Rolando Christian Coelho
11/07/2018 10h07

Se tiver juízo, Esperidião Amin deverá concorrer ao Senado

Rolando Christian Coelho, 10/07/2018

Se tiver juízo, Esperidião Amin deverá concorrer ao Senado

Coragem é algo que nunca faltou ao ex-governador e atual deputado federal Esperidião Amin (PP). Com 28 anos, em 1975, ele assumiu pela primeira vez o comando da Prefeitura de Florianópolis. Com pouco mais de 30 era secretário de Estado, e com 36 assumiu o governo catarinense, também pela primeira vez. Tem um curriculum invejável, em que pese as derrotas a que foi exposto.

O problema de Amin é que ele não tem mais 28 anos. Na verdade está à beira dos 71, idade em que qualquer político precisa pensar muito bem sobre seu futuro, pois qualquer erro pode lhe jogar definitivamente no ostracismo.

Amin almeja concorrer ao governo, mas seu partido não tem lastro para isto. O PP nem de longe tem a capilaridade eleitoral que tinha em Santa Catarina até a década de 1990. Em concorrendo ao governo, Amin não iria poder contar com mais que dez candidatos de peso ao parlamento este ano, por sua sigla. Grande parte da velha guarda do antigo PDS hoje está abrigada em outros partidos, fazendo justamente oposição a ele.

Sem grandes expectativas de uma coligação consistente no primeiro turno, para disputar o governo, o cacique progressista ficaria à mercê de uma aliança com o PSD na segunda etapa da eleição, caso Gelson Merisio (PSD) não chegasse lá. Neste sentido, tudo começa a jogar contra Amin. Primeiro porque nada garante que ele chegaria ao segundo turno. Em chegando, ninguém garante que o PSD o apoiaria. Em apoiando, ninguém garante que o partido manifestaria este apoio de forma integral, coesa. No Sul do Estado, por exemplo, Júlio Garcia (PSD) já cansou de declarar amores ao MDB.

São tantas as nuances que envolve esta situação, que a melhor coisa que Esperidião Amin faria seria disputar o Senado Federal, manifestando apoio à candidatura governamental de Gelson Merisio. As chances de vitória de uma aliança que englobe PSD, PP, PSB e DEM são muito grandes. Amin ganharia um mandato de oito anos como senador, com grandes chances de reeleição no longínquo 2026.

Notas

Com o deputado federal Esperidião Amin (PP) concorrendo ao governo, ou ao Senado, o também deputado federal Jorge Boeira deverá ser o candidato progressista, à Câmara Federal, mais bem votado neste ano em Santa Catarina. É que afora Amin e Boeira, o PP não conta com outro nome de peso para ultrapassar os 130 mil votos neste ano, marca que deverá ser alcançada com facilidade pelo araranguaense. Interessante observar que o deputado estadual José Milton Scheffer, de Sombrio, também se encaminha para ser o mais votado de seu partido à Assembleia Legislativa.

Suplente de deputado estadual Manoel Mota (MDB), pasmem, diz que pretende reavaliar sua candidatura à reeleição. Hoje terá encontro com o governador Eduardo Moreira (MDB), em Florianópolis, para tratar do tema. Mota está se sentindo desprestigiado pelo governo estadual, que não tem liberado recursos que haviam sido intermediados por ele. Também tem reclamado do excesso de candidaturas do MDB a deputado estadual no Sul do Estado. Além de Ada de Luca e Luiz Fernando Vampiro, o MDB pretende lançar à Assembleia o ex-prefeito de São Ludgero, Volnei Weber.

Secretário de Administração e Finanças de Timbé do Sul, ex-vereador Marlon Panatta, tem mantido contatos com líderes do PSD, seu partido, em toda Comarca de Turvo e Meleiro, buscando angariar apoio para a candidatura a deputado estadual de Evandro Scaini (PSD). De acordo com Panatta, “finalmente chegou a hora do PSD ter autonomia política na região da Amesc”. Historicamente, o partido sempre foi dependente de líderes da região de Criciúma e Tubarão, desde a época do PFL. “O Evandro representa uma espécie de carta de alforria do PSD de nossa região”, comenta o secretário.

Maioria dos líderes do MDB de nossa região, com quem tenho conversado, defendem a tese de que o partido deva entregar a vaga de candidato a vice-governador, e as duas de senador, para outras siglas. Neste sentido, são contra a candidatura do ex-governador Paulo Afonso Vieira (MDB) ao Senado, pois ela limitaria o poder de articulação, e de composição, do partido. O PSDB continua sendo o aliado preferido, a quem se poderia dar a vaga de vice e uma ao Senado. A outra ao Senado ficaria aberta para atrair outra sigla de peso. O PR de Jorginho Mello desponta na preferência da composição.

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