Uma cena incomum chamou a atenção em Balneário Arroio do Silva. Ao passar pela orla da praia, um morador encontrou diversas carcaças de tartarugas e pinguins no trecho que liga o município ao Balneário vizinho.

Em menos de seis quilômetros de caminhada, Edson Zanette disse ter encontrado ao menos nove carcaças de tartarugas marinhas e mais alguns pinguins mortos. Uma das tartarugas possuía uma anilha com um número de telefone. Ao ligar, teve uma surpresa, pois a carcaça encontrada faz parte de um projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que busca entender como ocorre a deriva de animais marinhos no litoral gaúcho.

O biólogo responsável pelo experimento, Marcelo Tavares, explica que o estudo faz parte da sua tese de doutorado. “Faz 20 anos que trabalho com estes animais. Nós soltamos lotes de flutuadores de animais em distância pré-determinadas da costa, para entender como funciona a deriva dessas carcaças. Uma delas, foi para a região de Balneário Arroio do Silva e Gaivota, juntamente com o rastreador. A que encalhou aí, é uma espécie de tartaruga chamada cabeçuda, e todas as outras encontradas também são da mesma espécie”.

O que chamou a atenção foi o número de animais mortos encontrados, o biólogo conta que das nove encontradas, apenas uma faz parte do experimento. “Esta derivou cerca de 100 quilômetros até chegar aí. Foi solta aqui na região de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande Sul. Já as outras provavelmente morreram por captura acidental em redes de pesca, que é a maior causa da morte dela na região”, conta.

Tavares explica que as mortes das nove tartarugas podem não ter relação com as outras. “É bem provável que outras carcaças que tenham derivado até esta região, morreram mais ao sul. Pode ser que elas tenham morrido em épocas distintas e até mesmo em locais diferentes, mas pegaram uma condição de mar que as empurrou e favoreceu o encalhe aí nesta região’, finaliza.