Cerca de cem pessoas estiveram presentes na sede da Ufacs na noite de ontem, no Encontro organizado para debater a Negociação da concessão dos serviços de saneamento básico por 30 anos, com a Casan. Dentre os participantes, funcionários do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), vereadores e várias lideranças comunitárias do município. Um das deliberações foi a apresentação de duas propostas de alteração na Lei Orgânica Municipal, de modo a proibir a concessão de serviços de saneamento básico do município.

O número significativo de cidadãos, de diferentes comunidades do município, demonstrou que a preocupação do grupo organizador do Movimento em Defesa do Patrimônio Público Municipal é também do restante da população. Mesmo sendo negado o uso do plenário da Câmara de Vereadores, o encontro foi realizado como o planejado, na sede da Ufacs, mostrando a motivação dos envolvidos em trazer a tona o debate em torno da negociação dos serviços de saneamento.

O primeiro a fazer uso da palavra foi o vereador Marcello Areão, um dos principais defensores da manutenção do Samae como responsável pelos serviços de água e esgoto no município. O vereador salientou o fato de que o período em que a Casan atuou no município foi de pouquíssimos resultados em se tratando de infraestrutura e disponibilidade de serviços. “Em poucos anos de Samae, foi feito muito mais investimentos do que em três décadas de Casan. É falácia imaginar que a Casan vai trazer dinheiro e fazer grandes investimentos com recursos próprios. Me preocupa como essa questão está sendo exposta à população”, salientou Marcello, que mencionou a proposição de alterações na Lei Orgânica Municipal, que deve ser levada ao legislativo nas próximas semanas.

Membro da Associação Aguapé, Edimilson Colares, lembrou de ofícios que eram enviados à Casan, no seu período de atuação no município, cobrando pela expansão dos serviços de água e o início da implantação do esgotamento sanitário, algo que não era ao menos respondido. “Nunca chegaram a fazer qualquer obra de esgotamento, além da expansão das redes de água tratada”, declarou, lembrando ainda quando a captação da água era feita no próprio rio da Laje, que recebia grande quantidade do esgoto de alguns bairros da cidade.

Edimilson propôs ainda uma auditoria externa nas contas do Samae, visando esclarecer o fato de que há poucos anos o próprio administrador afirmava que a autarquia era lucrativa, inclusive com compra de veículos e construção de sede própria; e agora se mostra com o caixa negativo.

Quando a palavra livre foi dada aos participantes, outras reclamações vieram a tona, como o provável aumento das taxas de água e esgoto e outros problemas que são frequentes, principalmente nos bairros.

Como encaminhamentos do encontro, destaque para a sinalização de ampliar o debate entre a população, formação de uma comissão para continuar coordenando o Comitê em Defesa da Samae, busca por mais informações a respeito das negociações que estão sendo feitas entre Prefeitura e Casan; além de possibilidade de realização de audiência pública e até ação popular, caso haja necessidade, para fazer valer a vontade da população.

Dentre os participantes a fazerem uso da palavra, o ainda secretário de Desenvolvimento Regional Ademir da Silva, o representantes da ACIS, Elias Valdemar Ribeiro, o ex prefeito José Antônio da Silva e o vereador Alcione Teixeira.