Rolando Christian Coelho
24/09/2018 10h00 - Atualizado em 24/09/2018 10h06

A exemplo de Merisio, Mariani também está numa sinuca de bico

Coluna Rolando Christian Coelho, 24/09/2018

Diante da pressão da maioria de seus correligionários, que estão debandando para a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência, o candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSD), está caminhando no fio da navalha para não desprestigiar apoiadores de peso, mas também para não ganhar a aversão dos petistas, por óbvio, de olho no segundo turno da eleição estadual. Na prática, Merisio almeja chegar à segunda etapa da eleição com Mauro Mariani (MDB), recebendo, nesta fase, o apoio do PT para seu projeto. Neste sentido, abraçar a candidatura de Bolsonaro poderia ser um tiro no pé.

Do outro lado da moeda, a situação vivenciada por Mariani não é muito diferente. Com uma candidatura mais encaminhada com vistas ao segundo turno, o candidato do MDB também quer o apoio do PT, mas, para isto, precisaria declarar apoio, na próxima fase da eleição, ao presidenciável Fernando Haddad (PT). O problema de Mariani é que Santa Catarina deverá ser um dos Estados em que Bolsonaro ganhará com uma das maiores diferenças proporcionais do país, em relação a seus adversários no primeiro turno, a exemplo do que acontecerá em relação a seu oponente direto no segundo turno. Afora isto, o PSDB, de Napoleão Bernardes, candidato a vice de Mariani, é arqui-inimigo do PT de Haddad.

Não à toa o desconforto é generalizado, tanto dentro do PSD de Merisio, quanto do MDB de Mariani. A lógica manda Merisio se abraçar a Bolsonaro, por conta de seu grupo de apoio. Mesma lógica que sugere que Mauro Mariani declare voto a Haddad, na busca do apoio petista, partido mais sintonizado com o MDB, do que com o PSD. Em qualquer um dos casos, os riscos de que as coisas deem certo, são os mesmos de que deem errado.

Notas

De olho nas bases, deputada federal Geovânia de Sá (PSDB) e o deputado estadual José Milton Scheffer (PP), ambos postulantes à reeleição, fizeram corpo a corpo ontem, em Timbé do Sul, por ocasião da festa que comemorou os 51 anos de emancipação político-administrativa do município. Vale lembrar que o prefeito Beto Biava, que administra Timbé do Sul, é do mesmo partido de Zé Milton, e a vice-prefeita Tati Alexandre é filiada aos tucanos de Geovânia.

Números da pesquisa Ibope que colocam Gelson Merisio (PSD) com 18% das intenções de votos dos catarinenses, no que diz respeito à disputa governamental, e Décio Lima (PT) com 17%, são, no mínimo, para lá de estranhos. Merisio tem uma coligação robusta, integrada ou apoiada por lideranças estaduais como Raimundo Colombo (PSD), Esperidião Amin (PP), João Paulo Kleinubing (DEM), Paulinho Bornhausen (PSB), Manoel Dias (PDT), e um caminhão de outros caciques da política estadual. Décio, por sua vez, está sozinho com seu desgastado PT. Na mesma pesquisa, Mauro Mariani (MDB) tem 21%. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, com 812 eleitores, e margem de erro de 3%. Ela está registrada no TRE sob o número SC-05212/2018. Os demais candidatos, votos brancos, nulos e indecisos somam 44%.

Os três candidatos a deputado estadual de nossa região que mais têm buscado contato com a imprensa local são, nesta ordem: José Milton Scheffer (PP), Evandro Scaini (PSD) e Lise Tuon (PSD). Nestes três casos se observa uma lógica na forma e no formato de se comunicar com o eleitorado através dos veículos de comunicação aqui do Extremo Sul. Em todos os demais casos os contados são esporádicos, falhos e imprecisos.

Disputa pelo Senado Federal em Santa Catarina está para lá de feia. De acordo com Ibope, Esperidião Amin (PP) tem 30%, Raimundo Colombo (PSD) 27% e Paulo Bauer (PSDB) 25%. Em princípio, os três irão brigar pelas duas vagas existentes. A principal ameaça recai sobre a candidatura de Colombo. Esta pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, com 812 eleitores, e margem de erro de 3%. Em relação à pesquisa anterior, realizada entre 14 e 16 de agosto, Colombo não subiu nenhum ponto, mas, por sua vez, Amin pulou de 23% para 30% e Bauer de 19% para 25%. Ou seja, há uma tendência que Amin se consolide em primeiro, e que Paulo Bauer encoste no candidato do PSD. Com 13%, Jorginho Mello parece estar fora do jogo, a exemplo dos demais candidatos, que pontuaram entre 1% e 8%. A pesquisa está registrada no TRE sob o número SC-05212/2018.

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