Rolando Christian Coelho
07/11/2017 12h00 - Atualizado em 07/11/2017 12h53

Esquerda é burra, mas no Brasil é pior

Rolando Christian Coelho - 07/11/2017

“Quando eu era criança, minha mãe me disse: "Se você se tornar um soldado, você vai acabar sendo um general. Se você se tornar padre, você vai acabar sendo o Papa.". Em vez disso, eu preferi ser um pintor e acabei me tornando Pablo Picasso”.

Pablo Picasso (1881/1973) – Pintor e escultor espanhol

Esquerda é burra, mas no Brasil é pior

Durante o século XX foram implantados no mundo mais de 60 sistemas de governo baseados nos princípios de Karl Marx, o filósofo alemão que teorizou o comunismo. Na maioria absoluta dos casos este sistema de governo não deu certo. E não deu certo porque, de acordo com Marx, todas as pessoas são iguais, e, portanto, precisam receber as mesmas partilhas no final do processo produtivo. O problema é que as pessoas não são iguais em sua essência. Boa parte se contenta em sobreviver. Outros tantos querem acumular muito, e outros não se preocupam sequer em ter o que comer ao meio dia. É assim a gêne humana, ou seja, as pessoas não são iguais. E isto independe de uma forma ou de um sistema de governo.

Por conta do princípio da diversidade do anseio humano, o comunismo sempre enfrentou dificuldades extremas nos países em que foi implantado. Os que queriam mais não se contentavam com a mão de ferro do sistema. Os que queriam menos se provaleciam da igualdade empurrada à força, e geralmente migravam para o serviço público, inchando a máquina estatal, que era mantida funcionando na marra, de modo a operacionalizar uma espécie status quo invertido. Neste sentido, o menos aptos eram os mais privilegiados.

Ainda assim a esquerda insistiu e insiste nesta tese, que, paradoxalmente, é baseada nos princípios do cristianismo, para o qual todos os homens são iguais perante os olhos de Deus. De fato, na questão espiritual não parece haver dúvidas quanto a isto. Já na questão material, a ganância, ou a abstinência de bens e de anseios, convive lado a lado com aquilo que seria normal de se ter, e de se querer, meramente para o bem estar pessoal e familiar.

Não obstante a isto, Marx defendia que a massa operaria deveria se apropriar dos meios de produção e produzir ela própria a riqueza de sua nação, dividindo seus frutos de forma igualitária entre todos. Levando em conta de que uns querem mais, outros menos, e muitos não querem nada com nada, não é preciso nem dizer que o comunismo patinou mais do que andou para frente, a ponto de só ter dado relativamente certo apenas naqueles países que começaram a valorizar a livre iniciativa, como é o caso da China.

A burrice básica da esquerda mundial, portanto, reside no fato dela imaginar que todos os homens e mulheres são iguais em seus desejos, algo totalmente descabido. Até porque, a diversidade de desejos é justamente a principal característica dos seres humanos.

No Brasil, esta distorção do conceito de organização social é maior ainda. A esquerda imagina que a igualdade poderá se dar sem a apropriação dos meios de produção. Chega a ser ingênuo, mas ela acredita que dividir apenas a receita, sem dividir o trabalho, é o suficiente para termos um país mais igualitário. Por conta disto, implantou e ampliou programas sociais, na tentativa de cativar os menos favorecidos. Quisesse mesmo implantar um sistema auto-suficiente, ao menos que lembrasse Marx, teria distribuído varas de pescar, e não peixes. Até porque, os peixes acabam rápido, já as varas servem para qualquer rio.

