Desde meados de fevereiro, a população de São João do Sul tem algo a mais para se preocupar: a implantação de uma praça de pedágio no trecho da BR-101 compreendido no município – que iria do km 455,9, em São João do Sul, SC, até o entrocamento com a BR 290, em Osório, RS. A notícia foi dada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e desde que foi anunciada, tem sido uma das principais preocupações do prefeito da cidade, Moacir Francisco Teixeira.

Foi o chefe do executivo que, em parceria com a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense, solicitou a realização da audiência pública que ocorre na próxima sexta-feira, 24. O objetivo do encontro será tentar impedir a implantação da praça de pedágio, que segundo o prefeito, só traria prejuízos para a cidade. “O problema é que o consórcio que irá administrar o pedágio é do Rio Grande do Sul. Com isso, 98% dos recursos arrecadados seriam destinados ao estado gaúcho e apenas 2% seria revertido em melhorias para o município”, destaca.

Moacir destaca ainda que desde que soube da notícia, já participou de uma reunião em Brasília e duas audiências públicas, uma em Porto Alegre e outra em Lageado. “Se instalado, este pedágio só vai dividir o município e trazer prejuízos aos nossos moradores. Já nos posicionamos contrários a esta implantação e acreditamos que, com a presença dos prefeitos e deputados da região, além da participação da população, vamos conseguir impedir esta implantação”, ressalta.
A audiência pública ocorre na sexta-feira, 24, às 14 horas na Sociedade Esportiva de São João do Sul, que está localizada na rua Luiz Scandolara, nº 461 – Centro.

Amesc não vê com bons olhos

O presidente da Amesc, Valdionir Rocha, foi quem solicitou em nome da entidade, a realização da audiência pública com a presença dos representantes da ANTT. Segundo o presidente, os 27 municípios que integram a AMESC e a AMREC discordam da decisão tomada pela ANTT. “Não há porque instalar uma Praça de Pedágio em solo catarinense, já que mais de 90% do trecho pedagiado fica no Estado do Rio Grande do Sul. Um exemplo é a arrecadação do ISS, que ficará quase em sua totalidade com os municípios do Estado vizinho, ficando dos 100 quilômetros atendidos pelo serviço, menos de dez em solo catarinense, passando pelas cidades de São João do Sul e Passo de Torres”, afirma.

Valdo afirma que todos os prefeitos do Vale, além de deputados estaduais e federais e lideranças de toda a região estão sendo mobilizados a participar do evento e manifestar sua contrariedade à implantação. “Diante da gravidade da situação, reforçamos a imprescindível participação de toda a população para a defesa dos interesses dos municípios catarinenses”, finaliza.

ACIVA também é contrária

A Associação Empresarial de Araranguá e do Extremo Sul Catarinense também é contrária à implantação da praça de pedágio em São João do Sul. De acordo com o presidente, Norberto Rizzotto, a ACIVA não acha justo que um pedágio implantado na região tenha sua renda destinada ao estado gaúcho. “Nosso posicionamento é com base nas informações que recebemos até agora. Mas se realmente for para destinar 98% da arrecadação para o estado do Rio Grande do Sul, então que a praça de pedágio seja implantada lá. Nestas condições, não haveria nenhum benefício para o município, muito menos para a nossa região”, destaca.