Rolando Christian Coelho
11/10/2018 10h30

Se cassação de Sombrio for exemplo, 30 deputados perderão mandato

Coluna Rolando Christian Coelho, 11/10/2018

Em agosto deste ano cinco vereadores de Sombrio foram cassados porque, supostamente, a coligação a que pertenciam havia inscrito mulheres como candidatas, meramente para que fossem preenchidos os requisitos legais da legislação eleitoral vigente. De fato, várias candidatas da referida coligação, encabeçada por MDB e PSB, fizeram votações pífias.

Se a Justiça Eleitoral for seguir a mesma austeridade em relação à eleição estadual deste ano, vai faltar gente para preencher vagas na Assembleia Legislativa do Estado.

Na coligação encabeçada pelo PR, que elegeu três deputados, sete candidatas à deputada fizeram menos de 120 votos, para um contingente eleitoral de mais de 4 milhões de votos. Na coligação encabeçada pelo MDB e PSDB, que elegeu onze deputados, oito candidatas fizeram menos de 300 votos. Na coligação encabeçada pelo PV, que elegeu um deputado, sete candidatas fizeram menos que 110 votos. Na coligação encabeçada por PSB e PRB, que elegeu quatro deputados, cinco candidatas fizeram menos de 150 votos. Na coligação encabeçada por PSD e PP, que elegeu nove deputados, sete candidatas fizeram menos que 300 votos. A coligação encabeçada pelo PDT, por sua vez, elegeu dois deputados, e nela quatro candidatas fizeram menos que 200 votos.

O PT, de Décio Lima, que elegeu quatro deputados, e o PSL, de Comandante Moisés, que elegeu seis, parecem ter sido as únicas exceções, pois mesmo as mulheres menos votadas fizeram votações, no mínimo, convincentes.

Se a regra aplicada no caso de Sombrio for repetida, nada menos do que 30 deputados estaduais eleitos teriam que perder seus mandatos, já que fazer 200 ou 300 votos em nível estadual corresponde a uma votação infinitamente inferior a fazer 20 ou 30 votos em Sombrio.

Notas

Esquerda catarinense teve o pior desempenho de toda sua história nas urnas, desde o restabelecimento da democracia plena no país. Pela média, candidatos em todos os níveis, majoritários e proporcionais, somados, não alcançaram 15% da simpatia dos eleitores catarinenses. O PT elegeu apenas um deputado federal. O partido também só emplacou quatros estaduais, e o PDT dois. A conta fechou por ai.

Aliados de Gelson Merisio (PSD), candidato ao governo catarinense, estão se desdobrando na tarefa de compartilhar vídeo em que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) diz que não tomará partido, no segundo turno, na eleição catarinense. O vídeo virou uma espécie de salvo-conduto de Merisio diante do eleitorado de Bolsonaro. Na via inversa, tropa de elite de Comandante Moisés (PSL) está tentando obter de Bolsonaro uma declaração de apoio explícito ao candidato de seu partido. A bem da verdade, o presidenciável fez uma declaração totalmente desnecessária. Ficou com receio de perder apoio dos simpatizantes de Merisio, todavia, os simpatizantes do candidato do PSD têm antipatia natural a Fernando Haddad (PT).

O tal voto de legenda continua injustiçando muita gente. Ivan Naatz (PV) foi eleito deputado estadual por Santa Catarina com apenas 14.685 votos. Nada menos do que outros 35 candidatos, dos mais diversos partidos, fizeram mais votos do que ele e não se elegeram, a exemplo de Dóia Guglielmi (PSDB), que emplacou quase 30 mil votos e ficou novamente na poeira.

Ainda que tenha feito 10 mil votos a menos que em 2014, deputado estadual José Milton Scheffer (PP) se reelegeu com folga. Ainda sobraram quase 9 mil votos em relação a Altair Silva, último eleito pelo Progressistas, que fez 30.497 votos. Zé Milton fez 39.196. Na eleição de 2014 havia feito 49.489 votos. Diga-se de passagem, a Onda Bolsonaro foi na verdade um tsunami. Em 2014 o deputado estadual mais votado foi Gelson Merisio, atual candidato ao governo pelo PSD, que fez 119.280 votos. Na eleição deste ano, o deputado estadual mais votado foi Ricardo Alba (PSL), que fez 62.762 votos. Observe que mesmo sendo candidato pelo PSL, Alba fez menos da metade dos votos que Merisio fez há quatro anos.

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