Pai, mãe e filho acordam todos os dias às 4h30 da manhã. Uma rotina que se repete há mais de cinco anos, desde que resolveram trabalhar com criação de gado leiteiro. Em uma pequena propriedade rural localizada na comunidade de Espigão Grande, no interior de Maracajá, eles cuidam de 25 cabeças de gado. A criação, no entanto, nem sempre foi grande. A família Viana iniciou com um rebanho pequeno, algo em torno de 08 vacas da raça Jersey. Hoje, com a ordenha de cerca de 25 vacas, a produção aumentou para 6 litros de leite ao mês. Mas não somente a produção aumentou, como o trabalho num todo passou por alterações necessárias e fez crescer a renda da família.

Seu Bento Manoel Machado, de 57 anos, a esposa Zilda Menegon Machado, de 59 e os dois filhos sempre viveram da agricultora e tem paixão pelo campo. “No começo o trabalho era feito inteiramente artesanal. Era minha esposa quem tirava o leite das vacas, uma a uma. Com o passar dos anos a demanda foi aumentando, compramos equipamentos especializados e a retirada de leite passou a ser feita com maquinário, com equipamento de sucção. O que diminuiu as horas trabalhadas e aumentou a produtividade. Também fazemos parte de uma cooperativa com mais de 110 produtores para onde todo leite é vendido” conta seu Bento.

Melhorando a qualidade de vida

Agricultura Familiar sempre foi uma prática da família Machado. Antes, contudo, eles trabalhavam com plantio de fumo e outras culturas alimentícias. A troca pela criação de gado leiteiro não foi somente rentável, como saudável. Trabalhar diretamente com fumo era, quase sempre, prejudicial à saúde. Além de não haver a necessidade de contratação de mão-de-obra. Apenas a alimentação que, inclusive, é o principal medidor da qualidade do leite. Segundo seu Bento, o segredo da produtividade e qualidade está na pastagem. “O alimento deles é o pasto e a ração. Temos esse cuidado de cuidar muito bem do que os gados comem, porque interfere na qualidade do leite”, destaca. “Quando trabalhávamos com outras culturas alimentícias, o desgaste era muito maior. Claro que agora também temos muito cuidado, mas valeu à pena alternar para a criação de gado leiteiro”, acrescenta.

Mas, como em qualquer outro setor, a criação de gado leiteiro só passa a dar lucros depois de alguns anos. O casal de agricultores explica que, agora, depois de cinco anos, é que efetivamente conseguiram ver a cor do dinheiro. “Vivemos do leite. É daqui que tiramos o sustento da família. Contudo, é preciso ter consciência que as coisas iniciam devagar. Esses primeiros anos foram de investimentos. Com equipamentos, alimento, estrutura etc. Agora, é a hora de tirarmos os lucros”, avalia.

Amor ao trabalho no campo

Antes de pensar de forma lucrativa com a criação de gado leiteiro, dona Zilda diz que é preciso ter amor pelo que se faz. “Nós estamos aqui com prazer, com gosto pelo que estamos fazendo. Nos finais de semana, minha alegria é tratar dos gados. Tem que se pensar nisso como um negócio, mas é preciso, primeiramente, ter muito amor”, finaliza.

Presente de aniversário

Indagados sobre o presente que dariam à Maracajá pela passagem do seu cinquentenário, o casal que vive há 30 anos no interior do município afirma que daria mais emprego. “Temos dois filhos e manter ele no campo é impossível porque não temos oportunidade de emprego na cidade. Queremos mais empresas e indústrias gerando renda em Maracajá” finalizam os agricultores.