Rolando Christian Coelho
30/07/2018 10h00 - Atualizado em 30/07/2018 10h22

Amin ratifica candidatura e vai para o tudo ou nada

Rolando Christian Coelho, 30/07/2018

Amin ratifica candidatura e vai para o tudo ou nada

Se há algo que não falta ao deputado federal e ex-governador Esperidião Amin (PP) é coragem. Diante de uma encruzilhada que o colocava como candidato praticamente eleito ao Senado, em uma aliança com o PSD, e também como candidato ao governo, de forma autônoma, num duríssimo possível segundo turno, Amin optou pelo caminho das pedras.

No sábado teve seu nome referendado pelos progressistas para disputar pela quinta vez a governadoria catarinense. Das outras quatro vezes, ganhou duas e perdeu outras duas. O pleito deste ano será o do desempate, que, por óbvio, ele espera que lhe seja favorável.

Por ora Esperidião lidera as pesquisas quando o eleitor é questionado diante de uma lista contendo vários nomes de peso, com vistas ao Governo do Estado. De fato, Amin tem grandes chaces de chegar ao segundo turno, por conta de seu histórico de serviços prestados à população catarinense. Seu grande calcanhar de Aquiles, no entanto, é a dificuldade de formar alianças na segunda etapa da eleição. Isto se dá porque Esperidião tem fama de centralizador. Na prática, supostamente ele não gosta de dividir o poder, mesmo diante de um cenário político mundial aonde os governos deixaram de ser verticais, em nome da governabilidade.

Não à toa Amin vinha e vem mantendo estreita relação com o PSD de Gelson Merisio, e com o PSDB de Paulo Bauer. Ele quer garantir uma sintonia fina com estas siglas caso chegue ao segundo turno. Pelo andar da carruagem, além de Esperidião, também concorrerão ao governo Merisio, Paulo Bauer, e ainda Mauro Mariani (MDB) e Décio Lima (PT), além de mais três ou quatro representantes de partidos nanicos.

A fragmentação beneficia Amin, que tem um eleitorado cativo, do mesmo modo que beneficia Mariani, pela estrutura partidária que tem. Esta é a lógica do segundo turno. Todavia, pela lógica, metade dos que já foram candidatos a governador de Santa Catarina nunca teriam perdido uma eleição, e outra metade nunca teria ganho.

Notas

Oficializada a candidatura de Esperidião Amin (PP) ao governo estadual, deputado federal Jorge Boeira (PP) colocou seu nome a disposição para concorrer ao Senado Federal. Com Amin ao governo, João Paulo Kleinubing (DEM) a vice, e Boeira ao Senado, a chapa progressista cobriria, geograficamente, toda a faixa litorânea do Estado, onde estão mais de 70% dos eleitores catarinenses. A confirmação de Kleinubing a vice, e de Boeira ao Senado, no entanto, ainda dependem de tratativas que se estenderão até o próximo dia 5 de agosto.

Mesmo com o deputado federal Jorge Boeira (PP) se dispondo a ser candidato ao Senado, deputado estadual José Milton Scheffer (PP) diz que manterá seu projeto de reeleição. A vaga que poderá ser deixada em aberto por Boeira tem um rosário de outros postulantes progressistas, dentre eles o deputado estadual Valmir Comin, o presidente da Câmara de Tubarão, Pepê Colaço, o ex-prefeito de Forquilhinha, Lei Alexandre e o ex-deputado federal Leodegar Tiscoski. Outro nome bastante especulado é o do ex-prefeito de Criciúma, Márcio Búrigo, que não está com nenhum projeto consolidado para este ano. Mesmo que perca, não perderia nada.

Candidato a deputado estadual pelo PSD, turvense Ulisses Gabriel tem anunciado uma série de apoios de relevância na região. De acordo com ele, estão irmanados a sua campanha à Assembleia Legislativa os ex-presidentes da Câmara Municipal de Araranguá, Giancarlo Soares de Souza e Jairo Costa, além de várias outras lideranças de expressão da Cidade das Avenidas. Nomes como Nano Freitas, em Sombrio, Afonso Possamai, em Jacinto Machado e Jairo Pelegrini, em Meleiro, também estão na lista de apoiadores de Ulisses.

Lançamento de múltiplas candidaturas ao governo catarinense neste ano criou um fenômeno interessante. Em princípio, MDB, PP, PSD e PSDB lançarão apenas um candidato ao Senado Federal, deixando a segunda vaga em aberto. O objetivo é fazer dobradinhas brancas. O pessoal do PP, por exemplo, votaria em seu candidato e também em Raimundo Colombo (PSD). Votos cruzados também poderiam acontecer no que diz respeito a MDB e PSDB. Problema é conseguir pactuar estes cruzamentos, e mais difícil ainda é garantir que isto servirá para alguma coisa no segundo turno. De todo modo, não custa nada tentar.

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