Rolando Christian Coelho
03/01/2018 12h00

O que esperar da eleição de 2018

Rolando Christian Coelho, 03/01/2018

“Todos os dias Deus nos da a chance de melhorarmos, de renunciarmos àquilo que nos faz mal e sermos mais felizes. Esta decisão, no entanto, está unicamente nas nossas mãos. Isto se chama livre arbítrio”.

Paulo Coelho (1947) – Escritor e jornalista brasileiro

O que esperar da eleição de 2018

O ano eleitoral de 2018 finalmente quebrará a monotonia que vem reinando na política nacional desde 1994, quando se instalou no país uma espécie de bi-partidarismo protagonizados por PSDB e PT. Desde então, entre eleições, puxadas de tapetes e golpes camuflados de correção política, o governo do Brasil vem sendo tocado por estas duas correntes políticas que se diferenciam em suas nuances, mas que pouco conflitam em sua essência.

Para 2018 os ares prometem ser diferentes, a começar pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSC/RJ), que não parece muito preocupado em agradar gregos ou troianos. Com um discurso tipicamente de centro-direita, que quase lembra a ingenuidade da democracia, Bolsonaro fará história neste ano, pois mostrará aos brasileiros que suas feridas estão bem mais abertas do que se imagina.

Além dele teremos um PT mais ligado as suas origens, lembrando os rompantes de 1989, bem diferente do Lulinha Paz e Amor de 2002 e 2006, e tampouco parecido com o PT tecnocrata de Dilma Rousseff, de 2010 e 2014. Um PT que fará questão de mostrar as mazelas de nossa sociedade, retratadas pelos que sucumbem diante da miséria. Só não perguntem como estes ainda existem, depois de uma década e meia de governo petista.

São grandes as chances, também, de termos uma candidatura própria do PMDB, que irá apostar suas fichas na estabilidade e no crescimento econômico do país, algo natural depois de três anos de convulsão governamental. Qual peemedebista terá coragem de enfrentar as urnas, isto ainda é um mistério.

Paralelo a isto, há de se referendar a candidatura do PSDB, provavelmente representada por Geraldo Alckmin, que finalmente irá se entregar ao discurso liberal, como uma forma de se grudar de vez ao eleitorado anti-Lula. Neste sentido, será dada, mais uma vez, a chance de um candidato à Presidência pelo PSDB de sair de São Paulo, conhecendo, de fato, a realidade de nosso país.

Mas 2018 também pode nos brindar com vários outros nomes, dentre os quais alguns que já se dizem fora do páreo, mas que, mesmo assim, continuam pedindo para serem incluídos nas pesquisas de opinião pública, como o apresentador Luciano Huck. Quem sabe Ciro Gomes (PDT) também tenha coragem de enfrentar as urnas, mesmo que Lula passe pelo crivo da Justiça Federal e seja candidato. E quem sabe, ainda, Marina Silva (Rede) nos traga algo de novo, além do discurso songamonga que tem marcado suas disputas, que mais parecem uma feira de ciências do que um projeto de desenvolvimento para um país continental como é o Brasil.

Tudo certo

Novo presidente da Câmara Municipal de Sombrio, Fabiano Pinho (PSDB), está fazendo questão de deixar o executivo municipal tranquilo, no que diz respeito a sua gestão frente ao legislativo. Eleito vereador em uma aliança política que era timonada pelo PMDB, Fabiano se uniu ao PP para chegar ao comando da Câmara, dando a entender que pularia para o lado da oposição ao prefeito Zênio Cardoso (PMDB). De acordo com o tucano, no entanto, sua postura será de alinhamento com os interesses do município, mesmos interesses que, de acordo com ele, também são defendidos pelo prefeito. Em meio à virada de mesa, quem também fez questão de se mostrar tranquilo a respeito da nova situação posta na Câmara foi o prefeito Zênio, enfatizando que “Fabiano é um vereador da base aliada e com certeza continuará sendo um parceiro do executivo”. Quem não tem gostado da conversa são os vereadores do PP.

Acordão

Um acordão consolidado no dia 1º de janeiro de 2017 elegeu o vereador peemedebista Altemir Catel Cardoso presidente da Câmara Municipal de Passo de Torres, para um mandato de doze meses. Ele só chegou a esta condição graças aos votos dos vereadores do PP e do PT, que são oposição ao prefeito Jonas Souza (PMDB). Um ano depois foi a vez de Altemir retribuir os votos que recebeu. No último dia 1º ele votou no vereador progressista André Porto para a presidência do legislativo, contra os interesses do prefeito Jonas. A ruptura política do vereador do PMDB, com o prefeito do PMDB, deverá ser mantida até o final do atual mandato. É que reza a lenda que os vereadores do PP e do PT irão votar novamente em Altemir, em janeiro de 2019, para que ele volte a presidir a Câmara Municipal de Passo de Torres. Em 2020, por sua vez, o peemedebista votaria também num progressista para o comando da Mesa Diretora do legislativo, fechando os quatro anos do acordão alinhavado no final de 2016.

Bem na fita

Portal G1, administrado pela Rede Globo, divulgou o ranking dos governadores que mais cumpriram com suas promessas de campanha, se comparadas as realizações de suas administrações com o que foi registrado enquanto compromisso administrativo no Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com o G1, o governador Raimundo Colombo (PSD) cumpriu com 82,60% dos compromissos que assumiu, o que o coloca na terceira posição do ranking em nível nacional, atrás apenas dos governadores do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), com 91,89%, e do governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), com 84,84%. José Ivo Sartori (PMDB), do Rio Grande do Sul, ocupa a 20ª colocação, tendo cumprido apenas 50% de suas promessas. Quem menos cumpriu com suas promessas até agora foi Tião Viana (PT), do Acre, com apenas 16% de realização em relação ao que foi registrado no TSE enquanto compromisso de campanha.

Frustração

Pelo visto governador Raimundo Colombo (PSD) não está muito preocupado em manter uma política de boa vizinhança com o PMDB de Eduardo Moreira. O vice-governador já anunciou que irá nomear seu pupilo, Acélio Casagrande (PMDB), para a Secretaria de Estado da Saúde, tão logo assuma o governo no lugar de Colombo, provavelmente no início de abril. Com Vicente Caropreso solicitando seu desligamento da Secretaria, no final de dezembro, se imaginava que Acélio já pudesse ser chamado para o comando da pasta. Ledo engano. Colombo preferiu nomear o médico Murilo Capella como novo secretário da Saúde, para uma espécie de mandato tampão de 90 dias. Em princípio a nomeação não faz nenhum sentido, há não ser que o objetivo seja o de atrapalhar ainda mais a situação da saúde pública dos catarinenses, afinal de contas, em 90 dias Murilo não terá tido tempo sequer de saber onde está metido. A não ser que esta conversa de renúncia de Colombo seja conversa para boi dormir.

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