Há anos o Brasil sofre na área da saúde pública, com a proliferação do mosquito da dengue. E toda vez que o verão  inicia, os focos e até mesmo casos da doença, começam a ser registrados de forma assustadora.  Mas para combater este inseto tão pequeno, mas perigoso, se faz necessário um trabalho árduo de conscientização da população e de ações práticas, como a limpeza de terrenos baldios, por exemplo.

No Vale do Araranguá, durante todo o ano de 2015, a cidade que mais registrou focos do mosquito da dengue foi Passo de Torres. Localizada na divisa com o Rio Grande do Sul, o município registrou 89 focos do mosquito Aedes Aegypti. Para combater este perigoso inseto, o Governo do Estado mobilizou, em parceria com a prefeitura, uma verdadeira guerra contra o inseto.

Desde a última segunda-feira, (11/01), está funcionando em Passo de Torres uma Casa de Referência. A unidade, única instalada no Vale, vai ser uma ponte entre a ação do município e o Governo do Estado. Conforme o secretário de Saúde de Passo de Torres, Emerson Cardoso Kuillim, uma equipe de 21 pessoas, entre elas, quatro agentes de endemias e 17 agentes de saúde, estão trabalhando oito horas por dia, caminhando de rua em rua, batendo de porta em porta, para alertar e conscientizar a população.

“Esta é a primeira etapa do trabalho. Nos dias 19, 20 e 21 de janeiro, diversos órgãos da cidade, entre elas secretarias municipais, Bombeiros e Defesa Civil, vão fazer um mutirão, realizando um trabalho de limpeza, principalmente na orla do rio,” revelou.

E todo o trabalho realizado, por meio da Casa de Referência, o Estado se fará presente. Com os dados e informações em mãos, o Estado pode planejar uma forma específica de estar atuando em médio e longo prazo, em casos como o de Passo de Torres.

Os motivos que levaram ao alto número

Ser a única cidade do Vale do Araranguá a receber atenção especial do Estado, por registrar um número elevado de focos da dengue, certamente não é um título que Passo de Torres se orgulha. Mas vários fatores podem ter levado a cidade que fica às margens do Rio Mampituba, a registrar tantos focos.

Segundo o agente de Endemias, Vagner Ribeiro, os bairros que mais tiveram o registro de focos foram o Marrocos, Progresso e Centro. E a maior concentração efetiva foi justamente na orla do Rio Mampituba. “Passo de Torres é uma cidade que recebe por dia inúmeras embarcações e circulação de caminhões, estes são alguns motivos que podem ter aumentado o número de focos da dengue no município,” destacou o agente.

Ainda conforme ele, há outro problema que Passo de Torres enfrenta; a divisa com Torres. “O município vizinho não nos informa como está a situação deles com relação a dengue. E pelo que sabemos, eles atuam com menos agentes de Endemias, em relação a nós, que somos um município muito menor,” pontuou Vagner.

De sol a sol

A reportagem da Revista W3 acompanhou o trabalho dos agentes de Endemias de Passo de Torres. Com o colete de identificação, uma prancheta em mãos, boné sob a cabeça e muita disposição, eles batem de porta em porta para informar e conscientizar a população.

E acredite, enfrentar o sol escaldante, muitas vezes, não é a maior preocupação dos agentes. “Boa parte da população nos recebem bem, mas tem uma boa parte que não gosta de nos receber, até porque nosso trabalho é realizado mensalmente,” comentou a agente Talita Germano Porto.

Mas moradores conscientes, como seu Manoel Almirindo Martins, 61 anos, é um sinal de que a batalha contra a dengue pode ser, sim, vencida. Em frente à casa dele, em uma garagem, foi encontrado um foco do mosquito. Apesar disso, ele não hesitou um minuto sequer em colaborar com os agentes. “Aqui onde eu moro tem muitos mosquitos, e isso nos preocupou,” explicou o aposentado, que mostrou que sabe tudo sobre prevenção. “Sempre cuidamos para não deixar água acumular. Temos que nos unir para que o município possa vencer esta batalha,” afirmou o morador.

A guerra não tem prazo para acabar

A princípio, o Governo do Estado designou três meses para a Casa de Referência atuar em Passo de Torres, mas do que depender do município, esta guerra contra a dengue está longe de ter um fim. “Nossa meta é manter este trabalho mais intensificado durante os 12 meses do ano,” concluiu o secretário de Saúde, Emerson.