Rolando Christian Coelho
04/01/2018 11h30

Canalhada continua mandando no Brasil

Rolando Christian Coelho, 04/01/2018

“Se você pensa que é um derrotado, você será um derrotado. Se você não quiser algo a algo a qualquer custo, não conseguirá nada. Mesmo que você queira vencer, mas pensar que não irá conseguir, a vitória não sorrirá para você”.

Napoleon Hill (1883/1970) – Escritor e pesquisador americano

Canalhada continua mandando no Brasil

Brasil é definitivamente o país da piada pronta. Semana passada o presidente Michel Temer (PMDB) convidou o deputado federal Pedro Fernandes, o PTB do Maranhão, para assumir o Ministério do Trabalho. Estava tudo certo até o ex-presidente José Sarney (PMDB/MA), do alto de seus quase 88 anos, acordasse de um cochilo e visse a notícia estampada na imprensa. Depois de uma espreguiçada daquelas, o caudilho do Nordeste ligou para Temer dizendo que não aceitava Fernandes, seu antigo desafeto.

Isto por si só já seria motivo para nos envergonharmos de nossa própria existência enquanto brasileiros, pois fica claro quem, de fato, são as figuras que mandam nesse país.

Não obstante a isto, ato seguinte o PTB indica a deputada federal Cristiane Brasil, filha do ex-deputado federal Roberto Jefferson, para ocupar o aludido Ministério, desta feita com o aval de Sarney. Mesmo Roberto Jefferson que foi pego com a boca na botija em um esquema de corrupção envolvendo os Correios e Telégrafos, e que, por conta disto, denunciou o Mensalão criado por José Dirceu, na tentativa de tirar os holofotes de si. Mensalão cujos desdobramentos levaram a Lava Jato e a cadeiada generalizada em todo o país.

Na prática, o que vemos é que, em que pesem todos os esforços para moralizarmos o Brasil, o modus operandi da canalhada nacional continua o mesmo, sem máscaras ou subterfúgios. Os patriarcas do desmando continuam os mesmos, mandando como sempre mandaram, sem medo de ser feliz.

Nesta linha, é muito provável que em breve tudo já tenha voltado ao ‘normal’ em nosso país, com a diferença de que a partir de agora a roubalheira será muito mais profissionalizada, afinal de contas, todos já sabem que esquema com empreiteiras é uma furada, e que usar doleiros para lavar dinheiro é um tiro no pé.

Talvez reste uma esperança no pleito de 2018, com a classe média e média alta deixando de votar em qualquer um e prestando mais atenção no perfil dos candidatos ao parlamento nacional e estadual. Estaria ai a oportunidade de apurarmos um pouco mais a qualidade de nossos políticos. Quanto ao resto do eleitorado, este vota por conveniência, explícito interesse próprio, ou meramente vai na onda.

De todo modo, pelos recados mandados por Sarney e Roberto Jefferson, já sabemos que tão cedo nosso país não sairá do atoleiro imoral em que se meteu.

Sem consenso

Processo de cassação do vereador sombriense Peri Soares (PP), que está em julgamento do Tribunal Regional Eleitoral, tem dividido opiniões, até mesmo dentre aqueles que o querem fora do legislativo. O PP de Sombrio, por óbvio, crê na absolvição de Peri, que foi cassado em primeira instância, mas já tem dois votos favoráveis a sua absolvição junto ao TRE. A continuidade do julgamento está prevista para acontecer no próximo dia 25, quando outros cinco juízes deverão dar seu veredito. O advogado do PMDB, Darlau Rovaris, que está acompanhando o processo e tem interesse na cassação, diz que Peri deverá receber mais um voto por sua absolvição, mas que outros quatro serão por sua condenação, por suposta compra de votos no pleito de 2016. Por outro lado, o suplente de vereador Nano Freitas (PSD), que assumiria no lugar de Peri, caso ele fosse cassado, diz não acreditar que isso aconteça. “Acho que as cartas já estão marcadas”, resume o pessedista.

Esfomeados

Sempre lembrado para as disputas eleitorais de nossa região, empresário Beto Coan (PTB), que disputou a Câmara Federal em 2014, e o executivo de Araranguá em 2016, diz que não tem nenhuma intenção de enfrentar as urnas neste ano. De acordo com ele, a crescente onda de interesses meramente pessoais junto ao eleitorado o tem desestimulado a fazer planos na seara política. A opinião de Coan é uma espécie de mantra entre muitos políticos com que tenho conversado. Mesmo aqueles que já possuem cargos eletivos têm reclamado da voracidade como o eleitorado tem se portado nos últimos tempos, sempre em busca de algum benefício pessoal. No fim das contas, os eleitores reclamam dos políticos, mas acabam sendo os principais agentes do desencadeamento do sistema de corrupção instalado no país, na medida em que querem tudo e mais um pouco para votar ou trabalhar para tal candidato. Passada a eleição, saem do palco e vão para a plateia atirar pedras nos eleitos, na maior inocência do mundo.

Agradecido

Presidente da Câmara Municipal de Sombrio, Fabiano Pinho (PSDB), diz não desmerecer os votos que recebeu dos demais vereadores do PMDB, e do PT, para chegar à presidência do legislativo, mas faz questão de ressaltar que sua conquista só se deu por conta do apoio incondicional do vereador Adenir Duarte, o Janguinha (PMDB), de quem é amigo de infância. Com o seu próprio voto, e o de Janguinha, Fabiano acabou trazendo a reboque os quatro votos dos vereadores do PP, que lhe garantiram a maioria necessária para chegar ao comando da Mesa Diretora da Câmara. Sem ter muito o que fazer, outros dois vereadores do PMDB e um do PT também votaram nele. “Agradeço a todos os que votaram, mas não sou ingênuo. Sei que cheguei na presidência graças ao Janguinha. Todos os outros vieram pelas forças das circunstâncias”, comenta o novo presidente.

Assédio

Corre a boca graúda, nos corredores da política nacional, que emissários do PT estariam assediando o desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, que é um dos integrantes da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, para que ele vote pela absolvição do ex-presidente Lula, no caso que o liga a supostos atos de corrupção por conta da compra de um triplex em Guarujá (SP). Em troca da absolvição, ou do pedido de vistas no processo que condenou Lula a nove anos e meio de prisão em primeira instância, Vitor Laus seria nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça, caso o ex-presidente volte a comandar o país, depois da eleição nacional deste ano. Natural de Joaçaba, Vitor Laus já foi promotor de justiça na Comarca de Sombrio, na década de 1990, onde era conhecido pela discrição e rigidez. A fora os processos da Lava Jato, o desembargador também julga no Tribunal Regional Federal os processos da Operação Carne Fraca, cuja repercussão terminou de acabar com a JBS Alimentos, aliada de primeira instância de Lula e sua trupe.

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