Rolando Christian Coelho
28/08/2018 11h15 - Atualizado em 28/08/2018 11h16

Bolsonaro terá que se desdobrar para chegar ao segundo turno

Rolando Christian Coelho, 28/08/2018

Bolsonaro terá que se desdobrar para chegar ao segundo turno

Ao contrário do que se possa imaginar, não será fácil para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) chegar ao segundo turno no pleito eleitoral deste ano. Atualmente, com Lula da Silva (PT) na disputa, Bolsonaro ocupa a segunda colocação dentre os candidatos à Presidência, de acordo com as pesquisas que vêm sendo publicadas. Quando Lula é tirado do cenário, Bolsonaro lidera absoluto.

O problema de Bolsonaro, no entanto, é que ele fez uma aliança com o povo, e não com as elites políticas. Notadamente, hoje, as elites estão com o PT, através do apoio manifesto de figuras ligadas ao MDB do Norte e Nordeste à candidatura de Lula, ou com Geraldo Alckmin (PSDB), através dos apoios que ele vem recebendo principalmente no Sudeste r no Sul do país.

Para Bolsonaro tem sobrado o povão, a absoluta maioria sem qualquer tipo de vinculação partidária. Com raríssimas exceções, não existem vereadores, vice-prefeitos, prefeitos, governadores, ou um contingente significativo de deputados trabalhando por sua candidatura. Trata-se meramente de uma aliança entre Bolsonaro e o povo, e é ai que reside o perigo em sua candidatura.

Na prática, o candidato do PSL não tem a chamada capilaridade política, que nada mais é do que o eleitor amarrado a alguma liderança comunitária ou política maior, que influencia seu voto. Pelo menos não tem na quantidade que deveria ter para enfrentar uma eleição presidencial.

A capilaridade de PT e PSDB, adubada por seus notórios conchavos, são infinitamente maiores que a do PSL. Está faltando ao PSL neste pleito o aporte de um grande partido, que, aliás, sempre foi preterido por Bolsonoro. Ele não o quer. O problema é que em não o querendo, acabou indo para o tudo ou nada.

De todo modo, seria histórico no Brasil alguém vencer a disputa presidencial apenas com o apoio do povo. Até hoje ninguém conseguiu. Nem Lula, nem Juscelino, nem Getúlio Vargas. Todos tiveram que pagar caro pelo poder.

Notas

Elogiavel campanha áudio-visual, assim como material publicitário, do candidato a deputado estadual Evandro Scaini (PSD), tem a assinatura da Aspekto Comunicação, de Araranguá. É, de longe, o material de campanha mais bem elaborado dentre todos aqueles que concorrem a cargos eletivos neste ano por nossa região. Em tempos cada vez mais midiáticos, não há como um candidato abrir mão de uma boa assessoria de marketing. Ou faz isso, ou morre na praia.

Influência do governador Eduardo Moreira (MDB) na eleição proporcional deste ano, em nossa região, está cada vez mais escancarada. Praticamente todas as principais lideranças do MDB do Extremo Sul estão trabalhando pela dobradinha composta por Ronaldo Benedet (MDB) a federal, e Luiz Fernando Vampiro (MDB) a estadual. As exceções são muito raras. Através de seus asseclas, Moreira tem sugerido que “seria muito para o Sul do Estado se Benedet e Vampiro se reelegessem”. É provável, que por conta do empurrãozinho, ambos figurem entre os mais votados.

Não está nada fácil para as cúpulas dos partidos, em nível estadual, manter o alinhamento das coligações feitas lá em cima, com a realidade cá embaixo. O PSB de Sombrio, por exemplo, está no governo do prefeito Zênio Cardoso (MDB), e alinhado com a candidatura de Mauro Mariani (MDB), ainda que a sigla esteja coligada com o PSD de Gelson Merisio. O mesmo acontece em relação ao PSC. Casos assim, de um lado, ou do outro, estão espalhados em todos os municípios da região.

Durante entrega de ordem de serviços para a realização de obras do executivo municipal, ontem, em Araranguá, prefeito Mariano Mazzuco (PP) mudou discurso pessimista que o acompanhava até pouco tempo. Fez leve referência aos famosos precatórios devidos pela prefeitura, e preferiu falar sobre “o futuro brilhante” que está a espera de Araranguá, “por conta do saneamento das contas públicas e de uma gestão voltada para o equilíbrio fiscal”. Ressaltou que “o controle efetivo das receitas e despesas do executivo trarão, em breve, muitos proventos para o município”.

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