Rolando Christian Coelho
01/12/2017 11h00

Saída da SPDM está acontecendo tarde

Rolando Christian Coelho, 01/12/17

“A diferença entre os políticos conservadores e os liberais, ou de esquerda, é que nós, conservadores, encaramos o mundo como ele de fato é. Não mentimos para a população. Dissemos como as coisas são, com uma verdade nua e crua”.

George H.W. Bush (1924) – Ex-presidente dos Estados Unidos

Saída da SPDM está acontecendo tarde

Secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso, anunciou ontem, durante coletiva, em Araranguá, que o Governo do Estado já está providenciando a rescisão contratual com a SPDM, Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, no que diz respeito à administração do Hospital Regional de Araranguá. Desde 2013, quando assumiu o comando da unidade, a SPDM vem sendo alvo de constantes reclamações e denúncias, tanto por parte da população, quanto por parte do quadro funcional do Regional, que não raras vezes deflagou, ou ficou na eminência de greve.

A grande verdade é que o Hospital Regional nunca funcionou a contento desde que passou a operar, há cerca de três décadas. Sempre aos trancos e barrancos deixou ao longo de sua existência um rastro de desgostos incalculáveis. O problema é que a SPDM conseguiu fazer com que isto se tornasse ainda mais grave, a ponto de anunciar, no início desta semana, o fechamento de seu pronto socorro, situação revogada através de medida judicial. Agora imagine toda uma região sem poder utilizar o pronto socorro de uma unidade hospitalar ligada ao governo!

Há de se ressaltar, no entanto, que o simples fato de substituir a SPDM por outra entidade que administre o Hospital Regional não resolverá, ou pelo menos não amenizará, o problema da saúde pública em nossa região. Independente de quem venha a administrar o Regional, esta administração só dará certo se as Secretarias Municipais de Saúde, as prefeituras, a Amesc e o Consórcio Intermunicipal de Saúde, o CIS-AMESC, estiverem inseridos neste processo de forma umbilical. Sem esta rede de proteção social, o Hospital Regional continuará em bancarrota, por mais dinheiro que o Governo do Estado coloque nele. Isto porque, muito mais do que administração, saúde pública precisa mesmo é de gestão.

A hora também é oportuna para chamar a atenção do Governo do Estado para os meandros da saúde pública. Já passou da hora deste assunto ser tratado com a real importância que lhe é devido, sem politicagem, sem cartas marcadas, sem padrinhos e afilhados. Já é voz corrente na região que fulano será o próximo administrador do Regional. Mas como assim? Não será feito um chamamento público para a escolha de quem irá administrar o Hospital?

São situações como esta que ajudaram a enterrar o Hospital Regional, fazendo com ele chegasse ao fundo do poço, em detrimento dos interesses de milhares de pessoas. A oportunidade para reerguer esta unidade hospitalar está dada. Agora é saber se de fato o governo estadual, através da Secretaria de Estado da Saúde, irá mesmo querer promover esta recuperação, ou se lançará mão de um cupincha qualquer que encha bolsos e deixe a população, literalmente, à beira da morte.

Insistência

Deputado federal Esperidião Amin (PP) continua francamente disposto a viabilizar o apoio de seu partido a uma candidatura do PSDB ao Governo do Estado. A semana está se encerrando com ele tendo feito diversas conversas com líderes tucanos em Brasília e em Florianópolis neste sentido. Vale lembrar que até dia 31 de janeiro Amin é o presidente estadual de seu partido, e, até lá, tem autoridade para deixar muita coisa encaminhada. Articulado como é, tem tudo para armar um cenário de difícil desmonte por parte do deputado estadual Silvio Drevck, que irá assumir a presidência progressista no início de fevereiro. Dreveck é francamente favorável a uma dobradinha entre PSD e PP. Todavia, se Amin construir um projeto de coligação convincente com o PSDB, que contemple amplamente o PP na majoritária, e lhe seja bastante favorável na proporcional, dificilmente o futuro comando da sigla terá forças para desmontar que o que for construído pelo ex-governador progressista.

Travada

Governo Federal resolveu não agendar a data que irá colocar em votação a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Motivo é simples: por ora o governo só tem a garantida de que entre 240 e 250 deputados são favoráveis a ela. Para a aprovação são necessários pelo menos 308 votos. Em princípios os deputados Jorge Boeira (PP), Ronaldo Benedet (PMDB) e Geovânia de Sá (PSDB), que representem o Sul do Estado em Brasília, se manifestaram contrários a Reforma. O não engajamento de Benedet ao projeto governamental é um nítido sintoma de que as coisas não estão nada boas para o Palácio do Planalto, quando o assunto é o novo ordenamento do sistema previdenciário. Um dos problemas do governo é que ele não tem mais o que oferecer aos deputados em troca de apoio. O arquivamento na Câmara dos Deputados das duas denúncias que poderiam levar a cassação do presidente Michel Temer (PMDB) rasparam o tacho do Planalto, assim como os cargos que ainda estavam disponíveis na esfera federal. Só na amizade a coisa não anda em Brasília.

Sem Sucupira

Deputado federal João Rodrigues (PSD), pré-candidato a governador no pleito do ano que vem, diz não concordar com a nota que publiquei ontem, intitulada Sucupira, dando conta de que a distribuição de emendas parlamentares, objetivando a auto-promoção, é uma maneira pouco moral de se popularizar Estado à fora, com vistas à eleição de 2018. De acordo com ele, sua atuação não se restringe apenas a conseguir emendas parlamentares para atender os municípios catarinenses. Ele ressalta que tem mantido um firme posicionamento em defesa da família brasileira. Enfatiza ainda que é um parlamentar atuante e um incentivador do desenvolvimento regional catarinense. “Sou municipalista e apoio os vereadores, vices e prefeitos, que muitas vezes não conseguem acesso aos recursos em Brasília por falta de projetos e de conhecimento. Minha equipe atua para ajudar os municípios e estamos conseguindo isto, graças aos amigos que me apoiam”, comenta.

Renovação

Grupo suprapartidário tem se reunido para discutir a sucessão no comando da Cejama, a Cooperativa de Energia Elétrica Jacinto Machado. Integrado por políticos ligados ao PSB, PTB, PMDB, PR, PSD, DEM, PT e Pros, líderes como Valdir Tombim (DEM), Hélio Giusti (PT), Aldo Brognolli (PSD) e Marcos Colares (PTB), estão propondo uma completa renovação do comando da cooperativa, que é presidido por Valdomiro Recco. Nesta semana o grupo promoveu sua oitava reunião, e já tem agendado novo encontro para o início de janeiro. Basicamente a ideia é compor uma chapa que dispute a presidência da Cejama, em eleição que deverá acontecer no primeiro trimestre do ano que vem, tendo como bandeira uma série de mudanças administrativas e operacionais da cooperativa. Interessante observar que a vontade deste grupo de comandar a Cejama converge com a vontade de Valdomiro Recco de deixar a presidência do órgão. De acordo com ele, “é hora de descansar e se dedicar mais a família”, depois de quase uma década a frente da empresa.

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