Rolando Christian Coelho
18/07/2018 10h00

Líderes do Sul são bem mais racionais que caciques estaduais

Rolando Christian Coelho, 18/07/2018

Líderes do Sul são bem mais racionais que caciques estaduais

Líderes político do Sul do Estado têm demonstrado ser mais coerentes do que os caciques estaduais de suas siglas. Enquanto lá em cima as cúpulas de PP, PSD, PSDB e MDB fazem das tripas coração para impor suas vontades, cá embaixo a razão tenta se impor à emoção.

No PP, por exemplo, Esperidião Amin acabou brotando, do nada, como candidato ao governo, depois que uma aliança com o PSD já estava praticamente sacramentada. Aliança que ajudou a ser costurada pelos deputados estaduais sulistas José Milton Scheffer e Valmir Comin, que chegou a ser secretário de Estado do então governador Raimundo Colombo (PSD). Zé Milton e Comin sempre defenderam uma coligação com o PSD, mesmo que fosse para compor como vice, tese não digerida por Amin.

No PSD, desde um primeiro momento, Gelson Merisio se impôs como candidato ao governo, no que foi combatido pelo ex-deputado Júlio Garcia e pelo deputado Ricardo Guidi, líderes da sigla no Sul do Estado que preferem trilhar pelo caminho das conversações, até que tudo se ajeite. Conversações que envolveriam tanto o MDB quanto o PSDB, siglas excluídas do rol de Merisio.

No PSDB o senador Paulo Bauer insiste na tese de candidatura própria. Mesmo com um partido sem capilaridade estadual, e ainda que sozinho, Bauer se diz candidato a governador, no que é contestado pela deputada federal Geovânia de Sá e pelo prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, tucanos sulistas que defendem aliança para a disputa de 2018, preferencialmente com o PP.

No MDB, talvez esteja o maior exemplo de que os políticos do Sul têm realmente os pés no chão. Mesmo com a caneta de governador nas mãos, Eduardo Moreira (MDB) abriu mão de sua condição de candidato natural à reeleição para apoiar o projeto moribundo de Mauro Mariani, em nome da unidade partidária. Eduardo tinha mil vezes mais chances de fechar acordo com o PSDB do que Mariani, mas este não entendeu assim e não abriu mão de ser cabeça de chapa. O MDB corre o sério risco, agora, de concorrer com chapa pura, ou de ter que ceder espaços majoritários preciosos à siglas de pouca expressão, em troca de meia dúzia de votos.

Notas

Expectativa é grande por conta da coletiva convocada para hoje pelo suplente de deputado estadual Manoel Mota (MDB). Rumores dão como certa a desistência de Mota da corrida sucessória. Pessoal da velha guarda do MDB de Araranguá, no entanto, tem dito que o parlamentar está fazendo cena, objetivando se valorizar dentro de seu partido, em nível estadual. Estaria querendo compromissos mais sólidos de Eduardo Moreira e Mauro Mariani diante de seu projeto de reeleição. Parlamentar precisa ficar atento para não criar uma situação para a qual não tenha forças para reverter depois. Se desistir e não tiver o apoio para seu retorno ao cenário eleitoral, está fora do jogo para sempre.

Já estão em execução as obras de contenção das margens do rio Mampituba e rio Morto, em Passo de Torres, uma reivindicação que atravessou gerações. Os recursos na ordem de R$ 721 mil foram conquistados pelo prefeito Jonas Souza (MDB) através do Ministério da Integração Nacional, depois do endosso da Secretaria da Integração Social e da Defesa Civil. Paralelo a contenção, também serão realizadas obras de urbanização naquelas cercanias, que se constituirão n um atrativo a mais a já turística barra do Mampituba. De acordo com Jonas, os trabalhos deverão estar concluídos até o próximo dia 31 de dezembro.

Se existe um político otimista neste momento em Santa Catarina ele atende pelo nome de Raimundo Colombo (PSD). Apesar de todos os pesares dos últimos dias, o ex-governador continua acreditando piamente que seu partido conseguirá encabeçar uma coligação que conte, também, com PP, PSDB, PSB e DEM, além de um rosário de outras siglas, a exemplo de PDT, PRB, PCdoB e por ai afora. Piamente convicto disto, Colombo mantém franca conversa com lideranças do PP e hoje se reunirá com o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), para discutir o pleito deste ano. A aposta dele é a de que tudo se encaixará aos 45 do segundo tempo.

Depois de ter tirado o executivo municipal de Araranguá do ostracismo, por 20 dias, vice-prefeito Primo Júnior (PR) retomou suas atividades empresariais se dizendo muito satisfeito, e agradecido, pelo período em que administrou a prefeitura. A forma diferente de governar de Primo Júnior também serviu para que o PP, do prefeito Mariano Mazzuco, repensasse seu modus operandi na gestão municipal. Cúpula do partido já sentiu que, no passo que vai, Mariano poderá levar a sigla para o brejo. Intenção é fazer com que a administração municipal passe por uma reoxigenação. Neste sentido, já há cacique progressista falando que “o governo de Mariano recomeçará do zero”.

 

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