Maio é o mês das Mães e é também o mês da Adoção. Considerando todo o amor, paciência e dedicação que o processo de adotar um filho exige, nada mais justo do que estas mães do coração terem, também, uma data para celebrar. Na última semana, iniciamos a série de reportagens que abordará o assunto. Iniciamos com uma história feliz, de uma mãe solteira que em menos de um ano já pode adotar a filha, recém-nascida, como tanto sonhava.

Na vida real, porém, o processo de adoção nem sempre é tão rápido e fácil. Desta vez, nós vamos conhecer a história de Josane Belettini Tomaz, que está na fila de espera há anos e conta os dias para poder receber seu filho nos braços. Ao contrário de todas as mulheres, que tem uma gestação de nove meses, a dela já dura nove anos, mas nem por isso, a professora de Educação Física desiste, ou sequer duvida de que o seu grande dia irá chegar.

Acompanhe a entrevista:

Antes de iniciarmos o tema, conte para nós quem é a Josane?

Nasci em 17 de novembro de 1969, sou gêmea, eu nasci com 1,9 kg e a minha irmã com 1,5 kg. Naquela época, bem difícil, minha irmã nasceu muito doente e eu acabei sendo levada para a casa dos meus nonos, na comunidade de Tenente, no interior de Jacinto Machado, que me criaram até os 10 anos de idade, quando voltei a morar em Praia Grande com a minha família. Estudei aqui na cidade e mais tarde, fui fazer faculdade de Educação Física em Criciúma. Escolhi essa profissão justamente pela ligação com as crianças que eu teria, quando começasse a dar aula.

E, hoje, como é a relação com os seus alunos, eles são também um pouquinho seus filhos?

Trabalho há 26 anos como professora, amo essa profissão, amo os meus alunos. Todos eles sabem do meu sonho, tanto que no Dia das Mães, muitos deles dão as lembrancinhas que fazem na sala de aula para suas mães para mim. É um gesto tão lindo, tão puro, que sempre me emociona. E eu sei que se eles me veem um pouquinho como mãe deles, é porque esse amor materno eu sei dar e receber de todos eles. Esse carinho é muito importante e só me dá forças para continuar acreditando que Deus está destinando uma criança para mim. E eu tenho fé que neste ano, nós vamos conseguir realizar o maior de nossos sonhos!

Como nasceu essa vontade de adotar?

Sempre sonhei em ser mãe e também em poder dar um lar e, principalmente, muito amor a um ser humano. Para mim, o amor biológico e o adotivo são iguais, não há distinção. Convivi com este amor de coração desde a infância, pois minha nona e minha avó adotaram duas filhas e eu sempre admirei este ato. Cresci e vi que não havia diferença nenhuma, que adoção era, sim, uma linda forma de ser mãe.

E em que momento de sua vida você tomou esta decisão?

Cheguei a engravidar, mas aos três meses de gestação, perdi o bebê. Sempre tive vontade de adotar e desde aquele momento, este desejo só aumentou. Decidi que preferia adoção, do que tentar novamente. Alguns anos depois, casei com meu esposo, Alexandre Santos Berto e, juntos, entramos na fila de espera. Optamos por uma criança de até cinco anos, independente de ser menino ou menina. E desde então, estamos no aguardo.

Como a sua família reagiu à sua opção?

Minha família é muito unida, meus pais e minhas quatro irmãs. E junto comigo, eles sonham e aguardam há nove anos, pela chegada desta criança em nossas vidas. Meus pais sempre dizem que não querem partir sem antes conhecer o neto (a) que virá, então todos nós temos aquela expectativa, que na verdade é uma espera, que já dura nove anos, mas que temos a esperança de estar chegando ao fim.

E esta espera, que já dura mais de nove anos, te angustia? Em algum momento, você chega a desanimar?

Às vezes, muitas vezes na verdade, me sinto angustiada com esta situação. Muitas pessoas chegam e perguntam ‘quando o teu filho vai vir?’, ‘nossa, que demora!’, ‘será que esta criança vai vir, um dia?’. São coisas que me angustiam porque, infelizmente, eu não sei a resposta para nenhuma destas perguntas. O que eu mais quero é poder saber quando o meu filho, ou minha filha, chegará na minha vida. Mas eu sempre digo: Deus sabe o que faz e tudo tem a sua hora certa para acontecer, tanto vai ser no momento certo da minha vida, quanto desta criança que vai vir para o nosso lar.