A área da saúde é prioridade em Balneário Arroio do Silva. O prefeito, Juscelino da Silva Guimarães (Mineiro), tem um olhar humanizado e atencioso voltado para esta área. Prova disto, é que está sendo implantando um projeto inovador no município, o Ambulatório de Saúde Mental. 

De acordo com a Coordenadora do Ambulatório de Saúde Mental, álcool e outras drogas, Priscila Pessi, a iniciativa é inovadora. "Em março recebi um convite para vir para a secretaria de Saúde de Balneário Arroio do Silva implantar o Ambulatório. Até então, só havia o atendimento médico apenas, na parte de psiquiatria. Começamos a implantar dentro do ambulatório da Unidade Básica de Saúde Paulo Lupin, um ambulatório de saúde mental", explica.

Ainda segundo Pessi,  os pacientes que nunca tiveram contato com o psiquiatra, o doutor Eduardo Böhme, ou que se tiveram contato, que tenha sido antes do ambulatório, estão passando por uma triagem. "Estamos fazendo um acolhimento. Disponibilizamos dois dias na semana para isto, nas segundas e quartas feiras à tarde são feitas as triagens com os novos pacientes ou com quem já era, mas não sabe como está funcionando a nova logística. Disponibilizamos 10 atendimentos para este acolhimento e temos uma demanda bem diversificada, desde crianças a idosos. Trabalhamos dentro da saúde mental como um todo e também álcool e outras drogas. Existe bastante demanda com a questão do bullying, depressão, automutilação, ansiedade e dependência química", ressalta.

Consulta compartilhada

Em alguns casos, de pacientes que estão com quadros estabilizados, Pessi afirma que estão sendo feitas consultas compartilhadas. "Com quadros mais leves, estamos disponibilizando esta consulta que acontece comigo e com a doutora Dianelys Diaz, que foi quem teve a ideia. Já tivemos um primeiro encontro com os pacientes, em um grande grupo conversamos sobre os benefícios, malefícios, prós e contras da medicação e depois, eu nós e o paciente conversamos em uma sala. Nós três juntos decidimos qual dispositivo que podemos oferecer ao paciente. Além disso, teremos grupos de ansiedade e depressão, que começarão em outubro. Mas trabalhamos de acordo com o perfil de cada paciente, alguns conseguem trabalhar em grupo, outros precisam ser atendidos individualmente".

Terapias alternativas

Pessi relata que outro método que está sendo trabalhado são as terapias alternativas. "É onde entra a sementinha de mostarda, a acupuntura. É um projeto que está engajado junto com a consulta compartilhada, para que possamos oferecer várias alternativas aos pacientes.  Quem está com um quadro mais estável, a gente propõe um outro tipo de dinâmica, de tratamento. Então, passa pela consulta comigo e com a doutora, se tiver perfil, vai para o grupo, se sentir bem no grupo, oferecemos para trabalhar a parte auricular com as sementinhas. São terapias de apoio, alternativas, que oferecem melhor qualidade de vida".

Mudanças aparentes

Antes, explica Priscila, como só havia parte médica as pessoas procuravam apenas para consulta e pegar receita, não tratando as causas, apenas os sintomas. "O que estamos tentando fazer na triagem é trabalhar e fazer com que eles identifiquem a causa, mapeando o que está causando os problemas. O grupo é uma maneira de chegar em muitas pessoas ao mesmo tempo, além disso, quando alguém está em uma situação de ajudar, quer dizer que está em uma  condição um pouco melhor. O grupo por si, já faz este movimento, essa reflexão. Mais adiante, a partir do ano que vem, temos ideia de montar outros grupos, de dependência química, grupos de família, que são muito importantes. Além disso, vamos tentar trazer um educador físico para fazer grupos de caminhadas também, porque saúde mental não é apenas a parte de psiquiatria e psicologia, é um conjunto, é uma questão biopsicossocial".

Pessi lembra que este é um programa novo, cheio de desafios. "Toda novidade assusta, mas é um trabalho que a médio e longo prazo trará efeitos positivos. Agora, é como se estivéssemos tendo que reeducar os pacientes. Muitos não tem noção do porque estão tomando medicação. Algumas pessoas passaram por um sofrimento na fase aguda, situações de muita tristeza, grandes perdas, enfim, é comum e esperado passar por uma fase angustiante, talvez em um desses momentos algumas pessoas precisaram de medicação, o que não se entendeu é que depois dessa fase, as pessoas continuaram tomando os remédios. Algumas medicações causam dependência e isto também não é legal".

Empoderamento dos pacientes

Ainda de acordo com Pessi, o objetivo dos grupos é empoderar os pacientes. "Eles aprendem a enfrentar as situações do dia-a-dia de uma maneira mais serena, tranquila e que não precise recorrer ao medicamento a todo momento. Claro, que cada caso é diferente, algumas pessoas precisarão tomar remédio para o resto da vida, mas queremos oportunizar alguns dispositivos terapêuticos que não causem tanto mal para a saúde. É um projeto novo, mas contamos com vários profissionais que nos dão apoio e trabalham unidos para fazer dar certo. Possivelmente o ano que vem estará tudo em funcionamento".

Equipe

Além de Priscila, na parte da Coordenação, existem outros profissionais trabalhando em conjunto. "O Gilson Veríssimo, psicólogo 20 horas, Artur Francisco Espíndola Neto que também trabalha 20h, dr Eduardo Böhme, psiquiatra que atua uma vez por semana, nas quartas-feiras, temos uma assistente social da secretaria de Saúde, a Naiara, que sempre nos auxilia que faz visitas domicilares. É uma equipe de profissionais qualificados que está trabalhando com este novo desafio", relata. 

Setembro Amarelo

 O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização a prevenção do suicídio. Em Balneário Arroio do Silva, foram realizadas várias ações,como rodas de conversas, palestras e a divulgação da importância da valorização da vida. "Nestas ações, divulgamos os grupos, o programa e criamos multiplicadores. Pessoas que vão repassar a informação. Quem estiver com algum problema, pode nos procurar, estamos de portas abertas para atender a todos que precisam", finaliza Pessi.