Rolando Christian Coelho
16/10/2019 14h21

Afastados se dizem injustiçados e perseguidos

Rolando Christian Coelho, 16/10/2019

Vereadores de Sombrio que foram afastados de seus mandatos por força de decisão monocrática do Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Carvalho Neto, gravaram vídeo buscando esclarecer os fatos diante das circunstâncias que os tem acometido. O afastamento se deu por conta da acusação de que os vereadores do MDB, PSDB e PSB teriam integrado duas coligações que, supostamente, fraudaram o processo eleitoral, na medida em que teriam inscrito mulheres como candidatas meramente para preencher requisito legais.

Além dos vereadores afastados Janguinha Duarte (MDB), Nego Gomes (MDB), Carlinhos Gomes (MDB) e Fabiano Pinho (PSDB), também participaram do vídeo o suplente de vereador Paulo Humberto Borges (MDB), que estava legislando na vaga que cabe a Nego Gomes, hoje respondendo pela Secretaria de Obras de Sombrio, e Joelmo Silveira (MDB), que estava ocupando a vaga do vereador Som da Garuva, licenciado na ocasião para tratamento de saúde. Som da Garuva (MDB) e o igualmente afastado Daniel Palito (PSB) não participaram da gravação. Na condição de suplente, mas sem assento no legislativo, Volneci Baltazar, o Ci (PRB), também participou do vídeo.

Nego Gomes classificou de injustiça o afastamento promovido pelo TSE. Emocionado, ressaltou que, independente dos fatos, o trabalho pela população sombriense continuará. Também emocionado, Carlinhos Gomes ressaltou que “infelizmente existem pessoas que usam a política para benefício próprio”. Referindo-se a oposição, que, capitaneada pelo Progressistas, promoveu o processo que levou ao afastamento, e possível cassação dos vereadores, Carlinhos disse que “essas pessoas que tiveram a maldade (de promover o processo), mexeram com dez mil pessoas, e mexeram com os brios das famílias de Sombrio”. Ao se referir as “dez mil pessoas”, Carlinhos Gomes está fazendo uma alusão aos 9.552 eleitores que, em 2016, reelegeram o prefeito Zênio Cardoso (MDB), cujos vereadores afastados apoiaram na ocasião.

Janguinha Duarte, que era o presidente da Câmara Municipal, classificou a decisão judicial que os afastou de falha. Ressaltou que a oposição também contou com candidaturas de mulheres com baixa votação, dando a entender que nem por isso esta coligação teve seus vereadores afastados. Neste quesito, há de se fazer um parênteses, para ressaltar que a coligação dos vereadores de oposição não foi denunciada, a exemplo do que aconteceu com a coligação dos vereadores eleitos pela situação. De acordo com Janguinha, se alguém tem que pedir desculpas à população é a oposição, e não os afastados. O vereador ressaltou que a oposição está tentando ganhar no tapetão aquilo que não teve competência para ganhar nas urnas.

De um modo geral, todos que falaram bateram na tecla da injustiça e da perseguição política, ressaltando, em linhas gerais, que a oposição está prestando um desserviço à população sombriense, na medida em que tenta atrapalhar um mandato que estaria sendo exitoso, capitaneado pelo prefeito Zênio Cardoso.

MDB, PSDB e PSB não denunciaram PP/PSD/PT de Sombrio

Ao classificar a decisão judicial que afastou seis, dos onze vereadores de Sombrio, de falha, Janguinha Duarte (MDB), um dos afastados, disse que a oposição também contou com candidaturas de mulheres que obtiveram baixa votação, dando a entender que, portanto, a coligação encabeçada pelo Progressistas também deveria ser cassada. A bem da verdade, as duas coligações que eram integradas por vereadores do MDB, PSDB e PSB, que foram afastados, contava com sete candidaturas de mulheres que obtiveram menos de dez votos cada uma. A coligação do Progressistas teve apenas uma candidatura de mulher com menos de dez votos, na figura de uma candidata do PT.

Peri diz que não será feita oposição sistemática a Zênio

Vereador sombriense Peri Soares (PP), por ora não tem assumido condição de candidato à presidência do legislativo. Com o afastamento de seis, dos onze vereadores da Câmara Municipal de Sombrio, e tão logo se dê a indicação oficial de quem os substituirá, o Progressista passará a ter, no mínimo, sete votos no plenário. Peri é o nome natural deste grupo, assim como do PSD, para disputar a presidência da Câmara. O vereador, no entanto, tangencia. “Sou tão candidato quanto qualquer outro nome que estará na Câmara. É conveniente que a gente espere a Justiça Eleitoral convocar os substitutos, para só depois conversarmos sobre a nova composição da Mesa Diretora”, comenta. Os seis afastados são filiados ao MDB, PSDB e PSB. Seus mandatos estão obstruídos por conta de um processo que corre no TSE, dando conta de que as coligações a que pertenciam cometeram fraude eleitoral no pleito de 2016.

Lisi Tuon é cotada para disputar como vice em Criciúma

Candidata a deputada estadual no pleito do ano passado, Lisi Tuon (DEM), que é de Jacinto Machado mas está radicada eleitoralmente em Criciúma, tem sido especulada para concorrer como candidata a vice-prefeita em chapa a ser encabeçada pelo deputado federal Daniel Freitas (PSL). A dobradinha entre PSL e DEM ao executivo criciumense já parece algo sacramentado. Questão agora seria indicar quais candidatos ocupariam as vagas a prefeito e a vice. No PSL, o nome mais forte é o de Daniel, assim como no DEM tal nome é o de Lisi. Se os desdobramentos correrem ao natural, é isto que irá acontecer.

Inelegibilidade pode acometer todos na chapa de situação

Clima nas coligações legislativas de Sombrio que tiveram vereadores afastados pelo TSE é de dupla tensão. Primeiro por conta do risco eminente dos afastamentos se transformarem em cassação, assim como aconteceu no município de Valencia, no Piauí. A tensão não é menor, também, por conta da possibilidade do Ministério Público pedir a inelegibilidade de todos aqueles que concorreram pelas coligações que tiveram vereadores afastados, caso seja confirmada a cassação destes. A Lei da Ficha Limpa é bem clara neste aspecto, ressaltando que políticos com cargos eletivos, em sendo cassados, se tornam inelegíveis. O pedido de inelegibilidade do MP pode ser ostensivo aos suplentes, já que estes, por mais estranho que possa parecer, também são considerados eleitos. Caso o Judiciário de provimento a uma ação como esta, mais de 20 caciques da política sombriense ficarão impedidos de disputar em 2020.

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