Rolando Christian Coelho
12/04/2019 11h06

Assembleia versus Governador

Rolando Christian Coelho, 12/04/2019

Governador Carlos Moisés da Silva (PSL) foi superado pela Assembleia Legislativa na votação que dispunha sobre a derrubada de um veto seu, em uma emenda de autoria do deputado estadual José Milton Scheffer (PP). Zé Milton propôs emenda a projeto governamental que obrigava o Governo do Estado a destinar 10% dos recursos do Fundo Estadual da Saúde para os hospitais filantrópicos. O governador vetou. O veto acabou sendo derrubado por inacreditáveis 31 votos, dentre os quais, até mesmo parlamentares de seu próprio partido. A bem da verdade, somente os deputados Jessé Lopes (PSL) e Bruno Souza (PSB), votaram com o governo.

O resultado da votação é uma prova contundente de que o governador não tem trânsito com a Assembleia Legislativa. Prova, aliás, de que ele não tem trânsito sequer com seu partido. Se formos observar com um olhar mais atento, nem mesmo Maurício Escudlark (PR), que é líder do governo na Assembleia, votou com o governo.

A falta de articulação de Carlos Moisés com o parlamento catarinense é tão grande, que ele solicitou, meia hora antes, que a votação fosse adiada. Isso simplesmente não existe. Há uma pauta de votação, um regimento interno a ser cumprido. A Assembleia Legislativa não é a Casa da Mãe Joana, onde se coloca e se retira projetos de votação a hora que se bem entende. Tivesse feito isto no dia anterior, provavelmente a Assembleia teria acatado.

A derrubada do veto já é um prenúncio de que o projeto de reforma administrativa do Governo do Estado, que tramita no parlamento, não terá vida fácil. Provavelmente até seja aprovado, mas com tantas emendas e objeções que restará um documento mutilado, sem efeito prático.

Como resultado, teremos um governo cada vez mais fechado, enclausurado em si mesmo, por falta de articulação. Isto é muito ruim para os catarinenses.

Reforma de Carlos Moisés é muito impositiva

Reforma administrativa mandada pelo Governo do Estado para a Assembleia Legislativa prevê uma série de decisões que poderiam ser tomadas pelo governador Carlos Moisés da Silva (PSL) meramente por decretos. Deputados já disseram que esta intenção não passará em hipótese alguma no parlamento. Decretos são decisões unilaterais, que impõe a sociedade uma vontade única, sem uma discussão mais ampla. Neste sentido, o governador da a entender que tem vontade de governar de próprio punho, sem as prerrogativas da democracia ampla e irrestrita. De fato, a democracia é cara e burocrática, mas, no final das contas, é o sistema governamental que tem se mostrado mais eficiente nas sociedades modernas.

Prefeitos não conseguem pousar em Jaguaruna

Prefeito de nossa região, e também da região de Criciúma, que voltavam ontem à tarde de Brasília, foram comunicados que voo previsto para pousar em Jaguaruna teria que ter seu destino final em Florianópolis. O motivo era a falta de um caminhão do Corpo de Bombeiros no principal aeroporto do Sul do Estado. Depois de um investimento para sua construção de R$ 60 milhões, que em valores corrigidos ultrapassam os R$ 100 milhões, o aeroporto de Jaguaruna não conta com um caminhão do Corpo de Bombeiros! Dia desses os passageiros de um voo tiveram que esperar para ter acesso a seus carros, no estacionamento privativo, porque o responsável pelo local simplesmente saiu e colocou uma placa de “Já Volto”. Depois não sabem porquê a região Sul do Estado é a menos desenvolvida economicamente de Santa Catarina. A resposta é simples: quem tem dinheiro para investir não gosta de serviço mal feito.

Oposição em Passo de Torres tem quatro nomes

Oposição em Passo de Torres tem conversado sobre a necessidade de unir esforços com vistas a tomada do executivo municipal, a partir de 2021. Para isto, no entanto, é necessário vencer o pleito do ano que vem, tarefa bastante árdua, diante da gestão realizadora do prefeito Jonas Souza (MDB). De todo modo, figuras conhecidas da oposição passotorrense, a exemplo de Valmir Rodrigues, Eduardo Cardoso, Adriano Delfino e Andre Porto têm se evidenciado no cenário local. Destes quatro, André, que é assessor do deputado estadual José Milton Scheffer (PP), já disse que estará fora de qualquer embate eleitoral no próximo pleito. Dos três restantes, se ressaltam os nomes de Valmir Rodrigues e Adriano Delfino. Ambos já disputaram o executivo.

Cúpula nacional do PSDB quer Geovânia presidente

Cúpula nacional do PSDB tem aconselhado as velhas figuras do partido em Santa Catarina a passar a bola para a deputada federal Geovânia de Sá, no que diz respeito ao comando da sigla em nosso Estado. Ex-deputado federal Marcos Tebaldi, ex-senador Paulo Bauer, e deputado estadual Marcos Vieira parecem nutrir um apreço especial pelo poder partidário, não se dando conta de que suas práticas são consideradas totalmente anacrônicas diante da atual realidade da política nacional. O PSDB nacional tem nutrido grande preocupação quanto a reciclagem de seus quadros, de modo a reoxigenar as bases do partido, que estão desanimadas depois de cinco derrotas nacionais, e da total falta de uma liderança nacional que una o partido. Objetivo é começar “tudo de novo”, mas isto só se dará com nomes novos e pujantes, o que não é o caso das velhas raposas.

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