Rolando Christian Coelho
30/12/2017 11h19 - Atualizado em 30/12/2017 12h31

2017: O ano que não acabará tão cedo

Rolando Christian Coelho, 30/12/20.

“Ser derrotado em algum projeto não significa necessariamente uma perda. Perda de verdade só existe quando desistimos de algo que realmente queremos, porque, neste caso, estamos negando a nós mesmos. Desistir, sim, é que é uma derrota”.

Thomas Edison (1847/1931) – Empresário e inventor americano

2017: O ano que não acabará tão cedo

Não será tão fácil como se imagina virar a página de 2017. Isto porque ele é, e será, o ano em que todas as utopias políticas acabaram. Depois de mais de uma década de investigações, que chegaram às entranhas da política brasileira, 2017 nos brindou com uma realidade nua e crua, nos mostrando nitidamente que, em se tratando de poder, ninguém escapa.

Este foi o ano em que as arrogâncias partidárias foram por água abaixo. Se Lula (PT) era o diabo transmutado em pessoa, Aécio Neves (PSDB) também passou a sê-lo. Se Eduardo Cunha (PMDB) era herói por ter promovido a cassação de Dilma Rousseff (PT), acabou se transformando em bandido, com direito a algemas e tudo mais. A lista de encarcerados foi ampla, ainda que não tenha sido irrestrita, indo de Sérgio Cabral (PMDB) e Antony Garotinho (PR), que representam a nova geração dos políticos corruptos do país, até Paulo Maluf (PP), o patriarca de todos os vagabundos da política brasileira.

E para que 2017 fique definitivamente em nossas memórias, não custa lembrar que, apesar de todos os esforços, ainda moramos no Brasil, uma republiqueta que abriga pessoas como Gilmar Mendes na mais alta corte do judiciário nacional, sempre disposto a destruir com um trabalho de anos de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal. Não muito longe dele, no outro lado da Praça dos Três Poderes, se encontra Michel Temer, com sua resma de indultos natalinos, retalhando ao limite da lei as penas de criminosos do colarinho branco, quase todos financiadores de políticos encastelados há anos no Congresso Nacional.

Por conta deste contexto, 2017 é um ano para não ser esquecido, pois, de forma paradoxal, em função dele tomamos ciência de que, em se tratando de política, o Brasil ainda está há anos luz de ser um país civilizado. Ficou provado que aqui as duas mãos do mesmo corpo têm funções distintas. Enquanto uma dá o tapa, a outra afaga, afinal de contas, Ministério Público, Polícia Federal, Judiciário, Executivo e Legislativo fazem parte de um mesmo organismo, que chamamos de Estado.

Sairemos de 2017 mais maduros, sabedores que será preciso muito mais do que panelaços, passeatas ou mensagens desaforadas no Facebook para que a política nacional mude. Será preciso também, muito mais do que receitas milagrosas, codificadas em candidaturas salvadoras, como se dependesse destas as mudanças dos códigos de ética de nossa sociedade. O Brasil só é corrupto porque os eleitores também o são, se não em grande maioria, mas em significativa parcela. São estes eleitores que espalham ervas daninhas pelas mais diversas esferas de poder, e são estes poderes que nos deixam em eterno estado de liquidificação.

Se há alguma palavra que possa resumir o ano de 2017, esta palavra é: reflexo. Sim, 2017 não foi nada mais, nada menos, do que o reflexo de nós mesmo. Somos todos promotores e policiais federais, mas temos muito de Maluf e Gilmar Mendes em nossos âmagos.

Ano da gestão

O ano que está findando mostrou definitivamente que os executivos municipais precisarão estar totalmente atentos as suas gestões fiscais.

Acabou-se o tempo em que o prefeito mandava realizar, para depois pagar com o que fosse entrar em caixa. A lógica agora é outra, não há milagres. O prefeito que achar que o caixa da prefeitura será salvo por alguma medida providencial do governo estadual ou federal está ferrado. Aquele que achar que as coisas irão melhorar com o andar da carruagem, está mais ferrado ainda. Acabou-se, também, os afagos. Os Tribunais de Contas estão cada vez mais técnicos, e, por consequência, menos políticos. Ou o prefeito se transforma num gestor, ou se prepara para responder pelo resto da vida por improbidade administrativa, respondendo, até mesmo, com o próprio patrimônio pelos furos que deixar na prefeitura.

Coisa de louco

Impasse envolvendo a gestão do Hospital Regional de Araranguá já está virando novela. Governo do Estado já fechou contrato com o Instituto Ideas, para que ele administre o Regional. Por sua vez, a Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina se nega em deixar a administração do hospital, alegando que não foi comunicada oficialmente quanto a rescisão de seu contrato de gestão. O Ideas, querendo assegurar a posse administrativa, tentou medida judicial para seu intento, mas esta foi negada, sob argumento de que os documentos que comprovariam que o Instituto é o novo gestor são insuficientes. Em meio ao impasse, o HRA vem atendendo somente os casos de urgência e emergência, através da SPDM, e não do Ideas. Paralelo a tudo isto, a grande maioria dos funcionários do Regional mantém estado de greve. Dizem que não trabalham para a SPDM porque ela não cumpre com os compromissos da folha de pagamento, e que também não trabalharão para o Ideas enquanto o Instituto não se comprometer em manter todos os empregos do Regional.

Tudo certo

Em época de vacas magras não é fácil ver prefeito se dizendo satisfeito. Não é o caso do chefe do executivo de São João do Sul, Moacir Teixeira (PSD), que tem ressaltando que está fechando 2017 com chave de ouro. Com o primeiro ano de mandato marcado pelo investimento de mais de R$ 2 milhões em obras, além de fortes ações no setor da Saúde e Bem Estar Social, Moacir prevê um 2018 “com ainda mais realizações”. Com as contas do município equilibradas, fornecedores e folha de pagamento em dia, e com vários projetos encaminhados, meramente a espera da liberação de recursos para as realizações, São João do Sul é quase uma exceção no cenário administrativo regional. O prefeito, no entanto, faz questão de ressaltar que o que está sendo colhido hoje é fruto de um grande esforço de seus antecessores, para que a casa sempre ficasse em dia.

Jogando a toalha

PMDB de Sombrio já considera certa a derrota no que diz respeito a disputa pela presidência da Câmara Municipal de Vereadores, que tem eleição marcada para acontecer hoje. O partido do prefeito Zênio Cardoso, que havia hipotecado apoio a candidatura Daniel Bittencourt Cardoso, o Daniel Palito (PSB), foi surpreendido com a decisão dos vereadores Fabiano Pinho (PSDB) e Adenir Duarte, o Janguinha (PMDB), de se unir ao PP, promovendo uma virada de mesa. Nem o Paço Municipal, nem o que sobrou da base aliada na Câmara têm expectativas de reverter o quadro, que deverá levar Fabiano Pinho ao comando do legislativo. A dúvida que ainda persiste diz respeito ao lançamento, ou não, da candidatura de Daniel Palito. Uma boa parte do PMDB já defende a tese de que os vereadores do partido devam votar em Fabiano Pinho, promovendo sua vitória com os votos da sigla, de modo a manter a política da boa vizinhança, ainda que ele tenha se aliado ao PP, principal partido de oposição ao governo de Zênio Cardoso.

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