Rolando Christian Coelho
20/11/2017 09h00 - Atualizado em 20/11/2017 09h14

Brasil corre o risco de repetir 1989

Rolando Christian Coelho, 20/11/2017

“Todo homem precisa impor a si mesmo metas para serem cumpridas como toda a força de seu ser. Só os inúteis se contentam com um sofá e com pantufas diante da vida”

Benito Mussolini (1883/1945) – Ex-presidente italiano

Brasil corre o risco de repetir 1989

A desordem institucional que assola o Brasil criou um quadro totalmente instável na política nacional, a exemplo do que tivemos na década de 1980. Naquela ocasião, o fim do regime militar, que foi antecipado pela crise econômica que vilipendiava o país, o movimento das Diretas Já, a promulgação da Constituição de 88, e, por fim, a eleição presidencial de 1989, deixaram a nação numa espécie de transe existencial. Qualquer semelhança com o que está acontecendo agora não é mera coincidência.

Desde 2005 o Brasil parece ter entrado numa espécie de pesadelo, desencadeado pela descoberta das falcatruas do Mensalão. Emendou-se a ele a Lava Jato, as delações, a insolvência da moralidade pública, o impeachment de Dilma Rousseff, e por ai afora. Chegamos ao chamado fundo do poço.

O problema, na verdade, não é nem o fato de termos chego ao fundo do poço. Todas as democracias consolidadas do mundo já passaram por isto. O problema é que, para sairmos de lá, geralmente nos apegamos a qualquer um, por conta da fobia do sufocamento que nos acomete. É ai que mora o perigo das crises nacionais.

Em 1989 nos apareceu Collor de Mello, prometendo mundos e fundos ao povo brasileiro. Acabou nos jogando em uma crise política e econômica só resolvida em 1995, depois de consolidado o Plano Real. Assim como ele, vários outros surgiram no cenário político em 89 se dizendo salvadores da pátria. É provável que qualquer um destes que tivesse ganho aquele pleito levaria o Brasil à mesma bancarrota. É que a grande maioria dos candidatos não tinha projeto. Tinha apenas desejo.

As construções políticas que estão sendo feitas com vistas à 2018 não destoam muito do que vivenciamos em 1989. Como o pano de fundo sociológico é praticamente o mesmo, a tendência é que a movimentação social seja também muito parecida. Na prática, teremos um caminhão de candidatos à Presidência dedicados a salvar a pátria, sem, no entanto, saber sequer como ela funciona.

Candidatos que estão surgindo a torto e a direito, como o apresentador Luciano Huck, o ex-ministro Joaquim Barbosa, ou o médico brasileiro, naturalizando americano, doutor Robert Rey. Não há nada de errado com estas pessoas enquanto cidadãos, mas há muito de errado enquanto políticos, porque em política não basta querer, é preciso saber.

Por óbvio que em épocas de crises políticas agudas, como a que estamos vivenciando, o eleitor fica ávido por novidades, e quer que a solução esteja o mais longe possível da política. O problema é que não existe a possibilidade da gestão pública sem o exercício da política. Sem política, aliás, nem existiria gestão pública. O mundo seria uma grande empresa privada, ou um grande caos institucionalizado, aos moldes de Mad Max.

Diante de 2018 o eleitor não pode perder o foco. Precisa estar centrado na solução, e não no problema. Qualquer projeto político que esteja baseado somente na aparência, fatalmente trará mais problemas do que soluções.

Tensão no PSD

Deputado federal João Rodrigues (PSD) manteve contato com o governador Raimundo Colombo (PSD) durante final de semana. Na ocasião foi manifestada sua explícita vontade de disputar o Governo do Estado. Para isto, se colocou a disposição de seu partido para a realização de uma prévia com o deputado estadual Gelson Merísio (PSD), candidato preferencial de Colombo. A vantagem de Rodrigues é que ele não tem colocado obstáculos para quaisquer coligações que possam vir a envolver o PSD. Em princípio faz ressalvas apenas ao PT, e em ocasiões anteriores já se disse até mesmo disposto a concorrer como vice do PMDB. Sem dúvidas, a pretensão de João Rodrigues irá tumultuar o processo que vem sendo timonado por Raimundo Colombo. Em seu objetivo, passou a contar com o apoio manifesto do ex-deputado e ex-conselheiro do TCE, Júlio Garcia, do qual Colombo esperava mais estima.

Perda lastimável

Faleceu no sábado, em Criciúma, a professora e escritora Derlei Catarina de Luca, que aos 70 anos sucumbiu ao câncer. Nos anos de 1960 ela foi uma das centenas de pessoas presas pela ditadura militar, sob a acusação de subversão. Na década de 1990 entrevistei Derlei, ocasião em que estávamos fazendo, na faculdade de Jornalismo, um documentário sobre os presos e desaparecidos políticos nascidos em Santa Catarina. Ligada diretamente ao tema, ela se ofereceu para contatar as pessoas que haviam, como ela, sido presas e torturadas, e também os parentes daquelas vítimas que acabaram sendo mortas nos porões da ditadura. Feito o documentário, anos depois voltei a entrar em contato com Derli, por outros motivos jornalísticos. Por coincidência era no auge da crise do Mensalão, ocasião em que políticos de esquerda começavam a se atolar em escândalos de corrupção. Perguntei a ela, por conta disto, se sua luta e sofrimento havia valido a pena. Serena, ela não titubeou: “Nosso projeto era totalmente outro. A esquerda trocou o seu caminho pela cobiça”, comentou.

Brasilsão

No final de semana o sargento Rafael Souza, da polícia militar da capital paulista, estava em uma farmácia da cidade de Campo Limpo, próximo a Jundiaí, quando o estabelecimento foi assaltado. Com um filho no colo, Rafael reagiu ao assalto e matou os dois assaltantes, que o haviam ameaçado de morte. Se morasse em algum país civilizado, provavelmente hoje ele seria condecorado pelo governo. No Brasil, é provável que responda por duplo homicídio, sendo afastado de suas funções. Não é de duvidar que ele corra o risco de perder a guarda de seu filho, sob o argumento estatal de que colocou a vida da criança em risco durante o tiroteio. A bem da verdade, vai ter que rezar para não ir a jure popular e acabar na cadeia, afinal de contas não faltará promotor para asseverar que a ação empregada por ele foi exagerada, o que acabou ceifando a vida de duas vítimas da sociedade.

Exemplar

Extremamente bem organizado o 47º Jerva, os Jogos Escolares da Região do Vale do Araranguá, e o 9º Parajerva, que estão acontecendo em Sombrio desde o dia 16, se estendendo até a próxima sexta-feira. Em que pese toda a crise porque passam as prefeituras, há de se enaltecer o esforço de todos para que as competições estejam sendo realizadas sem sobressaltos. É a primeira vez, também, que o Complexo Esportivo Antônio Sant’ Helena vem sendo usado em sua plenitude, de uma só vez, através da prática das diversas modalidades de uma competição esportiva. No sábado, por exemplo, enquanto eram realizadas partidas de futebol de salão em um ginásio de esportes, em outro eram realizadas partidas de basquete, e ao mesmo tempo eram disputadas partidas de vôlei de praia da quadra coberta de areia do Complexo, tudo num raio de menos de cem metros. Trata-se de um patrimônio esportivo que, de fato, precisa ser guardado e resguardado pela população sombriense, e incrementado pelo poder público em todas as suas esferas.

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