Rolando Christian Coelho
04/09/2019 09h08

Será que Carlos Moisés vai dar certo?

Rolando Christian Coelho, 04/09/2019

Afora a tradicional pergunta feita sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL), o segundo questionamento que mais me é feito na seara política diz respeito ao governador Carlos Moisés da Silva (PSL). Afinal de contas, será que o governo de Carlos Moisés vai dar certo?

Na prática, Bolsonaro e Carlos Moisés enfrentam o mesmo problema em suas gestões: falta de recursos. No caso de Bolsonaro, o problema pode ser resolvido através de reformas estruturais, como a da previdência, a tributária e a administrativa. Se isto passar no Congresso Nacional, sobrará dinheiro em caixa para realizações. Já Carlos Moisés tem um abacaxi bem maior para resolver, pois ele não tem muito o que reformar, e, ainda que tivesse, não conseguiria passar nada de relevante na Assembleia Legislativa, tendo em vista que não está podendo contar nem mesmo com o apoio dos seis deputados estaduais de seu partido para levar sua gestão adiante.

Recentemente o governador conseguiu aprovar um remendo de reforma administrativa, que apenas choveu no molhado. As Agências de Desenvolvimento Regional foram extintas, mas, na prática, isto não significou uma economia relevante para o governo, pois o projeto original do ex-governador Luiz Henrique da Silveira (MDB), de criação das Secretarias de Desenvolvimento Regional, já estava totalmente sucateado. A mesma reforma também extinguiu dezenas de cargos, mas a grande maioria sequer estava sendo ocupado.

A aposta de Carlos Moisés se voltou para a diminuição do repasse do duodécimo para o legislativo, o judiciário e o Tribunal de Contas do Estado. Ele queria que estes poderes recebessem menos recursos, de modo a fazer sobrar mais dinheiro para que o executivo equilibrasse suas contas e fizesse investimentos. A proposta barrou na Assembleia Legislativa. Recentemente o governador também quis tributar insumos e defensivos agrícolas, de modo a aumentar a receita do Estado. A pressão foi grande e ele teve que voltar atrás.

Sem apoio parlamentar, Carlos Moisés não tem nem como cortar despesas, nem como aumentar receita, e, por conta disto, tem administrado uma bomba relógio, que a qualquer momento poderá explodir, a exemplo do que já aconteceu em Estados como o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ao contrário de Jair Bolsonaro, que tem apoio no Congresso Nacional para resolver suas principais demandas, Carlos Moisés não tem. E não tem porque seu partido é muito fraco dentro da Assembleia Legislativa. Além de fraco, não conta com deputados experientes na arte da articulação política.

Diante dos fatos, a solução para o governador catarinense pode estar ligada a migração para uma sigla mais moderada, que pudesse unir em torno de si MDB, PSDB, PSD, PL, e outros partidos que lhe garantissem sustentação e efetivo poder de mudança. Sem isto, dificilmente será um governo exitoso.

Deputado catarinense já economizou R$ 750 mil

Deputado estadual Bruno Souza, que deixou o PSB e permanece sem partido, utilizou apenas R$ 4.356,00 de todo dinheiro que teria disponível para suas atividades parlamentares, desde o início do mandato, em 1º de fevereiro. Em sete meses ele economizou quase R$ 750 mil dos cofres da Assembleia Legislativa, recursos, por óbvio, depositados lá com o suor da população catarinense. Bruno diz que vai manter a mesma metodologia de trabalho até o final de seu mandato, o que significa dizer que ele irá economizar quase R$ 5 milhões em quatro anos. Se todos os deputados agissem assim, ao final de um mandato o parlamento teriam economizado R$ 200 milhões.

Jessé Lopes defende fim de mordomias para governador e vice

Em meio a reportagens dando conta de que a vice-governadora do Estado, Daniela Reinehr (PSL), utiliza quase R$ 300 mil mês para manter sua estadia na capital catarinense, o que inclui uma guarda de segurança composta por 14 policiais, deputado estadual criciumense Jessé Lopes, também do PSL, sugeriu cortes drásticos. Na sua visão, tanto a casa oficial do governador, quanto da vice, deveriam ser vendidas e o dinheiro aplicado na construção de imóveis funcionais. Tais imóveis poderiam abrigar os chefes do executivo e ainda deputados estaduais. De acordo com Jessé, se a ordem é a moralidade na coisa pública, tal moralidade deve começar, literalmente, por casa.

Janguinha diz que vai lutar para ser vice ano que vem

Presidente da Câmara Municipal de Sombrio, vereador Adenir Duarte, o Janguinha (MDB), constituiu grupo de apoio político com vistas à eleição municipal do ano que vem. Em princípio, a ideia era a de amealhar forças para enfrentar um projeto de reeleição ao legislativo sombriense. O grupo, no entanto, quer ir mais longe e tem estimulado Janguinha a brigar por uma vaga na majoritária. O vereador acredita que os partidos aliados em torno do MDB, que comanda a prefeitura desde 2013, acabarão convergindo para a candidatura da vice-prefeita Gislaine Dias da Cunha (PL) ao executivo. Neste contexto, sobraria a vaga de vice ao MDB, que pretende ser postulada por Janguinha. “Se as coisas se encaminharem para isto, e couber ao MDB a vaga de vice, eu vou lutar por ela sim. Acho que está na hora do interior voltar a ter um representante no executivo sombriense”, comenta o vereador, que representa a comunidade de Sanga Negra.

PP de Arroio do Silva deve lançar Jairo Borges em 2020

Ex-vice-prefeito de Balneário Arroio do Silva, Fernando Borges, diz que seu partido, o Progressistas, terá candidato próprio ao executivo municipal, ano que vem. No pleito passado, Fernando concorreu contra o Juscelino Guimarães, o Mineirinho, que acabou sendo eleito pelo PSD. Filiado, agora, no PSDB, Mineirinho já está construindo seu projeto de reeleição. Fernando, ao contrário de várias lideranças progressistas, diz que é contrário a uma aproximação com o PSDB, e, neste sentido, defende a tese de uma candidatura própria, na figura de seu tio Jairo Borges. Além de Mineirinho e Jairo, quem também pode disputar a Prefeitura de Arroio do Silva ano que vem é o ex-prefeito Evandro Scaini (PSD). Havendo esta tripolarização, o cenário eleitoral no município ficará muito tumultuado, pois se tratam de partidos e lideranças que já estiveram aliados num passado recente. Questão é saber o que sobrará para quem.

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