Rolando Christian Coelho
15/01/2018 14h13

Brasil quer um santo, não um presidente

Rolando Christian Coelho, 15/01/2018

“O poder público, em sua essência, é bom e humano. O mau não está no poder, mas na ganância das pessoas que se esquecem de seu compromisso com o povo e agem meramente em prol de si mesmas”.

Getúlio Vargas (1882/154) – Ex-presidente do Brasil

Brasil quer um santo, não um presidente

Se formos seguir a lógica pseudo-moralista dos eleitores brasileiros, vai ser difícil alguém chegar a Presidência da República através da eleição nacional deste ano. Lula da Silva (PT) não serve para o cargo, afinal de contas, é o tal chefe da quadrilha que desencadeou o Mensalão e a Lava Jato. Alias, se bobear, antes do final do mês poderá estar na cadeia, depois do julgamento, em segunda instância, do processo que o condenou à nove anos e meio de prisão. Jair Bolsonaro (PSC) também não serve. Seu patrimônio é maior do que aquilo que ele ganhou nos últimos anos, o que prova que há algo de poder no reino da Dinamarca. Ele chega ao ponto de receber auxílio moradia, mesmo tendo apartamento próprio em Brasília, o que é uma vergonha.

Geraldo Alckmin (PSDB), então, é uma aberração política, quando o assunto é moralidade. Há anos o Ministério Público investiga casos de superfaturamento e pagamento de propina na construção de linhas de metro em São Paulo. Dinheiro grosso, já que são bilhões de reais envolvidos com comissão de 5% sobre as obras realizadas. Ninguém sabe, aliás, porque Alckmin quer tanto dinheiro.

Álvaro Dias (Podemos) é outro que deveria olhar para o espelho quando fala em imoralidade na esfera pública. O atual senador, que comandou o Paraná entre 1987 e 1991, teve coragem de entrar com processo contra o governo de seu Estado solicitando aposentadoria retroativa, relativa mais de 20 anos depois de ter deixado o comando do governo estadual. O povo do Paraná, aliás, não parece dever muito a Álvaro Dias, já que desde 1971 ele pula de um cargo público para outro, sempre com salários abastadores.

E o que dizer então de Marina Silva, que foi eleita senadora pelo PT do Acre, em 1994, reeleita em 2002, mas não renunciando em 2009, quando deixou o PT para se filiar ao PV. A legislação é bem clara, dando conta de que o político que deixar seu partido deliberadamente, perde seu mandato, salvo em caso de fusão partidária ou janela de transferência, o que não era o caso. Na prática Marina exerceu um mandato de senadora por três anos de forma totalmente irregular. O PT não exigiu o mandato para seu suplente por conveniência, o a Justiça Eleitoral não o fez por covardia. Vale lembrar que Marina sempre se posicionou contrária a pesquisas com células-tronco, que podem salvar milhares de vidas, contra projetos que criminalizam a homofobia, além de projetos que visem a redução da maioridade penal. Tudo por conta de dogmatismo religioso, em um país cuja Constituição Federal diz sermos um Estado laico.

Michel Temer (PMDB) e Henrique Meireles, depois de um aumento de R$ 17,00 no salário mínimo dispensam comentário. Quanto a Ciro Gomes (PDT), melhor nem falar. Vai que ele me dá um soco na cara.

Pelo que se vê, pisar no rabo dos outros é uma maravilha. Problema é encarar o tamanho do próprio rabo.

Dom Joaquim

Final de semana com polêmica envolvendo o funcionamento do Hospital Dom Joaquim, de Sombrio, que é administrado pelo Instituto Isev. De um lado a médica Cynthia Mota Lima emitindo nota, dando conta da suposta falta de insumos, medicamentos e profissionais para atender a população na referida unidade de saúde, aconselhando, até mesmo, às pessoas a buscarem atendimento na UPA de Araranguá, ou no Hospital Regional (!). Do outro lado, o diretor administrativo do Dom Joaquim, Valmiro Charrão Júnior, ressaltando que as referidas alegações da médica “não condizem com a realidade”. Em meio a história, a médica, que respondia pelo corpo clínico do Dom Joaquim foi destituída de suas funções. Esperança da população é de que tudo não passe de um desentendimento administrativo, porque ninguém aguenta mais esta instabilidade do atendimento da saúde pública de nossa região.

Mobilização

Coordenador regional do PT, vereador sombriense Marcello Areão, que é pré-candidato a deputado estadual este ano, está ajudando a organizar os petistas do Extremo Sul que deverão ir até Porto Alegre, no próximo dia 24, participar da mobilização em prol do ex-presidente Lula. Os comandos regionais do PT de todo o país têm trabalhado no mesmo sentido, tentando mobilizar milhares de pessoas, para que estas, literalmente, invadam Porto Alegre durante do julgamento de Lula, que acontece do Tribunal Regional Federal, da 4ª Região, e que poderá confirmar uma pena de mais de nove anos de cadeia no caso do triplex do Guarujá (SP). Do ponto de vista meramente da Ciência Política, a mobilização é um tiro no pé, já que a Justiça Federal não irá querer passar por franzina diante de uma mobilização totalmente parcial. Negociação com o judiciário deveria se dar meramente nos bastidores, como acontece com o Supremo de Gilmar Mendes. Aliás, que falta faz um Gilmarzão na vida de Lula.

Rafuagem

Prefeituras dos municípios balneários de nossa região deveriam promover campanha publicitária, visando o aumento do nível de civilização de determinados grupos que frequentam as praias aqui do Extremo Sul. Carros com som ensurdecedor, lixo nas ruas e áreas de banho, cachorros, levados por seus donos, tomando banho no mar em meio a banhistas, garrafas quebradas nas ruas e avenidas, e gente bêbada dirigindo, são algumas das situações vivenciadas com freqüência em Araranguá, Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres. Trata-se de uma gama que, por óbvio, não tem a mínima ideia do que é o conviveu social, e, por conta disto, não deveria viver em sociedade. Mas, por conta do esforço que todos devemos fazer para oportunizar a civilidade coletiva, campanhas de conscientização seriam bem vindas, ainda que a ação policial enérgica nunca deva ser dispensada.

Nome Novo

Presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil de Santa Catarina, a Adepol, Ulisses Gabriel, que é natural de Turvo, está sendo cotado para disputar a Assembleia Legislativa pelo PSD. O delegado, que atua na Divisão de Investigação Criminal, a DIC, de Criciúma, possui alto grau de relacionamento com a cúpula do PSD Estadual, e vem sendo estimulado a concorrer como deputado estadual desde que foi reeleito para o comando da Adepol, ano passado. Com a ida do ex-deputado estadual Ze Nei Ascari, então no PSD, para o Tribunal de Contas do Estado, o partido acabou ficando com um vazio existencial no Sul catarinense. O ex-deputado estadual Júlio Garcia seria o sucessor natural de Ze Nei. No entanto, sua aliança com o deputado federal João Rodrigues (PSD), com vistas ao governo, em detrimento dos interesses do governador Raimundo Colombo (PSD) e de Gelson Merísio (PSD), estão fazendo com que a base do partido repense este apoio que seria natural a Garcia.

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