Rolando Christian Coelho
17/11/2017 12h00

Amin não se entregará fácil em 2018

Rolando Christian Coelho, 17/11//2017

“Muitos criticam a constante mudança nas alianças políticas, e a maioria não compreendem como esta dinâmica funciona. Mas é assim mesmo. Política é como as nuvens. Cada vez que a gente olha para cima a formação está diferente”.

Magalhães Pinto (1909/1996) – Ex-governador de Minas Gerais

Amin não se entregará fácil em 2018

Ainda que grande parte da cúpula do PP já tenha fechado negócio com o PSD, com vistas à disputa eleitoral do ano que vem, persiste dentre aqueles admiradores pessoais do deputado federal Esperidião Amin (PP) o desejo de que ele seja o candidato a governador do Estado em 2018. As manifestações de apoio, por óbvio, vêm ao natural, afinal de contas, em qualquer pesquisa eleitoral que se faça neste momento, Amin é quem lidera.

Cansados de apanhar, deputados, e a grande maioria dos prefeitos do PP, querem mais é se aliar definitivamente ao PSD do governo Raimundo Colombo, de olho no retorno ao comando do executivo estadual. Há, no entanto, uma significativa fatia da base progressista que ainda não se convenceu disto. São aqueles políticos e cabos eleitorais mais afastados do centro do poder, que, a bem da verdade, não sabem, de fato, como funcionam as coisas quando o assunto é a divisão do bolo do erário público. Imaginam que é melhor arriscar uma candidatura de Amin ao governo, do que compor como vice do PSD. Se perder, perdeu, refletem.

O problema é que deputados e prefeitos não querem mais perder. Até porque o PP já perdeu quatro disputas estaduais seguidas, justamente por erros estratégicos ligados a coligações.

Como enfrenta resistências explícitas dentro de seu próprio partido, Esperidião Amin tem articulado por fora, na tentativa de ter seu nome indicado, ou no mínimo endossado, por outras agremiações. O PT, por exemplo, é uma das siglas com que Amin tem conversado. O partido de Lula não tem achado quem o queira em nível estadual, até porque, quem o quiser, afastará de imediado o PSDB de Paulo Bauer, a menina dos olhos do ano que vem.

Na visão de Amin isto é irrelevante. Ele sabe que o PSDB jamais aceitará ser vice do PP. Se for para ser vice, os tucanos se entregarão ao PMDB, que possui um partido extremamente estruturado por todo o Estado, ou ao PSD, que tem o governo nas mãos. Como o PSD tem projeto próprio, e o PMDB jamais concorrerá como vice do PP, Amin abriu conversações com os petistas, vislumbrando, quem sabe, uma aliança entre as duas siglas ano que vem. A coligação seria para lá de esdrúxula, mas nas atuais circunstâncias da política brasileira não há nada com que possamos nos surpreender.

É claro que Amin não morre de amores pelo PT, mas foi o que lhe restou para tentar se impor dentro do PP. O ex-governador não possui forças para, sozinho, virar o jogo. Quem manda hoje no partido quer se aliar ao PSD. Todavia, se o PT ajudar a patrocinar a candidatura de Esperidião, suas forças se recompõe, e a base da sigla poderá desencadear uma onda de apoio que dificilmente conseguirá ser segurada pela cúpula do partido.  

Barbosa no PSB

Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, parece mesmo bem a fim de disputar a Presidência da República ano que vem. Responsável por colocar metade da cúpula do PT na cadeira, através do julgamento do Mensalão, Barbosa tem flertado com o PSB, e já admite entrar na corrida sucessória nacional. Internamente, no entanto, ele enfrentaria a resistência de Aldo Rabelo, ex-Ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff. Aldo era filiado ao PCdoB e migrou para o PSB justamente com o objetivo de disputar o Palácio do Planalto. No entanto, Joaquim Barbosa já mandou recado dando conta de que não disputará internas com ninguém. Se o partido quiser sua filiação para concorrer à Presidência, tudo bem. Se não quiser, seu destino deverá ser outra agremiação.

Nada estranho

Tentativa de aproximação que deputado federal Esperidião Amin (PP) vem fazendo em relação ao PT, com vistas ao pleito de 2018, não soa totalmente estranho em nossa região. O PT já foi vice do PP em Araranguá entre 2009 e 2012, ainda que hoje as duas siglas estejam afastadas. Em Sombrio, PP e PT disputaram as duas últimas eleições municipais coligados. Em Jacinto Machado, o PT foi governo duas vezes com o apoio do PP, que depois recebeu o respaldo do partido de Lula para disputar o executivo. Em São João do Sul aconteceu o mesmo. Ainda que tenha derivado do antigo MDB, o fato é que o PT aqui do Extremo Sul sempre esteve mais próximo do PP do que de qualquer outra sigla, ressalvando-se, por óbvio, exceções. Já na região de Criciúma, onde o PT sempre teve uma fortíssima influência dos movimentos sindicais, a proximidade com o PP nunca foi tão natural assim, já que a maioria dos líderes progressistas estavam, como estão, ligados ao setor empresarial.

Muito Estanho

Conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, ex-deputado estadual Júlio Garcia voltou à ativa política preocupando o Palácio Santa Catarina. É que ele tem mantido contato contante com os deputados federais João Rodrigues (PSD) e João Paulo Kleinubing (PSD), que não têm fechado muito com a ideia de lançar o deputado estadual Gelson Merisio (PSD) ao Governo do Estado. O mais estranho de tudo é o fato de Júlio ter sido amplamente beneficiado com a decisão do governador Raimundo Colombo (PSD) de indicar o deputado estadual Zé Nei Ascari (PSD) para sua vaga, no TCE. Como se sabe, Merisio é o candidato de Colombo ao governo. Vale lembrar que Júlio Garcia era aliado do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, e que João Rodrigues acha prematuro romper com o PMDB neste momento, como defende Merisio. Vai que a coisa muda!

Com Colombo

Secretário Executivo da Agência de Desenvolvimento Regional, Heriberto Afonso Schmidt, se reúne hoje, em Lages, com governador Raimundo Colombo (PSD). Deste encontro também participarão todos os demais Secretários das ADR’s do Estado. De acordo com Heriberto, será uma reunião de trabalho, objetivando fazer um levantamento do que foi realizado até agora em 2017 e o que poderá ser feito, supostamente, em 2018. Heriberto mantém também a expectativa de que Colombo confirme a data de sua vinda a nossa região, para proferir uma palestra que estava previamente agendada para a primeira quinzena deste mês. Como precisou de cuidados médicos recentemente, tendo até mesmo sido internado, o governador cancelou as palestras que vinha fazendo pelo Estado, o que incluiu a que estava marcada para nossa região. De acordo com o Secretário Executivo, é muito provável que este compromisso aconteça ainda neste ano.

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