Rolando Christian Coelho
02/09/2019 09h21

Rodrigo Maia defende reformas como salvação

Rolando Christian Coelho, 02/09/2019

Estive na sexta-feira em Florianópolis participando de uma palestra ministrada pelo presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ). O evento faz parte de uma série de atividades capitaneadas pela Acaert, a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, que orquestrou o recente encontro que a mídia regional teve com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

Rodrigo Maia não é marinheiro de primeira viagem. Eleito deputado federal pela primeira vez em 1998, aos 28 anos, desde então está na Câmara Federal, exercendo sua presidência pela segunda vez. Francamente influenciado pelo pensamento liberal, Maia é considerado o principal articulador para que ocorressem as mudanças impostas recentemente na Consolidação das Leis Trabalhistas, ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), e também pela votação que culminou com a aprovação da reforma da Previdência, na Câmara Federal.

Em sua palestra, Rodrigo Maia não fez nenhuma questão de usar meias palavras. Falou abertamente de seu desejo de aprovar “as reformas necessárias para que o Brasil se desenvolva definitivamente”. Neste sentido, ressaltou a necessidade da aprovação, pelo Senado Federal, da reforma previdenciária, como também a necessidade de se aprovar no Congresso Nacional a reforma tributária e a administrativa, o mais rápido possível, “antes que não haja mais tempo para isto”. De um modo geral, Maia ressaltou que o Brasil está à beira de um precipício. De acordo com ele, o inchaço da máquina pública chegou a tamanho grau que não há mais o que se possa fazer, além de se reformar o Estado completamente.

Atualmente, 94% de tudo o que é arrecadado no país é utilizado para pagar despesas fixas, sejam elas ligadas à folha de pagamento do funcionalismo, à destinação de recursos para a manutenção dos órgãos ligados à União, ou aos repasses constitucionais obrigatórios. No fim da história, só 6% sobra para investimentos. Seria a mesma coisa se alguém ganhasse R$ 2 mil por mês, mas só sobrasse apenas R$ 120,00 ao final do mês para investimentos, pelo resto da vida. O cidadão levaria cerca de 80 anos para comprar uma casa mediana, isto se não fizesse mais nada de novo. Por conta disto, Rodrigo Maia defendeu a tese de que as reformas em discussão no Congresso não são uma mera necessidade, são uma obrigação, antes que o país quebre.

Salário médio no Congresso Nacional é de R$ 31 mil

Na palestra proferida em Florianópolis, na sexta-feira, presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, ressaltou alguns números desanimadores para o contribuinte brasileiro. De acordo com ele, o salário médio de um servidor do Congresso Nacional é de R$ 31 mil. Isto porque, em cinco anos o servidor já chega ao topo no plano de carreira do Congresso. Por óbvio, o tal Plano de Carreira é um mero engodo. Foi aprovado meramente para beneficiar quem já estava lá dentro. De acordo com Maia, 80% dos cerca de R$ 6 bilhões anuais gastos com a Câmara Federal são apenas com a folha de pagamento do funcionalismo. Mesmo que não existisse nenhum deputado federal em Brasília, ainda assim, o gasto mensal para manter a Câmara Federal aberta seria de quase R$ 5 bilhões por ano, R$ 20 bilhões em um mandato presidencial.

Rodrigo Maia chama Bornhausen de “meu presidente”

Presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), disse que Rodrigo Maia é “sem dúvida nenhuma a maior liderança política do Brasil: Jovem, experiente, preparado, competente, patriota e tem espírito público. É isso que nós queremos dos nossos líderes”. Júlio Garcia se encontrou com Rodrigo Maia, no gabinete da presidência da Assembleia, pouco antes de sua palestra. Na palestra, no entanto, a figura política mais ressaltada por Maia foi o ex-governador Jorge Bornhausen, a quem o presidente da Câmara Federal fez questão de chamar, a todo momento, de “meu presidente”. A citação foi uma alusão ao fato de Bornhausen ter sido presidente do DEM antes de Rodrigo Maia, à cerca de uma década. Maia foi mais longe, ressaltando que Jorge Bonhausen é uma espécie de mentor intelectual seu, na política nacional.

Brasil quebrará em 10 anos se nada for feito

O resumo da fala de Rodrigo Maia, durante sua palestra, na sexta-feira, em Florianópolis, foi bastante claro: ou o Brasil muda, ou quebra. Não há mais o que fazer. O sistema público brasileiro está totalmente engessado, com receita e despesa praticamente se equilibrando. Paralelo a isto, as demandas só crescem. Mais dez anos nesse ritmo e o país entrará em falência, mesma falência que já vivem alguns Estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Muito em breve, se nada for feito, todo o país estará na mesma situação. As reformas, de acordo com Maia, são a única forma de tentar se reverter a situação. Na mesma linha, ele defende a tese que, caso nada seja feito, o povo brasileiro deve se preparar para o pior. O país todo entrará em bancarrota. Isto, aliás, os economistas já têm falado há quase 20 anos.

População precisa votar com a razão, diz Maia

De acordo com Rodrigo Maia, a população brasileira precisa parar de votar pautada na esperanças, e começar a votar pautada na realidade. Conforme ele, a emoção é muito melhor do que a razão, porque na emoção nós adequamos nossos desejos, o que não é possível na razão. Para ele, no entanto, a emoção na hora do voto ajudou a enterrar o Brasil. Maia não quis ser grosseiro, mas só faltou dizer que o povo brasileiro não sabe votar. De fato ele está certo. De um modo geral votamos na expectativa de que algum salvador da pátria vá nos tirar do atoleiro, o que é uma grande ilusão. O que tira qualquer país do atoleiro é a união de seu povo em prol de um objetivo comum, aliado ao desejo de seus governantes de aplicar bem os recursos públicos, gerenciando uma máquina estatal enxuta e eficiente. Afora isso, é só lodo até a canela.

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