Apertando

Prefeito de Sombrio, Zênio Cardoso (PMDB), diz que só conseguirá fechar as folhas de pagamento de novembro e dezembro se forem feitos, necessariamente, “uma série de ajustes nas próximas semanas”. Zênio prefere não entrar em detalhes à respeito de quais ajustes seriam estes, mas, fatalmente, eles passam pela demissão de cargos comissionados e pela reformulação do estatuto do servidor, no que diz respeito a cargos e salários. Este segundo assunto, aliás, já faz parte do rol de temas que vêm sendo discutido nos corredores do legislativo sombriense. Em 2016, para fechar a folha de pagamento do ano em 54% da Receita Líquida Corrente, Zênio precisou demitir dezenas de cargos comissionados. A estratégia parece que irá se repetir, só não se sabe em qual monta. Ainda que isto cause um grande impacto na base política, fatalmente as recontratações acabarão acontecendo no início de 2018, e tudo voltará ao normal. O que deverá pegar mesmo é a tal reformulação do estatuto do servidor, que fatalmente irá suprimir cargos e diminuir salários.

Êta Brasilsão

Ministro da Fazenda, o presidenciável Henrique Meirelles (PMDB), parece não costumar trabalhar por pouco dinheiro. Que ele tinha dado consultoria por quatro anos para a J&F, empresa controladora da JBS Alimentos, todo mundo já sabia. O que quase ninguém sabia é que nosso estimado gênio do sistema financeiro recebeu nada menos do que R$ 180 milhões por seus trabalhos, entre 2012 e 2016. São R$ 3,750 milhões por mês, ou R$ 125 mil por dia, incluindo finais de semana e feriados. É claro que as más línguas irão inventar mil fofocas, dizendo que Meirelles tinha também a incumbência de abrir portas para os irmãos Joesley e Wesley Batista junto ao Governo Federal, especialmente no BNDES, onde ele tem trânsito livre, afinal de contas foi presidente do Banco Central nos dois governos de Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2010. Pura inveja. Meirelles fez por merecer e, por conta disto, sua família não precisa se preocupar pelas próximas dez gerações. Afinal, se não tivesse feito por merecer, não teria recebido os R$ 180 milhões dos injustiçados irmãos Batista.

Audiência da JBS (1)

Audiência Pública realizada ontem na Assembleia Legislativa, para discutir a situação da Unidade da JBS Alimentos de Morro Grande, que encerrou suas atividades no último dia 31, reuniu uma centena de pessoas. A audiência, convocada pelo deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), contou também com as participações dos deputados José Milton Scheffer (PP) e Manoel Mota (PMDB). Dada por encerrada a etapa dos esforços que tentavam manter a JBS em atividade, os olhares agora se voltam para a garantia dos direitos dos trabalhadores demitidos, assim como dos produtores integrados da empresa, que são aqueles que produziam frango para o abate na Unidade de Morro Grande. Paralelo a isto, há também a questão que envolve a venda da JBS para outra agroindústria, fundamental para que o setor de avicultura não vá à bancarrota em nossa região. Em princípio, ficou decidido que será solicitada uma audiência com a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, visando incluir nos acordos de leniência da JBS a garantia dos direitos dos empregados e dos agregados da empresa.

Audiência da JBS (2)

Vale lembrar que a JBS fez acordo de leniência, que são aqueles em que a empresa admite culpa no cartório, pagando o que deve, mas ficando com o nome limpo, em valores que ultrapassar os R$ 10 bilhões. O problema é que não há uma vírgula sequer falando do direito dos trabalhadores e dos agregados das Unidades da JBS que vêm sendo fechadas Brasil à fora. Também ficou decidido na audiência pública realizada em Florianópolis, que tanto o Governo Federal, quanto o Estadual, serão procurados para flexibilizarem, através de seus agentes financiadores, as dívidas contraídas pelos agregados da JBS. Mais de uma centena de famílias do Sul do Estado contraíram dívidas para construir aviários, onde eram criados dos frangos vendidos para a JBS Alimentos. Sem a empresa, não há criação, mas a dívida permanece. “Há famílias com dívidas que superam R$ 1 milhão”, disse o prefeito de Morro Grande, Valdo Rocha (PSD), durante a audiência pública. O que ficou bem claro durante a audiência é que as questões envolvendo a JBS passarão a ser tratadas de forma bem mais pragmática, sem o chororô dos últimos meses.

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