Rolando Christian Coelho
29/11/2017 12h00

Amin quer Bauer governador e Boeira vice

Rolando Christian Coelho, 29/11/2017

“Se o povo brasileiro quer a democracia, ele terá a democracia. Só não se esqueçam que muitos destes que estão ai, gritando por liberdade, só querem mesmo é chegar ao poder para usufruir dele em benefício próprio”.

João Batista Figueiredo (1918/1999) – Ex-presidente militar do Brasil

Amin quer Bauer governador e Boeira vice

Tem avançado nos bastidores da política catarinense as tratativas que poderão levar a uma composição até então inesperada. Lançada pelo deputado federal Esperidião Amin (PP), a tese prevê a candidatura do senador Paulo Bauer (PSDB) ao governo, com o deputado federal Jorge Boeira (PP) concorrendo como candidato à vice.

Isolado pela cúpula progressista, Amin tem se batido para tudo quanto é lado na tentativa de criar uma fato novo, porém consistente. Ainda que lidere as pesquisas de intenção de votos na disputa pelo governo, ao lado de Bauer, o progressista sabe que tem dificuldades em reunir em torno de si uma coligação consistente, que lhe propicie reais chances de vitória. Paulo Bauer seria o caminho mais curto para isto, já que uma dobradinha entre PSDB e PP desarticularia tanto o PMDB, que está assediando os tucanos, quando o PSD de Raimundo Colombo, que conta como certo o apoio dos progressistas.

A novidade na articulação é a participação de Jorge Boeira como possível candidato a vice-governador. Em 2014 o parlamentar chegou a se colocar a disposição de seu partido para disputar o governo, mas o PP acabou optando por lançar o então deputado estadual Joares Ponticelli como candidato a vice de Paulo Bauer. A lembrança do nome de Boeira por Esperidião Amin não se dá por acaso. Em Brasília eles são os únicos representantes catarinenses do PP na Câmara Federal, e há quase três anos têm estreitado relações políticas. Amin, no entanto, não tem timonado esta articulação de graça. Se não o querem como candidato ao governo, seu projeto passa a ser o de disputar o Senado Federal.

A fora os interesses pessoais, o fato é que uma chapa composta por PSDB e PP, com o certeiro apoio de um rosário de outros pequenos partidos, acabaria criando um fato totalmente novo na política catarinense, ainda que este roteiro já seja velho. É velho porque se trataria da mesma dobradinha derrotada de 2014. Todavia, seria a novidade porque tudo levava a crer que a última coisa que aconteceria na política estadual ano que ver seria uma nova união entre tucanos e progressistas, com o integral aval de Amin, que em 2014 tratou mais foi de assegurar sua reeleição à Câmara Federal. O simples fato de trazer Amin para a campanha majoritária já é um diferencial e tanto na disputa pelo governo.

A possível união de PSDB e PP fatalmente forçaria a manutenção da aliança entre PSD e PMDB, que também precisariam se reinventar. Já está bem evidenciado que tanto Gelson Merisio (PSD), quanto Mauro Mariani (PMDB), enfrentam problemas internos em seus partidos. Para garantir uma disputa justa, o ideal seria uma dobradinha entre Udo Döhler (PMDB) e João Rodrigues (PSD), com Raimundo Colombo (PSD) concorrendo ao Senado.

Zé Milton federal

Possível candidatura do deputado federal Jorge Boeira (PP) a vice-governador do Estado, em uma chapa encabeçada pelo senador Paulo Bauer (PSDB), abre um amplo espaço para que um outro nome progressista do Sul catarinense postule uma candidatura à Câmara Federal. O candidato natural para substituir Boeira neste embate seria o do deputado estadual José Milton Scheffer (PP), candidato à Assembleia Legislativa mais votado de seu partido em 2014. O tema, no entanto, é tratado com extrema reserva tanto por Boeira, quanto por Zé Milton, que sempre que questionados sobre voos mais audaciosos na política ressaltam que estão focados em seus projetos de reeleição. Única sombra para Zé Milton pode vir do PP de Tubarão, que em 2014 lançou Deka May para disputar à Câmara Federal numa espécie de candidatura decorativa, já que Boeira tinha a preferência do partido no Sul do Estado. Com Boeira fora, o grupo do prefeito tubaronense Joares Ponticelli pode querer se impor, argumentando a necessidade de equilíbrio geopolítico.

Sintonia

Câmara Municipal de Sombrio mudará seu horário de expediente a partir de segunda-feira, dia 4. O atendimento ao público, que hoje é vespertino, passará a ser matutino, das 7h às 13h, mesmo horário de funcionamento externo da Prefeitura Municipal. De acordo com o presidente do legislativo, vereador Nego Gomes (PMDB), a mudança objetiva criar uma maior sintonia de operacionalidade entre os dois poderes. “Fica até sem sentido o legislativo ter expediente à tarde e o executivo pela manhã. Atrapalha muito a tramitação dos trabalhos em prol do município”, comenta o presidente. Na seara administrativa, Nego Gomes está comemorando o fato de ter conseguido economizar ao longo do ano cerca de R$ 300 mil, que vêm sendo devolvidos aos cofres da prefeitura. “Cortamos tudo e mais um pouco, mas conseguimos atingir nosso objetivo, que é o de investir o dinheiro público onde de fato ele precisa ser investido”, comenta Nego.

Sem voto

Presidente Michel Temer (PMDB) começou a perder, de forma escancarada, apoio de sua base aliada, no que diz respeito ao projeto da Reforma da Previdência. Deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB), frequentador assíduo do Palácio do Planalto, por exemplo, já disse que não votará em consonância com o texto que foi enviado pelo executivo federal ao Congresso Nacional. Ele também disse que, mesmo que haja mudanças favoráveis aos trabalhadores, só votará se antes for enviado um projeto de reforma da previdência pública. Tecnicamente, os funcionários públicos, especialmente nas esferas estaduais e federal, é que seriam o grande responsável pelo famoso rombo previdenciário. Enquanto um trabalhador da iniciativa privada se aposenta com uma média salarial de R$ 1.600,00 mensais, no poder público esta média vai para R$ 9.000,00. Especificamente no judiciário, a média de aposentadoria é de R$ 25 mil, e no Ministério Público a média é de R$ 30 mil mensais de aposentadoria.

Cassação

Advogados do PSD Estadual estão debruçados no processo de cassação do vereador sombriense Peri Soares (PP), que foi cassado em primeira instância, sob a acusação de suposto abuso de poder econômico, e consequente compra de votos, no pleito eleitoral do ano passado. O processo tramita em segunda instância no Tribunal Regional Eleitoral, e havia a expectativa de que ele fosse julgado em outubro. O interesse da cúpula estadual do PSD no caso está ligado ao fato do Jairo Adriano Freitas, o Nano (PSD), ser o primeiro suplente da coligação pela qual Peri se elegeu. Se o progressista tiver sua cassação confirmada pelo TRE/SC, quem assume a Câmara é o pessedista. Na prática, o PSD quer que o julgamento aconteça ainda este ano, pois considera que a decisão de primeira instância é irreversível. Isto faria com que Nano pudesse ser, até mesmo, um possível candidato a presidência do legislativo, em eleição que acontece dentro de 30 dias.

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