Rolando Christian Coelho
06/11/2017 11h00

Quem ameaça Bolsonaro é Alckmin, não Lula

Rolando Christian Coelho - 06/11/2017

“Nem tudo que eu quero eu posso. Nem tudo que eu posso eu devo. Nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve”.

Mário Cortella (1954) – Filósofo e escritor brasileiro

Quem ameaça Bolsonaro é Alckmin, não Lula

Os apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PPS/RJ) estão errando daqui na lua seu alvo. Na tentativa de popularizar cada vez mais o capitão da reserva das Forças Armadas, seus simpatizantes não param de bater na esquerda. Neste sentido, o principal alvo é o ex-presidente Lula da Silva (PT), que, diga-se de passagem, não tem mais o que apanhar. Além de ser uma perda de tempo bater em Lula, já que seus percentuais de aceitação e rejeição são imutáveis há anos, os bolsonaristas não estão focados no verdadeiro adversário, que é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com as pesquisas que vêm sendo publicadas, hoje Lula e Bolsonaro estariam no segundo turno das eleições presidenciais. Por óbvio que o ‘sistema’ não irá ficar sentado observando este desencadeamento de braços cruzados, esperando para meramente passar a faixa presidencial para um ou outro.

De todas as demais candidaturas, a que mais tem condições de aglutinar aliados desgarrados é a de Alckmin, cujo partido já está acertado com o PMDB Nacional para uma sobradinha ano que vem. A questão é saber se o vice de Alckmin será o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PMDB), ou algum nome novo, que possa vir a se filiar no ninho peemedebista, como o apresentador Luciano Huck.

A dobradinha PSDB/PMDB não garante a eleição de ninguém, mas praticamente joga dentro do segundo turno da eleição presidencial o nome que for apoiado por ela, por conta da capitalidade eleitoral destes partidos, e de uma dúzia de outros que irão a reboque com eles, como PP, PSD, PTB, DEM, e por ai à fora. Trata-se de um grupo político fortíssimo, que, aliás, tirou Dilma Rousseff (PT) do poder e já livrou a cara do presidente Michel Temer (PMDB) duas vezes, e a do senador Aécio Neves (PSDB) mais uma. É o mesmo grupo, aliás, que insiste em não acatar determinações do Supremo Tribunal Federal, criando suas próprias regras no Congresso Nacional.

Por enquanto o tal do ‘sistema’ está desarticulado, meio moribundo, por conta da avalanche denúncias que pesam sobre seus principais representantes. Todavia, a aglutinação de interesses é meramente uma questão de tempo.

Passado o verão, e tão logo os brasileiros comecem a pular as folias de carnaval, todos os pingos serão colocados nos devidos is, com Bolsonaro correndo o sério risco de sucumbir, não pela perda de forças, mas pela união daqueles que não o querem presidente.

Por conta dos fatos, a melhor estratégia de Jair Bolsonaro seria aquela ligada a cooptação de apoios que fatalmente convergirão para Alckmin, e o ataque àquelas principais bandeiras defendidas pelo tucano. Fragmentar Alckmin é fundamental para que Bolsonaro chegue ao segundo turno. Sem isto é muito provável que ele não consiga passar para a segunda etapa da eleição.

Depredação

No final de semana outdoor alusivo ao deputado federal Jair Bolsonaro, fixado no centro de Sombrio, foi pichado com a palavra “Burros”. A frase no outdoor, que defendia a ideia de leis mais severas para criminosos, também foi rasurada pela pichação. O grupo Direita Sombrio, que arrecadou os recursos para a fixação do outdoor, se manifestou nas redes sociais. Ressaltou que possui um suspeito pelo vandalismo, enfatizando que “tudo será investigado e o verdadeiro vândalo será pego”. Outros outdoors de Bolsonaro fixados em Araranguá e Criciúma também foram objeto de depredação. Pelo visto, campanha presidencial de 2018 não se dará apenas na defesa de ideias e ideais. Nestas ocasiões sempre me lembro de uma frase atribuída ao filósofo francês François Voltare: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. É a chamada democracia.

Casa alugada

Indicação do deputado estadual Zenei Ascari (PSD) para o Tribunal de Contas do Estado fará com que o deputado Manoel Mota (PMDB) passe a ocupar a primeira suplência de sua coligação na Assembleia Legislativa. Em 2014, Mota ficou na terceira suplência. Com a eleição do deputado Gean Loureiro (PMDB) para a Prefeitura de Florianópolis, Mota foi para a segunda suplência. Agora, com a ascensão de Ascari, Mota ficará a um passo de se efetivar como deputado. “Tenho a promessa do governador Raimundo Colombo (PSD) de que isto irá acontecer no início do ano que vem”, comenta o parlamentar. Na condição de suplente, Manoel Mota ocupa o gabinete da deputada estadual e atual secretária de Justiça e Cidadania, Ada de Luca (PMDB). Praticamente todos os assessores do gabinete são ligados à Ada, e não a Mota. “Estou morando de favor. Esperança é que possa fazer minha campanha à reeleição em 2018 numa casa própria”, brinca o deputado, que ressalta a importância de ter um gabinete completo a sua disposição. “Ai a história é outra. A gente consegue mandar, e não ficar pedindo favor”, comenta.

Haja impasse

Acontece hoje, a partir das 14h, na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, uma audiência pública para debater a situação que envolve o fechamento da Unidade da JBS Alimentos de Morro Grande. No último dia 31 a empresa encerrou suas atividades no município, o que culminou com a demissão de cerca de 700 trabalhadores. De acordo com o sindicato que representar a categoria, apenas 45 funcionários continuam suas atividades, ligadas diretamente a produção de ração, e não ao abate de frangos. A audiência irá tentar encaminhar as negociações para a venda do parque fabril da JBS de Morro Grande, situação que está se tornando uma epopeia. Dentre os entraves está a dívida que a JBS tem com a Tramonto Alimentos, que era a antiga dona da unidade. Para complicar ainda mais, há passivos trabalhista que envolvem tanto a Tramonto quanto a JBS. Não à toa a solução para o impasse ainda não foi achada.

Todos juntos

PSDB catarinense não quis dar sorte para o azar e resolveu contemplar praticamente todos os seus líderes estaduais e regionais na nova composição do diretório estadual do partido, que será eleito no próximo dia 11, em convenção a ser realizada no município de São José, na Grande Florianópolis. O diretório será composto com 105 membros titulares e 35 suplentes. Também serão eleitos 31 delegados titulares, e outros 31 suplentes, para a convenção nacional da sigla, que irá decidir quem será o candidato a Presidência da República do partido. Há de se ressaltar que haverá também eleição para o Conselho de Ética, Fiscal e Político, e ainda para a organização dos grupos segmentados do partido, como o PSDB Mulher, da Juventude e ai por diante. Basicamente, o que os tucanos quiseram foi dar cobertor para todo mundo, de modo a ninguém reclamar do frio. Vale lembrar que o PSDB Estadual está dividido entre aqueles que querem candidatura própria ao governo, os que querem se aliar com o PMDB e os que querem concorrer junto com a dobradinha PSD/PP. Bater chapa interna agora seria acabar com o partido antes de 2018.

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