanhã. Pedro que estudou na Alemanha por um ano e meio, no Projeto Ciências Sem Fronteiras, está com todo gás para colocar em prática tudo o que aprendeu sobre energia enquanto esteve fora do país. “Aguardamos o contato dos empresários. Estamos à disposição,” concluiu.

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