Rolando Christian Coelho
23/10/2018 09h19

Nunca tantos perderam tanto numa eleição em nosso Estado

Coluna Rolando Christian Coelho, 23/10/2018

Primeiro turno da eleição em Santa Catarina fez uma espécie de limpa em muitas gavetas da política estadual. Gente que se imagina entre os mais votados, acabou nem se elegendo. A deputada estadual Ana Paula Lima (PT), esposa do candidato a governador Décio Lima (PT), por exemplo, ficou longe de conquistar uma vaga a Câmara Federal. Outro cacique da política estadual, o tucano Marco Tebaldi não conseguiu renovar seu passaporte de deputado federal. Mesma situação vivenciada por Valdir Colatto, um dos manda chuva do MDB do Oeste catarinense. Aqui no Sul do Estado, o deputado federal Ronaldo Benedet (MDB), candidato do governador Eduardo Moreira (MDB), foi outro atropelado pelas urnas, situação igualmente vivenciada pelo candidato a federal César Souza Júnior (PSD), ex-prefeito de Florianópolis, município em que fez apenas 1.971 votos, o correspondente a 0,68% do eleitorado local.

Nominalmente, a derrocada para quem disputou a Assembleia Legislativa foi maior ainda. Metade dos que disputaram à reeleição ficaram no meio do caminho. A deputada Dirce Heiderscheidt (MDB), que tentava o terceiro mandato, foi a primeira a ficar na poeira. O mesmo aconteceu com o atual presidente do parlamento catarinense, Silvio Dreveck (PP), e com Serafim Venzon (PSDB), duas vezes deputado federal e outras duas estadual. Os casos de caciques que se deram mal no último dia 7 enchem uma página, e podem ser exemplificados através da derrota de Valmir Comin (PP), que esta há 20 anos no parlamento catarinense e tentava seu sexto mandato.

Nenhuma derrota foi mais emblemática, no entanto, do que a do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que buscava uma cadeira no Senado Federal. Colombo ficou na quarta colocação entre os postulantes da Câmara Alta, isto, poucos meses depois de ter deixado o governo que comandara por mais de sete anos. Parece mais do que claro que o pleito deste ano esta marcado pela aurora da mudança.

Notas

Se continuarem inflacionando cada vez mais o Bolsa Família, como já estão, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), daqui a pouco, vão desencadear um pedido de demissão em massa no país. Bolsonaro já disse que vai criar o 13º para o benefício. Já Haddad se comprometeu em aumentar em 20% o valor do programa a partir de janeiro. Enquanto isto, ao longo dos últimos 15 anos, o setor produtivo do país já contribuiu com nada menos do que R$ 300 bilhões para que o Bolsa Família esteja em operação.

Programas dos candidatos à Presidência da Republica têm algumas propostas, no mínimo, curiosas. No programa de Jair Bolsonaro (PSL) o candidato defende a criação de um banco de DNA de todos os criminosos do país, para que se possa identificar com maior agilidade os crimes cometidos. Ele argumenta que 80% dos crimes são praticados pelos criminosos de sempre. Com o banco de DNA a solução do crime seria mais rápida. Fernando Haddad (PT), por sua vez, encampou o compromisso de Ciro Gomes (PDT) de limpar o nome dos devedores que estão com nome sujo no SPC e Serasa. A proposta se chama Divida Zero, e objetiva liberar linha de crédito nos bancos estatais para que os mormaços paguem suas contas com juros subsidiados.

Eleitos para a Câmara Federal, que tomarão posse ano que vem, serão mais instruídos dos que os atuais. Mais de 80% dos futuros deputados e deputadas têm o ensino superior completo, 10% a mais do que a atual legislatura. A participação feminina também aumentou bastante. Hoje temos 51 deputadas. A partir de 2019 serão 77. Pela média, os parlamentares terão 49 anos de idade. A renovação também foi significativa. Nada menos do que 54% não são deputados reeleitos.

Persistida a tese da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, e implantado definitivamente quatro praças de pedágio no Sul do Estado, um cidadão de Passo de Torres, que quiser ir a Florianópolis, terá que pagar nada menos do que R$ 42,00 para chegar de volta em casa. É que a ideia é a de se implantar praças de pedágio em São João do Sul, Maracajá, Tubarão e Laguna, e ainda transformar o pedágio de Paulo Lopes em uma praça ligada ao sistema da BR 101-Sul, todas com tarifa de R$ 4,20 para veículos leves. Serão dez pagamentos, ida e volta. Há argumentos jurídicos que podem ser utilizados para que a praça de Paulo Lopes mantenha a atual tarifa de R$ 2,70, mas dificilmente o pessoal de Brasília vai abrir mão desta receita.

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