Rolando Christian Coelho
06/12/2017 12h00

Eleitor revoltado está enganado

Rolando Christian Coelho, 06/12/2017

“Quando eu era criança minha mãe dizia que a felicidade era a chave para a vida. Quando fui para a escola, me perguntam o que eu queria ser quando crescesse. Eu disse que queria ser feliz. A professora disse que eu não havia entendido a pergunta. Eu disse que ela não havia entendia o que era a vida”.

John Lennon (1940-1980) – Cantor e compositor inglês

Eleitor revoltado está enganado

Tenho acompanhado com atenção os desabafos de eleitores nas redes sociais. Sempre que é divulgada alguma notícia ligada a corrupção no meio político, ou a desmandos administrativos na gestão pública, não são poucos os que se esmeram em suas críticas. A grande maioria se utiliza de frases como: “Ano que vem eles vão ter o que merecem”, ou ainda, “Agora chegou a nossa vez de colocar lá só quem presta”, e por ai a fora. Tenho acompanhando o cenário político ao longo de quase três décadas, e a única coisa que posso dizer a este respeito é que, infelizmente, os revoltosos estão enganados.

A eleição de 2018 não será nenhum pouco diferente das últimas já realizadas em nosso Estado, como também não será diferente das demais já realizadas no país. Por sua vez, os eleitos também não destoarão muito dos que ai estão, prova é que a grande maioria conseguirá se reeleger.

O fato é que há uma grande ilusão por parte dos eleitores, que insistem em imaginar que os nossos políticos vieram de outro planeta para comandar o país. Na verdade eles não vieram de lugar algum. Eles são meramente fruto do nosso próprio meio social. A grande maioria mora, ou morava, em ruas como as nossas, e habitam, ou habitavam, casas como as nossas. São pessoas normais, que comem, bebem, pensam, observam e agem, a exemplo de todos nós. A diferença é que eles têm mais poder.

Se vivemos em uma sociedade em que a lei da vantagem é levada em grande conta, como é que desta mesma sociedade iria emergir algo contrário a isto? Seria como plantar feijão e querer que nascesse milho.

Dia desses, por exemplo, entrei em uma cidade da região de carro e, na minha frente, ia outro carro. De dentro dele o motorista não se cansava de jogar lixo pela janela. Noutro dia estava saindo de um pequeno mercado, e a minha frente um rapaz dizia para o outro que a moça do caixa havia se enganado, e dado dez reais a mais no troco. Ele falava isto com satisfação. Em outra ocasião eu estava na fila do banco e uma mulher passou na frente de todo mundo, dizendo meramente que estava atrasada e precisava utilizar o caixa eletrônico, como se ninguém mais tivesse também seus compromissos. Basicamente é deste mundo real que emergem os políticos, que, aliás, em grande maioria tem um comportamento social bem mais ético que a média da população.

Todavia, se nossa sociedade tem uma franca tendência a pieguice, ao escárnio, a repulsa a organização e uma quase ojeriza ao estudo, como é que dela irá surgir uma casta verdadeiramente comprometida com a lisura no processo de administração pública. Isto é simplesmente incoerente com a realidade.

Vale lembrar, também, que boa parte dos que tocam pedras nos políticos são os primeiros a querer alguma vantagem deles nos períodos eleitorais. Neste sentido, pedem de tudo e mais um pouco em troca de voto, e ainda se orgulham de suas conquistas. Não se convencem, os imbecis, que em troca de uma dentadura estão enterrando o futuro dos próprios filhos.

Sem partido

Ainda que esteja andando para cima e para baixo com líderes do PSD estadual e regional, ex-deputado Júlio Garcia não está filiado a nenhuma sigla partidária. Aposentado do Tribunal de Contas do Estado e já auto-declarado pré-candidato à Assembleia Legislativa, da qual foi presidente, Júlio tem recebido convites de diversos partidos que querem abonar sua filiação. Em princípio o caminho natural é o PSD, seu eterno ninho desde os tempos do PFL. O DEM, no entanto, que é comandado por seu amigo pessoal Paulo Golveia da Costa, tem assediado Júlio Garcia, que poderia até mesmo concorrer à majoritária pela sigla sem passar por imposições ou desgastes, os quais enfrentará dentro do PSD se seu projeto não for a chapa proporcional. Vale lembrar ainda que o ex-deputado nunca escondeu sua simpatia pelo PMDB, partido que o nomeou Conselheiro do TCE através do governador Luiz Henrique da Silveira.

Jacinto em dia

Secretária de Administração e Finanças de Jacinto Machado, Ana Bellettini Klock, está animada com o fato de 2017 estar sendo encerrando com as finanças da municipalidade em dia. De acordo com ela, apesar de todos os percalços do ano, o que inclui a total insegurança no que diz respeito aos valores repassados pelos governos estadual e federal à prefeitura, haverá uma pequena sobra de caixa e não restarão dívidas a serem quitadas. Com a experiência de quem comandou as finanças da Prefeitura de Praia Grande por mais de vinte anos, a secretária ressalta que “o segredo da gestão pública é investir somente aquilo que se tem em caixa”. A receita é simples, mas a grande maioria dos gestores não a seguem. Pressionados pela população, sempre ávida por obras e ações, não são raros os prefeitos que ordenam despesas na esperança de receitas futuras, que nem sempre são confirmadas. No fim das contas, até fazem, mas não pagam. Em não pagando, tudo o que fizeram acaba se voltando contra suas próprias gestões.

Piada pronta

Reforma da estrutura e dos parapeitos da ponte sobre o rio Caverá, que faz a divisa dos municípios de Sombrio e Balneário Gaivota, já está virando piada. O processo de licitação foi lançado em outubro do ano passado. Demorou dez meses para que a obra fosse iniciada. Efetivado o início, agora faz três meses que a reforma vem sendo tocada a passos de tartaruga. Dentro de duas semanas Balneário Gaivota estará tomado pelos turistas e a bendita ponte ainda não estará pronta. Aliás, é provável que atravesse o verão sem que sua conclusão se efetive. Governador Raimundo Colombo (PSD), diga-se de passagem, está encerrando seu sétimo ano no governo com chave de outro em nossa região. Está conseguindo entregar nosso sistema viário em piores condições do que quando assumiu a gestão do Estado.

PMDB Tranquilo

Vários líderes do PMDB estadual não estão vendo com maus olhos a possibilidade de PSDB e PP se unirem para a disputa governamental do ano que vem. Deputado estadual Manoel Mota (PMDB), por exemplo, disse que “cada partido tem que cuidar de seus interesses”, dando a entender que o PMDB precisa estar preocupado consigo neste momento, e não com uma possível dobradinha tucano-progressista. A bem da verdade, uma aliança entre PSDB e PP resolveria de vez a vida do PMDB. Em uma circunstância como esta, o PSD do governador Raimundo Colombo comporia como vice do PMDB. Colombo também não teria nenhum problema em renunciar ao governo para disputar uma vaga ao Senado Federal, entregando a caneta da gestão estadual ao vice-governador Eduardo Moreira (PMDB). Há de se ressaltar que a edição de uma dobradinha entre PMDB e PSD teria grandes chances de receber o apoio do PT no segundo turno da eleição estadual, já que os simpatizantes do partido dificilmente votariam no PSDB de Paulo Bauer.

Os textos dos Blogs são opinativos e de responsabilidade dos autores. Não significa que a opinião expressada por eles seja a mesma do Grupo W3.

Recomendadas para você

Outras notícias