Rolando Christian Coelho
28/11/2017 12h00

Bauer é o preferido no Sul

Rolando Christian Coelho, 28/11/2017

“A felicidade é um problema individual. Não há como receitar algo para que ela seja alcançada. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”.

Sigmund Freud (1856/1939) – Médico e criador da psicanálise

Bauer é o preferido no Sul

Senador Paulo Bauer (PSDB), pré-candidato a governador, tem seu maior reduto eleitoral em solo catarinense no Sul do Estado, mesorregião compreendida entre Passo de Torres e Imbituba. Seus percentuais são maiores até mesmo que na região Norte e no Vale do Itajaí, onde ele possui suas maiores bases eleitorais.

Em sua estratificação, a pesquisa do Instituto Mapa, publicada na sexta-feira pelo Correio do Sul, mostra em seu primeiro cenário que, no Sul catarinense, Bauer aparece com 37,4% da preferência do eleitorado, contra 12,9% de Décio Lima (PT), 8,2% de Mauro Mariani (PMDB) e 3,4% de Gelson Merísio (PSD). Em nível estadual, Paulo Bauer tem 29% das intenções de voto, o que significa dizer que sua aceitação em nossa mesorregião é quase 30% maior do que a aceitação média do resto do Estado.

Na região Serrana Bauer tem 39,7% de aceitação, mas Décio Lima aparece com 22,2%, Mauro Mariani com 14,3% e Gelson Merisio com 6,3%. Por conta disto, ainda que o percentual nominal seja maior na Serra, proporcionalmente ele é menor do que no Sul.

Num segundo cenário auferido pelo Instituto Mapa, que conta com Esperidião Amin (PP) como candidato ao governo, no lugar de Gelson Merisio, ainda assim Bauer se da muito bem. Mesmo diante do forte reduto progressista no Sul catarinense, o senador fica com 22,4% das intenções de voto, contra 34% de Amin. Nossa região, no entanto, não é aquele em que Esperidião dispõe de maior prestigio popular proporcionalmente ao número de eleitores. Seu maior reduto continua sendo a Grande Florianópolis, onde o progressista tem 28,6% das intenções de votos, mas Bauer cai para 16,7%, perfazendo uma diferença de 11,9%, três décimos a mais do que a conquistada por Amin no Sul catarinense.

A convergência dos sulistas em direção da Paulo Bauer é, por certo, reflexo do profundo descontentamento de nossa mesorregião com nossos tradicionais líderes políticos. A bem da verdade, o PSDB, partido de Bauer, não tem nem de longe a estrutura que siglas como o PMDB, PSD e PT têm no Sul do Estado. Pode-se dizer, até mesmo, que o senador tucano é candidato dele mesmo, e, por conta disto, acaba sendo uma espécie de representante do novo no cenário político eleitoral. É a mesma lógica ligada ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSC/RJ), que também tem no Sul catarinense seu principal reduto eleitoral em Santa Catarina.

A falta de uma estrutura partidária mais consistente, no entanto, também é o principal problema de Paulo Bauer. É que, na prática, é impossível fazer uma campanha eleitoral, em nível estadual, sem um partido forte, ou, no mínimo, uma coligação forte. Se o seu projeto não tiver suporte, muito em breve seus percentuais despencarão ladeira abaixo.

A pesquisa Mapa foi realizada entre os dias 15 e 20 de novembro, tendo entrevistado 1008 eleitores acima de 16 anos, em 40 municípios do Estado. A margem de erro do levantamento é de 3,1%, com intervalo de confiança de 95%.

Tapa na cara

No final de semana passei pelas obras da Via Rápida, que ligará o centro de Criciúma até a BR 101, passando pela zona rural de Içara, rodovia que se chamará SC 445. Um espetáculo, coisa de primeiro mundo. Em menos de dez minutos os moradores de Criciúma terão acesso a 101, trecho que hoje é feito em quase meia hora. Como o próprio nome diz, a Via Rápida é para ser rápida mesmo, e por isto foi projetada com pistas duplas, amplas e bonitas. Em alguns trechos ela chega a ter três pistas em ambos os sentidos. É de longe a maior obra do Governo do Estado no Sul de Santa Catarina. Fiquei torcendo para que sobrem alguns caminhões de asfalto da Via Rápida para que a Secretaria de Estado de Infraestrutura tape os buracos da rodovia Sombrio-Jacinto. Seria uma forma paliativa de compensar nossa região, afinal de contas, boa parte dos recursos que eram para Serra do Faxinal foram destinados para a ilustre rodovia criciumense.

Mais rejeitados

A pesquisa do Instituto Mapa, já referenciada no artigo principal desta página, aponta o deputado federal Décio Lima (PT) como o pré-candidato ao Governo do Estado com o maior percentual de rejeição junto aos catarinenses. Levando em conta dois cenários com candidatos diversos, a rejeição de Décio é de 32,6%. Ele é seguido por Esperidião Amin (PP), com 30,7%. O terceiro mais rejeitado é Paulo Bauer (PSDB) com 23,4% e o quarto Mauro Mariani (PMDB), com 22,1%. A menor rejeição é conferida a Gelson Merisio (PSD), com 18,7%. Notoriamente, Décio Lima carrega consigo o estigma negativo derivado de seu partido. Aliás, os candidatos do PT terão extrema dificuldade de enfrentarem as urnas ano que vem, o que já foi notado na eleição municipal do ano passado. No que diz respeito a Merisio, se por um lado sua baixa rejeição é um ponto positivo, por outro é sinal também de que os eleitores de partidos como o PMDB, PP e PSDB não o acham uma ameaça frente a 2018, o que é um ponto negativo.

Salvação

Prefeituras que estão passando por extrema dificuldade para fechar as contas neste final de ano tiveram uma luz acessa no final do túnel. É que o Governo Federal decidiu realizar o tão desejado Aporte Financeiro aos Municípios, que distribuirá R$ 2 bilhões para os executivos de todo o país durante o mês de dezembro. O Aporte é uma espécie de recurso extra do Fundo de Participação dos Municípios, que constitui uma das principais receitas das prefeituras, em especial daquelas de médio e pequeno porte. Para Santa Catarina serão destinados R$ 78 milhões para o conjunto dos 295 municípios de nossa região. Este recurso poderá ser a salvação da lavoura da Prefeitura de Sombrio, que desde outubro tem tido dificuldades para fechar a folha de pagamento do funcionalismo, e não tem garantias, ainda, quanto ao pagamento, sem parcelamento, do mês de dezembro, assim como da segunda parcela do 13º salário.

Crise dupla

Fechamento do pronto socorro do Hospital Regional está gerando uma crise dupla. É que agora boa parte da população de nossa região está indo buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Araranguá, a UPA, que oficialmente pertence ao Governo Federal, mas é administrada e bancada em grande parte pela Prefeitura de Araranguá. Na prática, quem está tendo que bancar as despesas das questões emergenciais ligadas ao setor de saúde de toda a região é a municipalidade araranguaense. Como é um órgão federal, credenciado ao SUS, a UPA não pode se negar a atender, pois a prefeitura recebe recursos para sua manutenção. No entanto, estes recursos não são, nem de longe, suficientes para cobrir os custos do atendimento de uma região com mais de 200 mil habitantes. Para tentar amenizar a situação, a Central de Regulação de Leitos, que é ligada a Secretaria de Estado da Saúde, está ajudando a transferir para outros hospitais os excedentes da UPA. Mesmo assim, os atendimentos corriqueiros estão nas nuvens.

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