Rolando Christian Coelho
14/09/2018 11h00

Ganância do Estado foi o que criou Jair Bolsonaro

Coluna Rolando Christian Coelho, 14/09/2018

Ganância do Estado foi o que criou Jair Bolsonaro

Figuras ligadas ao populismo político não surgem do nada. Via de regra, elas estão ligadas a desdobramentos sociais. Getúlio Vargas, por exemplo, surgiu no cenário nacional como uma alternativa a velha política do Café com Leite, que privilegiava, sempre, os interesses do Estado de São Paulo, grande produtor de café, e de Minas Gerais, à época grande produtor de gado, e, por consequência de leite. Afora São Paulo e Minas, até a década de 1920, para o governo, o resto do Brasil só existia no mapa. Neste contexto, sulistas e nordestinos se unem em torno de Vargas, derrubando os donos no poder.

Lula da Silva, por sua vez, surgiu por conta da burrice das elites, que se esqueceram que o povo precisava, no mínimo, do múnimo para sobreviver. Por conta disto, criou-se uma massa de brasileiros esfarrapados, que, embora trabalhassem dia e noite, só conseguiam, meramente, acumular dinheiro para pagar as contas do mercado no final do mês.

Por sua vez, Jair Bolsonaro está posto no cenário político por conta da ganância do Estado. Uma ganância desmedida, que cerca o cidadão por todos os lados, sem dar a ele as respostas que naturalmente lhes seria devida. Por conta do inchaço estatal, os atuais donos do poder ficam dia e noite maquinando formas de extorquir a população. O expediente mais comum utilizado para isto são as multas, sejam elas de transito ou ambientais, as exigências quase que irracionais, derivadas das ações de bombeiros e fiscais, de todas as esferas de poder, além dos juros abusivos praticados pelas instituições financeiras. Paralelo a isto, uma infinidade de impostos e taxas, de todas as ordens, além de uma legislação trabalhista, que, em que pese as reformas, ainda constitui uma adaga do pescoço do setor produtivo.

Por conta disto tudo, se poderia imaginar que o governo estaria, meramente, cobrando pelos serviços que presta. Só que na prática não é isto que vemos. Nossa região, por exemplo, está começando a ser tomada pela marginalidade, com assaltos a mão armada sendo praticados em plena luz do dia, mesma luz do dia que é palco para a aplicação infindável de multas de trânsito pelas autoridades policiais, que, em tese, deveriam estar arrebentando portas de vagabundos. Não à toa a população está revoltada. Não à toa o discurso de Bolsonaro tem sido tão assimilado por uma significativa parcela da população que não aguenta mais carregar o Estado nas costas.

Notas

Maioria dos candidatos a deputado estadual de nossa região parece querer evitar o eleitor. São 13, no total, mas nem metade está se preocupada, ao menos, em fazer uma boa campanha eleitoral através das redes sociais, que, em tese, pode ser realizada a um custo baixíssimo. Devem estar crendo que os eleitores irão psicografar suas propostas, número de candidatura e, também, se responsabilizar pela propagaçãode seus nomes.

Candidato a deputado federal Leodegar Tiscoski (PP) começou a utilizar, em sua campanha, imagens de obras e ações realizadas por ele, ao longo de quase 40 anos de vida pública. Neste sentido, o pessoal do marketing de Leodegar tem focado seus esforços na divulgação de conquistas para o Sul do Estado como a Serra do Rio do Rastro, cujo projeto é dele, enquanto engenheiro, e em uma dezena de outros feitos, como o aeroporto de Jaguaruna, projetos de saneamento básico, mobilidade urbana, obras estruturais, e por ai afora. Afastado da política eleitoral há mais de dez anos, na prática, Leodegar está preocupado em fazer com que os eleitores se recordem de seus feitos.

Ressonância na região do nome de Jorginho Mello (PR), que é candidato ao Senado Federal com o explícito apoio do MDB, é praticamente nula. As três candidaturas francamente discutidas, e defendidas, são as de Esperidião Amin (PP), Raimundo Colombo (PSD) e Paulo Bauer (PSDB). O MDB, que deveria abraçar a candidatura de Jorginho, está tendo, em maioria, como primeira opção de voto Paulo Bauer, e a segunda Colombo.

Candidatos a deputado estadual Rodrigo Turatti (PSL), de Araranguá, e Lise Tuon (DEM), de Jacinto Machado, estão utilizando uma arma extra na tentativa de convencer o eleitorado. Ambos têm argumentado que, por conta de estarem filiados a partidos não tradicionais, que estão aliados a outras pequenas siglas, integrando coligações com muitos candidatos, precisarão de metade dos votos de candidatos
do MDB, PSD, PSDB e Progressistas para se eleger. Turatti e Lise estimam que com menos de 20 mil votos alcancem uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em circunstâncias similares, na última eleição, Cesar Valduga (PCdoB) foi eleito com 18.244 votos e Cleiton Salvaro (PSB) com 14.986.

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